15.2.18

Just For Kicks, All By Myself (4/5)

 
 
 
Título: Só Por Diversão, Por Minha Conta E Risco
Autora: ihearttvsnark
Banner: geek_or_unique
Resumo: Esta história acontece no mundo de Everybody Loves Me. É a quarta de uma sequência de cinco histórias anteriores aos eventos de Everybody Loves Me. Chloe não sabe o que fazer quando Oliver sai do controle.
Classificação: R


Lionel Luthor tinha ferrado ele de novo.
 
A pior parte era que ele nem desconfiou. Oliver amassou a declaração da impressa anunciando a aquisição da LuthorCorp da empresa que ele passou seis meses tentando conseguir e jogou contra a parede. O papel caiu no chão sem barulho e não ajudou a satisfazer a raiva que estava sentindo. Oliver pegou o laptop e o jogou contra a parede também, sentindo um pequeno senso de satisfação enquanto o objeto se quebrava em pedaços antes de cair no chão com outro barulho alto.
 
Ele esperou e quase como se ela soubesse disso, a porta do escritório foi aberta e Chloe entrou. Oliver ergueu uma sobrancelha para ela e ela olhou do computador para ele e apenas balançou a cabeça e saiu, fechando a porta em seguida. Ele notou que ela não a bateu e desejou que ela o tivesse feito. Oliver queria ver sua assistente nervosa pelo menos uma vez. Qualquer coisa seria melhor do que o constante desapontamento que ela demonstrava quando olhava pra ele.
 
Oliver deu uma bronca em seus próprios pensamentos e voltou a se concentrar no negócio. Tudo estava preparado. Ele fez todo o trabalho de preparação, incluindo o mês que passara viajando pela Europa com potenciais investidores, conversando com cada um sobre suas preocupações particularmente enquanto negligenciava todo mundo em sua vida e em sua empresa porque sabia que esse negócio valeria a pena no final. Ele compartilhou seus planos com Chloe e outros pessoas selecionadas e elas vinham trabalhando dia e noite para garantir que tudo desse certo e então, no último minuto, Lionel apareceu e roubou tudo bem debaixo de seu nariz.
 
"Maldito", Oliver disparou. Ele bateu com o punho na mesa e então empurrou tudo de cima dela; sua raiva aumentando enquanto ouvia tudo cair no chão. Ele olhou para a porta, mas Chloe não apareceu de novo. Ela provavelmente achava que ele estava sendo infantil e talvez estivesse, mas ele estava nervoso, furioso na verdade. Ele estava com raiva e cansado de ver Lionel ferrar sua vida como se fosse um maldito hobby.
 
O filho dele era igual. Oliver odiara Lex Luthor desde o minuto em que o conhecera na escola e isso somente piorara com o passar dos anos enquanto Lionel moldava o filho à própria imagem. Agora eles tinham a empresa que Oliver havia trabalhado tanto para conseguir e estavam provavelmente sentados na estúpida mansão no Kansas rindo dele.
 
Oliver não ia deixá-los ganhar. Não podia. Eles tinham ganhado a batalha, mas não a guerra. Ele pensaria em alguma coisa. Ele afastou a cadeira da mesa e se levantou, procurando o celular. Ele deduziu que deveria estar no chão em algum lugar e não ia procurar por ele. Não queria mesmo falar com ninguém. Ele precisava clarear a cabeça e encontrar um jeito de dar a volta por cima porque não ia perder mais nada para os Luthors.
 
Chloe levantou a cabeça no segundo em que ele saiu do escritório. Ela esperava que ele ficasse curtindo a birra por mais um tempo. "Oliver, não é nem meio-dia. Onde você vai?" ela perguntou. Ele tinha uma tarde inteira de reuniões e não podia simplesmente desaparecer agora que o negócio com a empresa de manufaturados não tinha dado certo. "Oliver!" ela chamou de novo quando ele passou por ela em direção à porta principal.
 
Ele não olhou para trás e Chloe suspirou frustrada. Ela fechou o computador e entrou no escritório dele, suspirando novamente quando viu a bagunça. Ela não ia limpar. Ele ia ter que aprender que não podia ter tudo o que queria. Chloe vasculhou as coisas da mesa dele e encontrou o celular. Mais cedo ou mais tarde ele iria voltar para buscá-lo e teria que falar com ela querendo ou não. Ela guardou o telefone no bolso e voltou para sua mesa.

***
 
Foram mais duas semanas antes de Chloe ver Oliver novamente depois daquela manhã em que ele desapareceu do escritório, e nem foi pessoalmente. As coisas andavam relativamente quietas no front do crime e Chloe estava extremamente grata por isso em seu sofá, vestindo roupas confortáveis, desfrutando de seu sorvete preferido e de uma garrafa de vinho enquanto trocava os canais da TV, procurando algo superficial para assistir. Ela não se importava que fosse sexta e estivesse no começo de seus vinte anos e não tivesse nenhuma vida social. Vinha trabalhando duro no escritório, tentando manter tudo em pé enquanto Oliver sumia mais uma vez e ela precisava de um descanso.
 
Chloe assistiu cinco minutos de um filme e revirou os olhos, mudando de canal. Ela tomou um gole de vinho, diretamente da garrafa enquanto continuava a mudar os canais. Ela não precisava de nenhum âncora lhe dizendo que o mercado de ações estava em queda; já tinha uma mesa cheia de diretores para lhe gritar essa informação, como se ela tivesse algum controle sobre Oliver ter perdido a empresa para a LuthorCorp e em seguida ter desaparecido da face da Terra.
 
Ela mentalmente se repreendeu por deixar os pensamentos de trabalho ou Oliver invadirem seu momento de descanso enquanto tentava se lembrar em que canal estava. Chloe trocou o canal de novo e arregalou os olhos ao ver o rosto de Oliver encher a tela. Por um breve momento, se perguntou se tinha finalmente enlouquecido, mas então a câmera se afastou e ela viu a repórter que estava entrevistando Oliver. Chloe se ordenou a ignorá-lo, mas só o que conseguiu foi aumentar o volume.
 
Aparentemente Oliver estava na inauguração de um clube em Nova Iorque e demorou menos de um minuto ouvindo-o falar para Chloe ver que ele estava totalmente bêbado. Ela suspirou enquanto o ouvia flertar com a repórter apesar de já estar com uma mulher pendurada em seu braço que parecia ser uma modelo. Era bom saber que ele estava fazendo alguma coisa importante enquanto ela trabalhava até morrer para manter a empresa dele funcionando. Enojada, Chloe finalmente tirou o volume e pegou a garrafa de vinho.
 
"Você deveria se demitir."
 
Chloe quase derrubou a garrafa enquanto se virava para olhar para sua prima. Lois acenou na direção da tela onde Oliver usava uma modelo para conseguir se manter em pé. "Sério, prima", ela disse. "Você trabalha para esse idiota há um ano e meio e quantas propostas de emprego já recebeu? Você deveria se demitir", ela disse de novo.
 
"Não posso", Chloe respondeu. Ela trocou de canal, aliviada em ver Jon Stewart na tela. "Oliver me paga realmente muito bem e eu tenho muita liberdade já que ele está sempre muito ocupado para aparecer no escritório. Além do mais, as pessoas precisam de mim lá."
 
Lois balançou a cabeça enquanto pegava o casaco e a bolsa da cadeira. "Você é boa demais pra ele, Chloe." Ela sabia que sua prima era teimosa, mas não entendia porque ela insistia em Oliver. O cara não valia a pena como ser humano e Chloe podia facilmente encontrar outro trabalho que suportasse suas atividades extracurriculares. "Apenas pense no assunto", disse.
 
Chloe assentiu, mas as duas sabiam que ela estava apenas sendo superficial. Assim que Lois saiu para sua entrevista, Chloe mordeu o lábio e voltou para o canal de fofocas. Oliver estava rindo e falando enquanto tropeçava. Chloe revirou os olhos. A imagem estaria em todos os tabloides do país no dia seguinte e as ações da empresa iam despencar novamente.
 
"Droga, Oliver, qual é o seu problema?" ela murmurou enquanto desligava a TV. Sabia que ele se preocupava com a empresa ou não estaria tão nervoso por ter perdido o negócio. Ou talvez ele apenas detestasse perder.
 
Chloe não podia deixar de imaginar o que estava errado com ela. Ela não deveria se importar com o que acontecia com ele ou com a empresa. Já que ele não se importava. Mas mesmo sabendo que Lois estava certa, não ia desistir. Ela não era esse tipo de pessoa.

***

Oliver gemeu enquanto acordava. Sua cabeça estava latejando e seu corpo doía como se tivesse sido atropelado por um caminhão. Oliver se forçou a abrir os olhos, arrependendo-se instantaneamente quando viu o sol que invadia o quarto. Ele imediatamente fechou os olhos enquanto tentava se lembrar de onde estava. Abriu os olhos apenas o suficiente para ver o quarto. Não era um quarto de hotel, mas também não era seu quarto em Star Ciry. Oliver gemeu novamente e se forçou a sentar e olhar ao redor, os lençóis de seda caindo enquanto se movia.

Estava em Metrópolis, Oliver percebeu. Era a única cidade onde tinha uma propriedade e não precisava ficar em hotel. A cobertura tinha sido uma compra impulsiva num ano em que ficou na cidade por algumas semanas, sistematicamente roubando alguns empregados valiosos da LuthorCorp. O lugar se mostrara uma mão na roda, permitindo que chegasse e saísse da cidade sem que os Luthors soubessem que ele estava por perto. Eles eram a razão para que ele estivesse no Kansas novamente, mas desta vez, Oliver estava mais do que feliz em aparecer num evento Luthor.
 
Lionel Luthor estava morto.
 
Oliver estava em Monte Carlo quando soube da notícia e menos de duas horas depois estava num avião para Metrópolis. A causa oficial da morte foi anunciada como ataque cardíaco, mas Oliver duvidava que fosse o caso porque era fácil demais. Não demorou muito para surgirem os rumores de que a morte de Lionel era obra do poder ambicioso de Lex. Oliver tinha que admitir que era uma justiça kármica que Lionel tivesse feito um trabalho tão bom em criar Lex à sua semelhança a ponto do filho não ver mais necessidade na figura do pai.
 
Lex ainda conseguiu dar um show como o filho de luto no funeral, permanecendo ao lado do caixão do pai recebendo as outras pessoas em 'luto' e suas condolências. Oliver não ofereceu nenhuma enquanto olhava o corpo sem vida de Lionel e mal resistiu ao desejo de se inclinar e dizer que desejava que ele estivesse queimando no inferno.
 
Em vez disso, ele assentiu para Lex e deu um risinho quando o outro homem deu uma pausa no show que dava como 'vítima' e olhava feio para ele, embora a felicidade pela morte de Lionel fosse algo que os dois tinham em comum. Oliver ficou na capela pelo que decidiu ser uma quantidade respeitável de tempo e então foi para o Ace of Clubs para celebrar que o filho-da-mãe finalmente tenha tido o que merecia.
 
Sua cabeça começou a latejar novamente, arrancando-o de seus pensamentos e Oliver decidiu que a ressaca era outra coisa cuja culpa poderia atribuir a Lionel Luthor. Oliver empurrou o lençol e se levantou, espreguiçando-se para aliviar a dor muscular. Seus olhos caíram no frasco de comprimidos sobre o criado-mudo. Oliver pegou três e os jogou na boca, usando o que sobrara do uísque para engoli-los.
 
Oliver correu a mão pela nuca enquanto caminhava pelo quarto, franzindo a testa quando viu a trilha de roupas pelo chão, que o relembrou de que não havia voltado sozinho do clube. Oliver gemeu quando os detalhes começaram a voltar e se perguntou que diabos estava pensando em levá-la para casa. Ele mudou o caminho, indo até a cômoda pegar uma calça de moletom. O banho teria que esperar até que ela fosse embora.
 
Enquanto Oliver descia a escada espiral, gemeu novamente quando uma onda de náusea o atingiu. Talvez ele devesse ter checado que tipo de pílulas havia tomado. Oliver desceu o último degrau e parou por um momento, tentando recuperar o equilíbrio enquanto lutava contra o desejo de esvaziar o estômago. Ele não ouvia nada, mas mesmo no estado em que estava, sabia que ela não tinha ido embora. Ele entrou no escritório que ficava no fundo do apartamento e fez cara feia ao vê-la sentada atrás de sua mesa.
 
"Você se perdeu no caminho até o elevador? Posso te mostrar onde é", ele disse enquanto se recostava contra a porta.
 
"Bom dia, Raio de Sol. Você está horrível", Tess Mercer respondeu. "Acho que um café da manhã romântico não está na agenda. Uma pena", ela disse, a voz repleta de sarcasmo.
 
Oliver olhou ainda mais feio e ignorou a dor em sua cabeça. "Nós dois sabemos que romance nunca foi uma coisa nossa", pontuou. A noite anterior não havia sido a primeira em que acabavam na cama juntos e Oliver sabia que Tess nunca fazia nada sem motivos. Mas mesmo na primeira vez que aconteceu, sabia que não podia julgá-la; ele a havia seduzido simplesmente para tentar conseguir informações sobre um negócio.
 
Ele a tinha subestimado e a informação que ela lhe deu era falsa. Oliver a fez pagar alguns meses depois quando ela foi com ele para uma conferência em Londres. Ele soube imediatamente que ela queria uma informação e deixou uma proposta de trabalho alterada para ela encontrar. Eles não haviam se falado desde então, até ela se sentar em sua mesa no Ace of Clubs e pedir que ele lhe pagasse uma bebida para que pudessem brindar a morte de seu pai.
 
"Eu não guardo nada da empresa aqui e perdi meu laptop um mês atrás, então você está perdendo seu tempo e o meu", Oliver disse a ela. "Assim, se não há mais nada..." Ele parou de falar e gesticulou em direção ao elevador. 
 
Tess revirou os olhos e se levantou. "Na verdade, Oliver, pensei em honrar a ocasião e fazer algo legal para você." Ela se moveu na direção dele enquanto tirava um arquivo da bolsa e o empurrava contra seu peito. "Enquanto Lex estava apertando a mão de todo mundo e fingindo que não é um assassino frio e calculista, eu estava vasculhando o escritório de Lionel. Encontrei algo que pode ser de seu interesse."
 
Oliver franziu a testa enquanto pegava a pasta. "Que tipo de jogo é esse, Tess?" Ele sabia que ela jamais faria algo para ele se não houvesse alguma vantagem para ela.
 
"Eu já disse", Tess respondeu. Ela passou por ele, arrumando a bolsa no braço. "Não tenho certeza do que você pode fazer com essa informação, mas achei que você gostaria de saber a verdade." Ela parou e se virou para ele. "Tenho certeza de que Lex teria destruído, então, de nada", ela pontuou, seu tom claramente indicando que estava lhe fazendo um favor. "Te vejo por aí, Oliver."
 
Ele ouviu os saltos clicarem no chão e um minuto depois ouviu as portas do elevador se abrirem. Oliver voltou para a sala a tempo de vê-las se fechando. Ele foi até o painel de controle e digitou o código de segurança para ver se ela não estava voltando e então abriu a pasta em suas mãos, perguntando-se o que Tess achou que fosse tão importante a ponto de ele ficar lhe devendo um favor.
 
Oliver franziu a testa ao ver um artigo do Planeta Diário detalhando a morte de seus pais num desastre de avião. A dor familiar queimou em seu peito enquanto olhava as fotos da primeira página. Ele virou a página e viu que a seguinte era um tipo de relatório. Oliver olhou rapidamente e viu que era um relatório de voos pessoais. Listava todos os lugares para os quais seus pais tinham viajado no ano anterior ao do acidente aéreo. "Que diabos?" ele murmurou enquanto virava a página.
 
A página seguinte mostrava um certificado de inspeção do avião de seus pais. Oliver engoliu em seco quando viu a assinatura ao final da folha. Não era do mecânico pessoal de seu pai, mas um nome que ele não reconhecia. Oliver rapidamente virou a página e quase deixou a pasta cair quando viu a cópia de um cheque de valor alto que Lionel havia escrito para o mecânico. Entendendo o que aquilo significava, as mãos de Oliver tremeram enquanto ele se sentava no chão, recostando-se contra as portas do elevador.
 
Lionel havia pago alguém para sabotar o avião de seus pais. Ele era a razão para eles estarem mortos; a razão para Oliver ter crescido sozinho. Havia mais páginas no arquivo e Oliver se forçou a controlar as emoções enquanto continuava a virá-las. Desta vez, ele encontrou fotos de si mesmo em vários eventos de sua vida. Lionel havia, obviamente, o espionado, o que não era nenhuma surpresa. Ele estava prestes a fechar a pasta quando outro artigo chamou sua atenção; desta vez detalhando o acidente que tirou a vida de alguns de seus colegas após a graduação do colégio.
 
Era uma viagem em que Oliver deveria estar, mas ele decidira de última hora não ir. Ele ficou abalado quando soube do ocorrido e ficou agradecido por ter driblado a morte. Mas enquanto olhava para o artigo, Oliver começou a se perguntar se havia sido um acidente afinal. Tinha que haver uma razão para Lionel ter guardado o artigo na pasta junto com as informações sobre seus pais.
 
Ele teve sua resposta alguns segundos depois enquanto lia o artigo. O barco havia explodido no meio do oceano e o acidente foi atribuído ao mecânico que tirou a própria vida para não encarar as acusações. Oliver sentiu o sangue gelar quando viu o nome do homem. Aparentemente ele havia feito um trabalho tão bom sabotando o avião de seus pais que Lionel decidiu usá-lo novamente.  
 
A pasta caiu no chão enquanto Oliver corria as mãos pelo rosto. Lionel Luthor havia matado seus pais e tentou matá-lo. A mente de Oliver voltou ao dia do funeral de seus pais e à imagem de Lionel parado em sua frente, dizendo o quanto sentia muito e como seus pais eram boas pessoas. Eles eram rivais 'amigáveis'; era o que Lionel sempre dizia quando Oliver apresentava alguma atitude rebelde.  Mas nunca confiara nele, mesmo que ele tivesse sido amigo de seus pais. Agora sabia que estava certo em não confiar. Seus pais tinham confiado nele e perderam a vida por causa disso.
 
Oliver sabia bem. Não era seguro confiar em ninguém. Ali no chão, com as emoções tomando conta e o coração apertado, ele fez um voto silencioso de nunca mais ser estúpido ao ponto de voltar a confiar em alguém.
 
***
 
Chloe checou o rádio da polícia mais uma vez para garantir que não houvesse nada que precisasse alertar aos rapazes. Tirando alguns acidentes de carro devido à chuva, a noite estava calma. Ela fechou o computador, transferindo todos as informações para seu telefone antes de vestir o casaco e ajustar o capuz. Ela pegou a chave do carro na bolsa e saiu do loft, parando para trancar a porta antes de descer as escadas. Ela podia ouvir a chuva contra a lateral do prédio e considerou voltar para pegar o guarda-chuva, mas decidiu não voltar pois o carro estava a menos de um quarteirão de distância e ela iria direto para casa.

Ela abriu a porta e ficou instantaneamente molhada no segundo que pisou na calçada. Chloe puxou ainda mais o capuz sobre a cabeça antes de correr até o carro. Ela apertou o botão para destrancar a porta e segurou a maçaneta quando ouviu um gemido. Chloe automaticamente pegou o taser enquanto olhava ao redor procurando a fonte do barulho. Ela não viu ninguém e voltou a segurar a maçaneta quando mais uma vez ouviu um som alto, como o de alguém caindo.

Contra seu melhor julgamento, Chloe se afastou do carro para investigar. Ela manteve o taser na mão, ignorando a chuva que caía enquanto caminhava pela rua e via alguém apoiado contra um dos outros carros. "Você está bem?" ela perguntou. Chloe segurou o taser e a chave em uma mão enquanto pegava o celular com a outra, para pedir ajuda. Antes que tivesse a chance, o homem virou a cabeça em sua direção e Chloe arfou. "Oliver?" ela gritou.

"Ei, Chloe, legal te encontrar aqui", Oliver disse. Ele riu enquanto se recostava contra o carro, deixando os olhos se fecharem enquanto a chuva caía sobre ele.

"Oliver, que diabos você está fazendo?" Chloe perguntou. Ela se ajoelhou ao lado dele, segurou seus ombros e o sacudiu, forçando-o a abrir os olhos. Ela suspirou quando viu o olhar vidrado. "Você está bêbado ou drogado?" perguntou. "Não importa", ela disse antes que ele pudesse responder. A última coisa que precisava era que os tabloides o vissem daquele jeito; ela tinha muitos projetos encaminhados para arriscar.

"Levanta", Chloe ordenou. Ela puxou a mão dele enquanto se levantava, fazendo o melhor para ignorar a chuva que a ensopava até os ossos. "Oliver, eu não consigo te levantar sozinha, então você precisa se levantar antes que acabe dormindo." Ela puxou a mão dele novamente e ele gemeu, mas se levantou. Desequilibrado, ele se recostou contra o carro e Chloe contou até dez em sua cabeça enquanto pensava no que deveria fazer.

Chloe não fazia ideia do que ele estava fazendo naquela parte da cidade ou como havia chegado ali. Não viu um dos carros dele em nenhum lugar e ele havia demitido o motorista algumas semanas atrás quando voltara de Star City, após o funeral de Lionel Luthor. Oliver aparecera no escritório algumas vezes nas últimas três semanas e normalmente era para gritar sobre alguma coisa e então desaparecer de novo. Na última vez que o vira, ele estava gritando com AC no estacionamento e isso havia acontecido há uma semana.

"Chloe?" A voz de Oliver a arrancou de seus pensamentos e Chloe tirou o cabelo molhado do rosto para olhar para ele. "Está frio aqui", ele resmungou.

"Eu não consigo lidar com isso agora, Oliver." Chloe segurou a mão dele com mais força e o puxou com ela até seu carro. Ela abriu a porta do passageiro e gesticulou para que ele entrasse. "Eu vou te levar para casa e se você tem amor a vida, não vai dizer uma só palavra", alertou antes de fechar a porta e voltar para o assento do motorista.

Chloe ligou o carro e o ar condicionado no máximo. Ela viu Oliver tremer pelo canto do olho e apesar de também estar congelando, ignorou a vontade de ligar o aquecedor e se concentrou apenas em dirigir. Ela tinha milhares de perguntas para fazer, mas duvidava que ele estivesse em condições de responder, e estava muito nervosa para conversar e dirigir ao mesmo tempo. Ele parecia ter levado seu alerta a sério e não disse nada enquanto olhava pela janela.

Demorou quase vinte minutos até chegar ao prédio dele. Ela parou o carro na frente e olhou para ele, que não se moveu. Chloe suspirou de novo e desligou o carro. "Você não me paga pra isso." Ela checou o espelho para garantir que não havia nenhum carro vindo e abriu a porta, indo em seguida até a porta de Oliver. Ela olhou ao redor, esperando que não houvesse nenhum fotógrafo esperando por ele. "Vamos, Oliver."

Ele saiu do carro e não olhou para ela enquanto ia direto para o prédio.  Chloe mal resistiu ao desejo de jogar alguma coisa enquanto corria atrás dele, alcançando-o antes que ele entrasse no elevador. "Sério, Oliver?" ela exigiu enquanto apertava o botão da cobertura e digitava o código de acesso. "Você vai fingir que eu não te encontrei no chão, no meio da chuva? Você não pode estar tão bêbado!" gritou.

Oliver ergueu uma sobrancelha a ela. "Você me disse para não falar nada", respondeu e mais uma vez Chloe sentiu vontade de feri-lo fisicamente.

"Você é inacreditável, Oliver! Você desaparece durante meses e então volta e passa o tempo todo bêbado ou engolindo comprimidos como se fossem doces. O que aconteceu com você?" Chloe perguntou. Ela não entendia. Oliver sempre foi um pouco irresponsável, mas nunca o viu tão fora de controle. Lois continuava lhe dizendo que ele estava finalmente mostrando quem era e Chloe começava a achar que sua prima estava certa. Não era como se Oliver estivesse dando alguma razão que explicasse aquele comportamento ultrajante.

Ele ficou apenas olhando pra ela, sem dizer nada enquanto o elevador ascendia até a cobertura. Depois de outro longo momento, ele finalmente falou. "Ninguém te pediu para ser minha babá, Chloe."

Chloe balançou a cabeça, mandíbula travada. "Não, Oliver. Você me pediu para trabalhar pra você. Você ao menos se importa com a empresa atualmente?" perguntou. O elevador bipou e ela seguiu Oliver dentro da cobertura. Ele tropeçou e se apoiou na parede. "Você precisa de ajuda, Oliver."

"Eu preciso é de uma bebida", Oliver respondeu. Ele foi até o bar, tropeçando algumas vezes enquanto atravessava a sala. Pegou um uísque e o tomou direto da garrafa antes de se virar para Chloe. "Você já fez sua boa ação, Chloe. Agora some daqui e me deixa em paz. Eu não preciso de você. Eu não preciso de ninguém", disse com firmeza antes de voltar a beber da garrafa.

"Que bom, Oliver, porque você não tem mais ninguém", Chloe disparou. Se ele queria beber até morrer, não era problema seu. Ela estava ensopada e precisava ir pra casa, tomar um banho quente e vestir roupas secas, e fingir que aquela noite não havia acontecido. Ela se virou para sair e então parou, novamente irritada. "Droga, Oliver, por que você não fala comigo?"

Ela girou para encará-lo enquanto ele tomava outro gole do uísque. "Você se lembra do que me disse quando eu estava triste?" Chloe perguntou. Quando ele não respondeu, ela pressionou. "Você me disse que não era tão ruim quanto eu pensava. O que aconteceu com aquele cara, Oliver?" Ela apontou para ele, mandando água pela sala. "Porque este cara parado na minha frente não é uma pessoa que eu quero ter por perto."

Oliver olhou pra ela, sem dizer nada enquanto devolvia a garrafa ao bar. Chloe o viu tropeçar de novo e usar o bar para se apoiar. Ela o observou, esperando que ele disse ou fizesse alguma coisa que a provasse que ainda havia um cara decente por baixo daquele idiota mimado e egoísta. Mas ele não disse nada e ela suspirou.

"Certo", Chloe murmurou. "Durma e não volte ao escritório enquanto não estiver sóbrio", disse. "Eu cuido de tudo e mantenho a empresa funcionando. Tenha uma boa noite, Oliver", acrescentou antes de entrar no elevador, recusando-se a olhar para trás desta vez. Ela não podia ajudá-lo se ele não quisesse ajuda e estava cansada de tentar. Havia pessoas no mundo com problemas de verdade que precisavam da ajuda dela e Chloe ia se concentrar nelas. Oliver não se importava consigo mesmo, então por que ela deveria?

Ele ficou tentado a chamá-la, mas Oliver ficou apenas parado ali e a observou ir embora. Ele finalmente conseguiu deixá-la com raiva o suficiente para ter uma reação, mas ele não se sentia satisfeito. Até onde sabia, para Chloe ele era uma fraude e estava tudo bem. Ele não se importava com o que ela pensava. Não se importava com o que ninguém pensasse. Ele pegou o frasco de comprimidos do bolso, jogou alguns na mão e então os engoliu. Tudo o que queria era ficar entorpecido.

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Próxima História: GOT MY NAME AND GOT MY WEALTH

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2 comentários:

  1. Aah, pobre Oliver!!

    Eu simplesmente achei estes dois últimos capítulos perfeitos! Que maravilha conhecemos mais do verdeiro Oliver, porque no lugar da Chloe também adoraria dar uns cascudos nele kk, mas como, se lá no fundo ele também é o Ollie!?

    Amando ainda mais, Sofia!

    GIL

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    1. Exatamente. Ele sempre tem salvação!!! Que bom que está gostando, GIL!

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