15.9.12

In Our Hands (15/27)


Título: Em Nossas Mãos
Resumo: "As palmas não mentem, Oliver." Zatanna aclamou enquanto ele afastava a mão. "Você tem um filho."
Autora
: slytherinpunk
Classificação: R (eventualmente NC-17)
Spoilers: segue os acontecimentos até o terceiro episódio da décima temporada e segue AU depois disso. Oliver nunca se revelou como Arqueiro Verde e Tess nunca comandou a Watchtower.
Banner da história: dhfreak
Banner dos capítulos: sanaazzy
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Oliver estava parado ao lado, observando Connor preparar o chute seguinte antes de correr até a linha de bolas de futebol que Oliver tinha arrumado. Ele chutou a primeira e sem olhar pra cima, correu até a seguinte e a próxima, até chutar a última.

"Três bolas de seis foram para o fundo da rede", disse Oliver pegando as bolas de futebol. "Foi muito bom."

Connor correu a mão pela testa suada. "É... não foi muito ruim."

Oliver deu risada, afastando-se do gol e arrumando as bolas de um jeito diferente. "Não se cobre muito. Você tem só seis anos, Con..."

"Eu vou fazer sete", Connor repetiu pelo que parecia ser a milésima vez. Ele olhou para Oliver e ergueu a sobrancelha, percebendo a organização das bolas. "O que você está fazendo?"

Oliver sorriu enquanto posicionava a última bola e ia pegar os cones ao lado do campo, marcando um caminho com ele.

"É mais fácil fazer um gol correndo em linha reta", ele colocou o último cone e deu alguns passos pra trás, olhando para Connor. "Mas o verdadeiro desafio é dar um chute enquanto está correndo e desviar dos outros jogadores."

"Você quer que eu corra entre os cones?" Connor perguntou.

"Isso mesmo", Oliver assentiu e cruzou os braços. "Eu li isso em um dos livros que compramos na feira."

"Legal", Connor se animou. "Então o que eu tenho que fazer?"

"Correr, desviar dos cones, mirar e chutar a bola." Oliver olhou para Connor. "O objetivo não é só que você não atinja um cone, mas é a pontaria no pouco tempo que você tem pra chutar."

Expirando, Connor assentiu novamente. "Ok, então... quando você falar?"

Oliver deu um curto aceno de cabeça, pegando o apito ao redor do pescoço. Esperou alguns segundos, dando a Connor a chance de respirar um pouco e então apitou, seus olhos colados nas costas de Connor enquanto ele corria, atravessando os cones.

Depois da feira de livros, eles tinham ido almoçar e então comprar os equipamentos que Oliver precisava para os treinos. O técnico tinha indicado uma boa loja de esportes e algumas instruções sobre o que queria que Connor trabalhasse.

O técnico tinha explicado que para sua idade, Connor era um excepcional jogador. Mas o problema era que estava ficando óbvio para os outros times que tinham que se preocupar com Connor, e tentar manter a bola longe dele. Então pediu a Oliver que treinasse o tempo de reação.

Depois das compras, Oliver voltou para a casa de Chloe e Connor com doze bolas de futebol, vinte cones laranja, um apito e também algumas calças e camisetas pra si mesmo, não tenho antecipado que ia precisar quando arrumou as coisas para a viagem.

Chloe tinha balançado a cabeça, exclamando que Oliver estava exagerando mas ele discordou. Tinha perdido seis anos da vida de Connor, e o esporte e os jogos eram a coisa mais importante pra ele. E se Connor queria ser um jogador melhor, Oliver estava determinado a ajudá-lo a alcançar seu objetivo.

Enquanto Connor estava na escola, Oliver passava o dia lendo os livros e assistindo os jogos dele, tentando absorver e aprender tudo que pudesse. E nos últimos dias vinham treinando depois da escola e da lição de casa, e Oliver já podia perceber o progresso que Connor estava fazendo.

Mesmo Chloe, que insistia em acompanhar os treinos no parque, comentou o quanto Connor tinha melhorado com a ajuda de Oliver. Ela deixava as provas e atividades ao seu lado na arquibancada enquanto Oliver e Connor treinavam e corriam e faziam os exercícios, ocasionalmente olhando o quanto seu filho estava trabalhando.

Não havia dúvida do quanto Connor se esforçava, e embora Oliver achasse que o filho era muito pequeno para se colocar tanta pressão, percebeu que provavelmente isso tinha a ver com a genética. Mas embora Connor fosse tão determinado, ele também se divertia, o que era ótimo considerando o quanto ele estava se esforçando.

Quando Connor chutou a última bola, e acertou o gol, Oliver apitou sinalizando que Connor parasse. Correu até ele, incapaz de suprimir o sorriso. "Excelente, Con."

Connor assentiu, sua respiração um pouco pesada. "Obrigado... você tinha razão, é mais difícil correndo em curvas, desviar e chutar ao mesmo tempo.

"É, mas você foi muito bem", Oliver elogiou e começou a recolher as bolas de futebol novamente.

"Sim... então, de novo?" Connor perguntou enquanto ia para a lateral pegar a garrafinha d'água para um rápido gole.

Oliver olhou para Chloe na arquibancada. "Eu não sei, está ficando tarde." Ele olhou para Connor novamente. "Que tal voltarmos amanhã? Está esfriando bastante agora."

Connor apertou os lábios por um momento, mas então assentiu. "Ok, tudo bem."

Oliver bagunçou o cabelo de Connor. "Legal, agora me ajude a pegar tudo pra gente ir jantar." Connor deu um risinho, indo na direção do gol e começando a pegar os cones.

Chloe olhou pra cima e viu Oliver e Connor guardando as coisas. Olhou para o relógio e sorriu; timing perfeito. Ela tinha feito uma torta de peru enquanto Connor estava fazendo a lição de casa e deixou no forno para esquentar quando chegassem em casa. E como Oliver e Connor vinham trabalhando bastante nos últimos dias, ela fez a sobremesa favorita dos dois enquanto estavam ocupados com a lição de História.

Ela guardou os papeis na bolsa e se levantou rapidamente, sentindo uma onda de tontura. Estendendo a mão, ela segurou no corrimão da arquibancada para se equilibrar e respirou fundo. Tinha acordado essa manhã um pouco resfriada e só tinha piorado com o passar do dia. Quando sua cabeça parou de girar ela pegou um lenço e assoou o nariz antes de jogá-lo no lixo perto do banco e foi até o campo.

Chloe cruzou os braços sobre o peito, esfregando os braços e os chamando em seguida, a voz um pouco rouca. "Terminaram o treino de hoje, rapazes?"

Connor sorriu para sua mãe enquanto entregava o último cone a Oliver. "Você me viu, mãe? Você viu o último exercício que o Oliver montou?" Ele falava rápido, animado, e Oliver sorria, colocando os cones em uma bolsa junto com as bolas de futebol.

Ela foi até ele, alisando seu cabelo levemente e mesmo a menor das ações a fez gemer. Seu corpo doía, mas ainda tinha uma tonelada de coisas pra fazer antes da noite terminar. Chloe lhe deu um sorriso aberto. "Você foi maravilhoso, garoto. Acho que nunca vi você se mover tão rápido desse jeito."

Ela o puxou contra sua lateral e ele sorriu, antes de pegar a mão dela e franzir a testa. "Suas mãos estão quentes."

Chloe deu risada. "Sim, porque eu estava com elas no bolso, bobinho, está frio aqui e alguns de nós não estava correndo pelo campo."

Connor deu risada, soltando a mão dela e indo na frente de Choe e Oliver na direção do carro. Connor estava andando de costas pra poder olhar pra eles enquanto falava. "Oliver e eu vamos treinar duro o resto da semana. Vamos arrasar no próximo jogo."

Ele pulou lentamente enquanto andava e Chloe deu risada, em seguida clareando a garganta. "Bem, já que vocês dois estão trabalhando duro, eu fiz uma coisa especial para meus garotos quando chegarmos em casa." Chloe não percebeu que havia incluído Oliver em sua frase enquanto ajustava a bolsa em seu ombro e continuava caminhando com eles até o carro.

O sorriso de Connor aumentou. "Maravilha! Você é a melhor mãe do mundo!" Ele esperou sua mãe e Oliver o alcançarem e jogou os braços ao redor da cintura dela.

Oliver olhou para Chloe, sorrindo ao ver o sorriso contagioso dela enquanto o filho deles a abraçava. "Terminou de corrigir as provas?" Ele perguntou, abrindo o carro e jogando a bolsa no porta-malas.

Chloe suprimiu um bocejo e deu um tapinha na cabeça de Connor enquanto ele entrava no carro. Ela se virou para Oliver e assentiu, sorriso no lugar. "A maior parte."

Ela entrou no carro, fazendo uma leve careta enquanto Oliver entrava do outro lado. Ele ligou o carro e saiu enquanto Chloe se recostava no assento e cobria a boca ao bocejar novamente.

Entrando à direita, Oliver olhou para Chloe novamente, um sorriso suave no rosto ao olhar pra frente. "Se estiver muito cansada eu cozinho o jantar, não me importo."

Ela balançou a cabeça. "Eu estou bem... deixei tudo pronto enquanto vocês estavam fazendo a lição de casa, é só deixar no forno por uns quarenta minutos. Mas obrigada", ela lhe deu um pequeno sorriso antes de olhar para Connor e erguer uma sobrancelha. "E você, filho preferido? Parece cansado."

Connor deu risada e balançou a cabeça. "Não estou... e de novo... eu sou seu único filho. Sou o preferido por padrão."

Chloe deu de ombros. "Eu posso te chamar de favorito se eu quiser. Você é meu filho... Tecnicamente eu posso te chamar do que eu quiser depois de tudo que passei pra ter você."

Ela deu um risinho e Connor revirou os olhos. "Ah mãe... o que eu vou fazer com você?"

Chloe se mexeu em seu assento enquanto Oliver entrava na rua da casa deles. "Me amar para sempre."

Oliver estacionou. "Falando em chamá-lo do que quiser... como você escolheu o nome Connor?"

Chloe olhou brevemente para o filho que estava tirando o cinto e abrindo a porta do carro. Ela tirou o cinto e deu de ombros antes de olhar para Oliver. "Eu queria um nome que fosse forte e que significasse alguma coisa... E Connor significa determinação... sabedoria."

Sua voz ficou mais baixa mesmo Connor já estando na porta da casa. "Eu achei que era uma perfeita combinação de nós dois..." Ela parou de falar ao abrir a porta indo até Connor e deixando a porta aberta para Oliver.

Oliver saiu do carro, deixando a bolsa de equipamentos no carro para usar no dia seguinte antes de subir correndo os degraus e entrar na casa. Connor estava subindo para o quarto e Oliver seguiu Chloe até a cozinha. "Você está certa, sabe..." Quando ela se virou, ele lhe deu um sorriso. "É um nome perfeito, combina muito bem com ele..."

Ela sorriu. "Obrigada, Ollie..." ela tinha colocado a maleta em uma cadeira e foi até o fogão para acender o fogo. Ela se afastou da comida e espirrou, franzindo o nariz. Balançou a cabeça, o que só serviu para deixá-la ainda mais tonta, o que ela ignorou enquanto batia com o guardanapo em Oliver. "Agora, vá se limpar... garanta que Connor faça isso também. O jantar deve estar pronto em meia hora."

"Gesundheit", Oliver abençoou o espiro em alemão antes de assentir. "Eu vou tomar banho, e provavelmente trocar de roupa." Ele foi em direção a saída da cozinha quando parou e olhou pra ela. "Tem certeza que você está se sentindo bem?"

Chloe acenou sem se virar enquanto ligava o forno. Oliver suspirou não completamente convencido, mas não insistiu no assunto e foi se trocar.

Chloe passou os quinze minutos seguintes arrumando a mesa. Quanto voltou para o fogão, sua cabeça latejava e ela estava congelando. Ela se virou olhando ao redor da cozinha para ver se tinha deixado sua blusa ali, mas a única coisa que havia era o blusão de Oliver.

Ela mordeu o lábio antes de ir até a cadeira, pegar e vestir. Ficava enorme nela, mas a aqueceu e era exatamente o que precisava. Normalmente ela mantinha a casa aquecida e se perguntou se talvez Oliver ou Connor tinham desligado o aquecedor.

Ela ouviu uma mistura de passos leves e pesados na escada sinalizando que os garotos estavam descendo. Connor apareceu na cozinha primeiro seguido por Oliver. O filho franziu a testa quando viu a mãe com o blusão. "Você está com frio, mãe?"

Chloe assentiu. "Está congelando aqui..." Ela girou rápido para pegar alguma coisa quando uma onda de tontura a atingiu, fazendo seu corpo perder o equilíbrio.

"Mãe!" Connor gritou quando viu sua mãe caindo, mas Oliver correu até o lado dela e a segurou.

Oliver ouviu Connor suspirar aliviado quando ele passou os braços ao redor de Chloe, um ao redor de suas costas, enquanto colocava a outra mão em sua testa. "Você está queimando, com certeza está com febre..." Ele olhou pra ela. "Acho que é melhor você ir se deitar."

Ela olhou pra ele um pouco confusa, sua mão segurando o braço dele com força e a voz rouca. "Eu estou bem... eu só--" Ela não conseguiu terminar a frase porque começou a tossir, virando-se para não tossir em cima dele.

"Aham", Oliver respondeu. "Sim, você vai pra cama", ele passou o braço dela atrás de seu pescoço enquanto se levantava. "Levamos o jantar pra você lá em cima assim que estiver pronto", ele disse baixinho, carregando-a pela escada, Connor logo atrás deles.

Chloe franziu a testa e fez bico. "Me coloca no chão... eu não estou doente... eu consigo andar... eu..." Ela parou quando Oliver a ignorou, continuando a subir e olhando por sobre o ombro para Connor. "Con... docinho... diga ao homem das cavernas aqui que sua mãe não está doente. Ele vai ouvir você."

O constante movimento de sua cabeça estava lhe deixando zonza de novo, o que também fez seu estômago revirar. Ela respirou fundo, a mão agarrando o peito de Oliver, sua voz forçada e com um pouco de pânico ao sentir a tontura. "Ollie... me põe no chão... acho que eu vou vomitar."

Oliver alcançou o último degrau e foi para o banheiro. Ele olhou para Connor. "Ei, atleta, acha que pode ir puxar os cobertores da cama da sua mãe? Eu vou levá-la pra lá em um minuto."

Connor assentiu antes de correr até o quarto de sua mãe, e Oliver se virou para Chloe, vendo sua aparência pálida. "Ainda está com ânsia de vômito?"

Ela assentiu. "Sim, me põe no chão e sai, por favor." Sua voz não foi dura, e ela não estava sendo má, mas ter o almoço voltando na frente de Oliver não era realmente seu maior desejo. Mostrar sua fraqueza era uma das coisas que mais odiava.

Ele hesitou antes de descê-la e assim que seus pés tocaram o chão, ela o empurrou pra fora do banheiro antes de ir até o vaso sanitário, efetivamente perdendo a batalha para manter o almoço no estômago.

Oliver fechou a porta e ficou ali. Connor apareceu na porta do quarto de Chloe, olhando para Oliver com preocupação. "Minha mãe vai ficar bem? Ela nunca fica doente..."

Afastando-se da porta do banheiro, Oliver foi até Connor e deu um tapinha suave em sua cabeça. "Sim... sua mãe só está com gripe. Ela precisa ficar aquecida e descansar bastante, além de se alimentar e tomar muito líquido."

Connor assentiu, tentando impedir seus lábios de tremerem.

"Ei", Oliver pegou a mão dele. "Aposto que sua mãe cuida de você quando você está doente."

"Sim, ela faz sopa e lê histórias e", Connor parou. "Ela precisa de remédio, né? Mamãe sempre me dá remédio quando eu estou doente."

Oliver deu risada. "Acredite, essa é provavelmente uma batalha perdida... e ela não vai deixar você ler muito perto dela pra não pegar gripe também." Ele deu um tapinha nas costas da mão dele. "Por que você não vai escolher um livro pra ela, e então trazemos o jantar e fazemos ela descansar, ok?"

Assentindo, Connor foi para o seu quarto. "Acho que é uma boa ideia."

Oliver lhe deu um pequeno sorriso antes de voltar para o banheiro, batendo suavemente na porta. "Você está bem? Quer que eu segure seu cabelo?"

Chloe estava sentada no chão. Tinha oficialmente parado de negar que estava doente. Seu corpo inteiro doía e o chão estava deixando suas pernas frias. A cabeça latejava e a garganta ardia.

Ela fez um bico e falou com a voz ainda mais rouca. "Eu estou morrendo... vai embora e me deixa morrer em paz."

Oliver balançou a cabeça e segurou a maçaneta, abrindo a porta lentamente. "Vamos levar você pra cama... você quer escovar os dentes?"

Chloe olhou pra cima enquanto se endireitava, recostando-se contra a banheira. "Sim." Ela franziu o nariz e se levantou apoiando-se na banheira.

Endireitando-se, ela foi até a pia, pegando a escova e o creme dental. Cinco minutos depois ela tinha terminado e se virou na direção de Oliver, ela inclinou a cabeça para o lado e fez bico, a voz suave num leve choramingo. "Ollie, não estou me sentindo bem... acho que estou doente..."

Ele lambeu os lábios e assentiu tentando não sorrir ao quanto ela estava adorável. "Acho que você está certa, Professora." Hesitando um pouco, ele deu um passo pra frente e passou um braço atrás de suas costas e se abaixou, pegando-a no colo lentamente. Ele colocou a cabeça dela em seu pescoço e tentou andar devagar até o quarto.

Colocando-a na cama gentilmente, Oliver a cobriu com os lençois e o edredom quando seu filho entrou no quarto segurando um livro. "Ok, mãe... você lê pra mim quando eu estou doente e Oliver e eu vamos cuidar de você", disse Connor enquanto sentava na cama. "Qual história você quer ouvir?"

Chloe deu a Connor um sorriso caloroso. "Eu já te disse o quanto você é maravilhoso?"

Connor sorriu. "Sim."

Ele se mexeu na direção dela e ela balançou a cabeça. "Na cama não, docinho... pra você não ficar doente." Ela apontou para a cadeira. "Sente ali." Ela franziu a testa. "Você deveria ir jantar primeiro... eu posso preparar seu prato..." Ela se sentou, a cabeça latejando quando começou a empurrar os lençois.

"Não", Oliver levantou a mão em protesto e foi até a cama, cobrindo-a novamente. "Você disse que o jantar já estava pronto e era só aquecer. Eu alimento Connor e trago sopa pra você." Ele olhou por sobre o ombro para Connor. "Ei, amigão, por que você não dá o livro pra sua mãe escolher uma história pra você ler depois do jantar?"

Connor assentiu, levantando-se da cadeira e entregando o livro a Oliver. "Fica melhor, mãe. Chame se precisar de alguma coisa."

Oliver sorriu para o filho e colocou o livro ao lado de Chloe. "Eu vou deixar a lixeira aqui, se precisar." Ele foi até pequena lixeira ao lado de seu criado-mudo e colocou mais perto da cama, assentindo pra ela antes de sair do quarto com Connor. "Voltamos logo, não saia da cama."

Connor franziu a testa. "É, não se mexe. Você tem que melhorar."

Chloe suspirou às palavras de Oliver e os observou sair. A verdade era que estava se sentindo péssima, e tudo que queria era dormir até sua cabeça parar de doer. Ela se aconchegou na blusa de Oliver, a combinação do blusão e dos cobertores finalmente a aquecendo um pouco. Ela mexeu a cabeça levemente no travesseiro antes de levar as mãos até o queixo e fechar os olhos.

Dez minutos depois ouviu vagamente o som de passos, mas seus olhos estavam pesados e quando Connor chamou, ela gemeu, aconchegando-se mais no blusão.

Connor parou, Oliver atrás dele com uma tigela de sopa nas mãos. Ele falou baixinho para Connor. "Acho que ela dormiu."

Chloe grunhiu, a voz abafada. "Eu estou acordada." Ela se moveu, descobrindo a cabeça. Ela viu a tigela de sopa nas mãos de Oliver e se encolheu. "Eu agradeço a sopa, mas não estou com fome."

Oliver ergueu a sobrancelha, mas manteve a expressão neutra. "Uh-huh... mas seu corpo precisa de fluidos e vitaminas, então senta", ele a instruiu enquanto dava a volta na cama e pegava o livro que Connor deixou pra ela. Ele entregou para Connor, e apontou com a cabeça para a cadeira. "Por que você não lê a história que sua mãe escolheu enquanto eu dou comida pra ela?"

Pegando o livro, Connor assentiu e sentou na cadeira. "Qual história você escolheu, mãe? Eu vou ler, já sei todas as histórias desse livro de cor."

Oliver sorriu enquanto se sentava, mexendo a sopa com a colher enquanto esperava ela se sentar.

Chloe fez bico e olhou feio para Oliver, choramingando. "Eu não quero sentar... não estou com fome, Ollie... O cheiro está me deixando enjoada."

Connor deu risada e Chloe se mexeu na cama, levantando-se devagar e se recostando na cabeceira, o blusão de Oliver engolindo sua pequena forma enquanto erguia uma sobrancelha para seu filho. "E do que você está rindo?"

Ela tossiu algumas vezes cobrindo a boca com a blusa e Connor sorriu. "Eu nunca vi você doente. Está parecendo eu."

Chloe bufou. "Eu sou mais velha... tecnicamente você é que parece comigo."

Connor sorriu e apontou para o livro. "Que história?"

Chloe apertou os lábios. "Hum, Bela Adormecida." Seu rosto se suavizou enquanto Connor abria o livro, procurando a história no índice. Ela olhou de lado para Oliver, a voz baixa enquanto inclinava a cabeça na direção dele. "Obrigada... mas não vou comer a sopa..." Ela se recostou contra o travesseiro, cobrindo as mãos com as mangas da blusa.

Franzindo a testa, Oliver mergulhou a colher na tigela antes de levar na direção dela. "Seja um exemplo para o Connor... você acabou de vomitar, e seu corpo precisa de alimento pra você melhorar."

Connor assentiu enquanto continuava procurando a página da história. "Sim, é verdade! Você diz isso quando eu estou doente, mãe."

Oliver sorriu aproximando a colher dela, segurando a tigela com cuidado para não derramar. "Agora, abra a boca. Você quer trenzinho ou aviãozinho?"

Ela estreitou os olhos pra ele, embora seu olhar feio não tivesse muita força. Agora ia ter que comer a maldita sopa.

Ela sussurrou para só ele ouvir, mas não havia nenhuma malícia em sua voz. "Eu odeio você e não gosto de sons", ela sorriu e abriu a boca.

Oliver deu um risinho. "Bem, vamos lá..." Ele colocou a colher na boca dela, só afastando quando não havia mais nenhum conteúdo. Ele olhou para a garganta dela pra ter certeza que ela tinha engolido.

"Era uma vez, em um reino muito distante, onde viviam o Rei e a Rainha, que queriam muito ter um filho", Connor começou a leitura.

Piscando, Oliver desviou o olhar do pescoço dela e mergulhou novamente a colher na sopa de legumes, estendendo pra ela novamente enquanto Connor continuava a leitura.

Chloe ficou ali ouvindo enquanto Connor lia, sem pressa para ler as palavras grandes e ela sorriu. Quando estava ensinando ele a ler, costumava dividir a leitura das histórias o tempo todo, mas desde que ele aprendeu, não faziam muito mais isso. Ela engoliu outra colherada de sopa antes de suspirar.

Fazia muito tempo desde que tinha ficado doente e surpreendentemente ter Oliver ali estava ajudando muito. Ela não estava preocupada com o trabalho, mas agora não precisaria se preocupar com quem ia cuidar de Connor enquanto ela estava doente. E desse jeito Connor não ia pegar seja lá o que ela tinha.

Seu nariz estava coçando e ela levantou a mão, esfregando-o na manga da blusa. Depois se virou para Oliver. "Eu vou lavar sua blusa antes de devolver... desculpe. Era a única que estava na cozinha."

Ela abriu a boca e ele levou a colher novamente até sua boca enquanto Connor continuava a leitura. "Ela convidou todas as fadas do reino para o batizado, mas infelizmente esqueceu de convidar uma, que também era uma bruxa. Ela veio mesmo assim, mas quando passou pelo berço do bebê, jogou uma maldição: 'Quando você tiver dezesseis anos, vai se machucar numa roca e morrer!' 'Oh, não!' gritou a Rainha. Uma fada boa logo jogou uma magia para mudar o maldição. Quando ela se machucar, não vai morrer, apenas vai dormir'."

"Eu não estou preocupado com a blusa", Oliver sussurrou em seu ouvido enquanto Connor continuava lendo. "Além do mais... acho que a blusa ficou boa em você..." Ele sentiu o rosto esquentar, e clareou a garganta. "E é bom porque te mantém aquecida." Oliver sorriu, enchendo a colher novamente e estendendo pra ela.

Ela cobriu a boca, tossindo mais algumas vezes antes de tomar a colher de sopa e engolir, o líquido quente acalmando sua garganta. Ela respirou fundo e esfregou o peito gentilmente. Estava doendo por causa da tosse e quando levantou a cabeça havia um risinho no rosto dela. "Claro que fica melhor em mim... espera aí, você não disse melhor que você, disse...?" Ela parou de falar, humor em seus olhos cansados.

Oliver balançou a cabeça, levando a colher até ela novamente. "Cala a boca e come. Pacientes tinham que ser mais legais com as enfermeiras."

Chloe quase cuspiu a sopa nele, mas cobriu a boca no último minuto e engoliu, dando risada em seguida antes de voltar a tossir. Quando finalmente se acalmou, fez uma careta e esfregou o peito novamente enquanto mordia o lábio inferior, sobrancelha erguida, diversão nos olhos. "Aww, enfermeira Ollie, onde está seu vestido?"

Oliver olhou feio pra ela. "Ei, eu só peguei o papel de enfermeiro porque Connor insistiu que ele tinha que ser o médico."

Connor olhou do livro, ouvindo as palavras de Oliver. "Bom, é! Eu estou lendo pra minha mãe se sentir melhor e você está me ajudando dando comida pra ela. Então eu sou o médico." Ele ergueu o livro. "Agora silêncio, vocês tinham que ouvir."

Oliver ergueu a sobrancelha para Chloe. "Viu?" Ele cutucou seu braço levemente. "Agora vamos, só mais algumas colheradas."

Chloe se virou na direção de Oliver, dando a ele o melhor olhar pidão que podia e fez bico, sua voz suave com um adorável choramingo. "Ollie, eu estou cheia... honestamente. Não podemos fingir que eu terminei? Por favor..." Ela franziu o nariz enquanto Connor chegava na parte em que o Príncipe aparecia, chamando a atenção dela brevemente antes de sorrir para Oliver. "Minha parte preferida está chegando." Ela cobriu a boca e bocejou.

Oliver lhe deu um olhar duvidoso, mas cedeu e colocou a tigela no criado-mudo, e então se mexeu na cama, sem saber ao certo se deveria se levantar.

"Oliver", Connor choramingou. "Eu não consigo ler essa palavra."

Sorrindo suavemente, Oliver se levantou da cama e foi até a cadeira, abaixou a cabeça e olhou para o livro. "Que palavra?"

Connor apontou. "Essa aqui."

"Hmm, espera." Colocando as mãos sobre os ombros do filho, ele o levantou e se sentou na cadeira, sentando Connor em seus joelhos enquanto olhava para a página por sobre o ombro. "Que palavra mesmo?"

"Esta aqui", Connor apontou novamente.

"Ah, tá... esta." Oliver sorriu e começou a ajudar Connor a pronunciar a palavra e mais outras vezes enquanto ele continuava lendo. Depois de terminar a página, ele cutucou o braço de Oliver, pedindo pra ele ler um pouco, e ele continuou, lendo cada palavra com entusiasmo, a voz suave.

Enquanto Oliver lia as últimas páginas, os olhos de Connor começaram a se fechar, embora ele continuasse lutando para mantê-los abertos. Sua cabeça recostando-se no braço de Oliver, usando-o como travesseiro e Oliver sorriu mas continuou lendo.

Chloe os observou com os olhos cansados, calor invadindo seu peito ao quanto eles eram perfeitos juntos. Ela não podia acreditar que tinha passado sete anos sem isso... Não tinha certeza como seria deixar Oliver ir embora quando chegasse a hora dele voltar para a vida dele, mas se preocuparia com isso depois. Ao menos uma vez não queira se preocupar... só queria desfrutar da ilusão de uma família que nunca teve, mas sempre quis.

Chloe observou a respiração de Connor ficar constante, sinalizando que ele estava dormindo e ela também sentia os olhos ficando mais pesados. Ela clareou a garganta levemente, lutando contra outro bocejo enquanto chamava Oliver suavemente. "Ele dormiu, Ollie... você pode colocá-lo na cama?"

Oliver assentiu, cuidadosamente se mexendo e colocando o livro no braço da cadeira antes de puxar Connor contra seu peito, um pequeno sorriso sem seus lábios quando Connor enterrou a cabeça em seu peito, apertando os braços ao redor de seu pescoço inconscientemente.

Andando devagar, Oliver saiu do quarto de Chloe e seguiu pelo corredor, carregando o filho até o quarto dele antes de deitá-lo gentilmente na cama. Ele foi até a cômoda, abrindo uma gaveta e pegando um pijama. Ele fechou a gaveta silenciosamente, voltando para a cama e tentando fazer Connor se sentar para poder trocar sua camiseta.

Se mexendo, Connor abriu os olhos por uma fração de segundos, e deslizou os braços pelas mangas enquanto Oliver puxava sua camiseta por sobre sua cabeça. Connor bocejou antes de levantar os braços para Oliver vestir a outra.

"Eu dormi antes do fim da história?" Connor murmurou entre outro bocejo.

"Sim", Oliver sussurrou com um pequeno sorriso. "Mas você quase chegou ao final."

Connor se mexeu, permitindo que Oliver puxasse os cobertores. "A mamãe vai ficar melhor?" Ele murmurou com um bocejo.

"Sim", Oliver assentiu. "Você ajudou sua mãe a melhorar e agora ela só precisa de uma boa noite de sono."

"Ótimo", Connor bocejou novamente, seus olhos se fechando novamente.

Arrumando os cobertores ao redor de Connor, Oliver lhe disse boa noite, sua voz baixa para não acordá-lo enquanto se levantava da cama. Ele cuidadosamente saiu do quarto, lentamente abrindo a porta e deixando uma fresta aberta pra entrar um pouco de luz.

Ele silenciosamente entrou no quarto de Chloe e se aproximou dela, cobrindo-a. "Connor está dormindo... você precisa de alguma coisa?" Ele murmurou suavemente.

Ela já estava começando a fechar os olhos e a voz de Oliver a acordou, pensando em tudo que ainda tinha que fazer antes de ir trabalhar amanhã. "Eu..." ela parou bocejando e se aconchegando no travesseiro e no blusão.

Ela conseguiu abrir um olho, um pequeno sorriso no rosto, voz rouca, mas repleta de humor. "O que, eu não vou ouvir o final da história?" Ela fechou os olhos e franziu o nariz bocejando novamente.

Chloe podia sentir o corpo relaxando finalmente, a voz mal um sussurro quando falou para tentar se manter acordada. "O príncipe e a princesa viveram felizes para sempre?"

O rosto de Oliver se suavizou enquanto a observava dormir, do mesmo jeito que o filho deles tinha acabado de fazer. A garganta apertou enquanto tentava engolir o nó e encontrar a voz. "Sim... eles viveram felizes para sempre."

Ela assentiu contra o travesseiro, um sorriso brincando em seus olhos murmurando alguma coisa, embora ele não pudesse ouvir suas palavra. "É por isso que eu amo contos de fadas... não importa o que aconteça no final... eles sempre vivem felizes para sempre."

Ela se mexeu, suspirando satisfeita. Finalmente deixando o sono tomar conta, desejava acordar se sentindo melhor e esquecer as palavras que tinham lhe escapado.

Oliver arrumou o cobertor sobre ela novamente para mantê-la aquecida. Chloe suspirou e ele a estudou por um momento observando sua respiração. Ela parecia mais relaxada e mais corada que antes.

Ele estendeu a mão para tirar o cabelo de seu rosto, quando parou. Estar com Chloe e Connor estava sendo melhor do que tinha imaginado quando se imaginava formando uma família com ela.

Ele apertou os lábios, percebendo que tinha uma coisa que não tinha feito direito quando fantasiava sua vida com Chloe anos atrás... e era a falta de um anel no dedo dela.

Engolindo em seco, ele desligou o abajur antes de pegar a tigela e sair do quarto dela. Fechando a porta, ele desceu as escadas para lavar a tigela e ir para o colchão de ar na sala, determinado a apagar os pensamentos assim que conseguisse dormir numa cama que não imaginou um dia precisar porque diferente do conto de fadas de Connor, Oliver não teve o final feliz que queria.


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9 comentários:

  1. Que lindoo o Ollie cuidando da Chloe! ♥ SDD desse casal, to amando essa fic...

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    1. Também amo... e essa fic é pura fofurice... :D

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. "Gesundheit" lembrei na hora da Chloe falando isso na série.

    Acho que me apeguei aos detalhes deste capítulo. A Chloe falando "meus garotos" sem nem perceber ter incluído o Oliver. Ela usando a roupa dele, etc.
    Mas não vejo a hora da conversa esclarecedora.

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    1. Não lembro da Chloe falando isso na série... snif...

      Sim, esses pequenos detalhes fazem a diferença...

      Ah, a conversa, capítulo 20, o que sumiu!!!!!!!

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  4. \o/ Voltou!!!

    Também me apeguei aos detalhes. O 'meus garotos', o 'Professora', o 'blusão'... gostei muito deste, deu até pra fingir que eles estão adiando a 'conversa', mas tudo bem!! Gostei, acho que foi o primeiro capítulo que não me deixa angustiada ao terminar de ler!

    GIL

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    Respostas
    1. É, o professora também foi muito fofo... que bom que este pelo menos não te deixou angustiada... :D

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  5. Verdade, os detalhes nesta história são um show à parte... mas que faz a gente sofrer, faz... rs...

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