1.2.18

Got Love For The People That Have Warned You (2/5)

 
 
Título: Ame As Pessoas Que Te Alertaram
Autora: ihearttvsnark
Banner: geek_or_unique
Resumo: Esta história acontece no mundo de Everybody Loves Me. É a segunda de uma sequência de cinco histórias anteriores aos eventos de Everybody Loves Me. Mostra a reunião de Chloe e Oliver para discutir sua proposta de emprego.
Classificação: PG-13


Chloe estava parada na cozinha, impacientemente batendo os dedos contra o balcão enquanto esperava o café ficar pronto. Normalmente, a cafeteira era programada e sempre havia café fresco esperando quando ela saía do chuveiro, mas aparentemente sua prima havia esquecido de colocar pó. Ela também havia esquecido de ligar e dizer que não ia voltar para casa na noite anterior.

Em vez disso, Chloe recebeu uma mensagem de texto de Lois quando estava chegando de sua estranha noite no clube, para avisá-la que ainda estava atrás da pista que recebera e que não era para esperá-la acordada. Chloe estava muito ocupada pensando em sua conversa com Oliver para ficar preocupada com Lois.

Ela havia trocado de roupa e imediatamente ido para o laptop pesquisar tudo que podia sobre Oliver e a Queen Industries. Demorou bastante tempo para vasculhar todas as fofocas dos tabloides e outras histórias pessoais sobre Oliver até chegar de fato a alguma notícia relacionada aos negócios. E a maioria das coisas ela já sabia. A empresa era uma das mais avançadas do mundo em matéria de tecnologia e apesar do estilo de vida, Oliver tinha a reputação de ser perspicaz e inovador quando se tratava de decisões empresariais. No entanto, para cada artigo que o elogiava havia mais dez o chamando de fraude.

A empresa estava indo muito bem e havia rumores de que Oliver planejava abrir uma nova divisão dentro de alguns meses. Chloe não conseguiu encontrar nada sobre onde seria a nova divisão ou se ao menos as informações sobre possíveis fusões com empresas asiáticas especializadas na fabricação de satélites eram verdadeiras. Mas de qualquer forma, ela não via de que maneira poderia contribuir com a empresa. Ela sabia mexer em computadores, mas isso não era de conhecimento público. Sua graduação era em comunicação. E claro, Oliver não sabia disso quando lhe oferecera o emprego.

Chloe mordeu o lábio enquanto olhava para o cartão que estava sobre o balcão, ao lado da bolsa. Ela tinha que admitir que havia uma parte sua que achava que a oferta de trabalho fazia parte de algum jogo. Mas sua curiosidade sempre vencia no final e era por isso que estava vestida em um de seus melhores ternos para a reunião das dez. Estava hesitante em chamar de entrevista de trabalho já que não sabia o que ele tinha em mente.

A cafeteira bipou, arrancando-a de seus pensamentos enquanto pegava a xícara do balcão. Chloe se serviu de café e se virou para pegar o creme no momento em que a porta do apartamento foi aberta e Lois entrou na sala, ainda no vestido que usara para ir ao clube. Seu cabelo estava uma bagunça e ela estava carregando os saltos, tentando passar despercebida. Lois arregalou os olhos quando viu Chloe e lhe deu sorriso envergonhado.

"Numa escala de um a dez, quanto você está brava comigo por te abandonar ontem?" ela perguntou enquanto jogava as coisas na mesa e fechava a porta.

"Depende de que parte da noite estamos falando", Chloe respondeu. Ela mexeu o café e se recostou contra o balcão, encontrando o olhar de Lois. "Se estamos falando das primeiras duas horas em que fiquei sozinha, provavelmente um cinco ou seis", ela disse. "Quando um idiota começou a dar em cima de mim e eu percebei que não havia levado meu taser, eu diria que bem próximo de dez, talvez até um onze", ela disse antes de tomar um longo gole do café.

Lois abriu a boca, mas Chloe ergueu a mão. "Não terminei." Ela deu um sorriso forçado. "O número na escala cai um pouco quando um Bom Samaritano foi gentil o bastante para me salvar, mas então o salvador acabou por ser Oliver Queen e ele claramente tinha um objetivo." Ela parou, dando a sua prima tempo para processar aquilo.

"Oliver Queen?" Lois repetiu. Ela arregalou os olhos ainda mais enquanto se sentava. "O bilionário playboy pé no saco foi quem te salvou do outro idiota?" ela disse incrédula. "Imagino o que ele queria em troca." Ela franziu o nariz. "Odeio aquele cara."

Chloe não ficou surpresa com a reação da prima. Lois tivera alguns encontros com Oliver desde que começou a trabalhar para a Gazeta e nenhum deles foi bom. Mais de um, na verdade, acabou com Oliver chamando a segurança e Lois prometendo fazer de sua vida um inferno. "Ele me ofereceu um emprego", disse casualmente.

"Ele o quê?" Lois praticamente gritou como se Chloe tivesse duas cabeças. "Que tipo de emprego?" Ela estreitou os olhos quando notou a roupa de Chloe. "Oh, meu Deus, você vai aceitar? Você não pode estar realmente pensando em trabalhar para aquele imbecil."

"Eu não tenho nenhuma outra oferta", Chloe pontuou enquanto dava de ombros. "Só vou até o escritório ouvir o que ele tem para me dizer." A verdade era que Chloe não fazia ideia se estava tomando a decisão certa, especialmente uma vez que uma parte sua questionava se Oliver estava falando sério. Até onde sabia, ela iria até lá e ele daria risada de sua cara. Mas Chloe não ia desistir. Mesmo que ele não estivesse falando sério sobre a oferta de emprego, não queria que ele pensasse que tinha ganhado qualquer que fosse o jogo que estivesse tramando.

Lois balançou a cabeça com firmeza. "Não é uma boa ideia, Chlo. Você não precisa trabalhar para alguém como ele. O cara é uma cobra e usa o charme e o dinheiro para fazer o que quer. Existem outros trabalhos por aí", ela disse.

"Isso é novidade pra mim, Lois", Chloe respondeu. Ela sabia que sua prima estava tentando cuidar dela, e agradecia, mas estava cansada de passar o dia inteiro procurando anúncios de emprego e terminar com uma pequena lista de empregos para os quais era super qualificada ou que só aceitaria se estivesse desesperada. "A Queen Industries é uma das maiores empresas do mundo e mesmo que Oliver seja uma cobra e um imbecil, ele ainda é o único que me ofereceu um emprego desde que nos mudamos", ela argumentou.

"Eu sei que você está chateada com isso, Chlo, mas eu realmente acho que isso é uma má ideia. Aquele cara ameaçou mandar me prender", Lois a relembrou.

Chloe ergueu uma sobrancelha. "Muitas pessoas ameaçam mandar te prender. Além do mais, você não está pensando grande. Se eu estiver trabalhando para Oliver, eu posso conseguir alguma entrevista exclusiva. Talvez possa até melhorar a relação entre vocês dois", ela pontuou.

Lois riu. "Você não faz milagres, prima. Eu não confio em Oliver Queen e você também não deveria." Ela se inclinou para a frente, descansando os cotovelos sobre o balcão enquanto encarava Chloe. "Se você aceitar este emprego, tem que me prometer que não vai se encantar por ele", ela disse.

"Tenha um pouco de fé em mim, Lo", Chloe respondeu. Ela revirou os olhos enquanto terminava o café e se virou para lavar a xícara na pia. "Se eu fosse o tipo de mulher que cai no charme de Oliver, estaria saindo do quarto dele agora e não indo para uma entrevista de emprego." Ela se virou para a prima. "Você se preocupa demais."

"Você é minha prima, é meu trabalho", Lois a relembrou. Ela estreitou os olhos enquanto via Chloe recolhendo suas coisas. "Apenas me prometa que será cuidadosa e se ele tentar alguma coisa estranha, você vai embora", ela disse.

Chloe revirou os olhos enquanto guardava o cartão de Oliver na bolsa e pegava as chaves. "Eu prometo. Agora vai dormir ou trabalhar ou fazer alguma coisa, pois alguém precisa pagar as contas por aqui", ela alertou.

Lois riu. "Você é quem vai para uma entrevista de emprego com um bilionário. Não deixe ele te subestimar", ela avisou.

"Te vejo mais tarde", Chloe disse. Ela saiu pela porta, fechando-a em seguida antes de Lois dar mais alguma sugestão. Chloe amava sua prima, mas Lois tinha uma opinião tendenciosa sobre Oliver e Chloe queria decidir sozinha sobre o emprego, deduzindo que de fato houvesse um emprego. Ela estava realmente feliz que não tivesse dado todos os detalhes a Lois sobre sua noite ou jamais deixaria de ouvir sobre o assunto.

Vinte minutos depois, Chloe entrou no hall da Queen Industries e percebeu que não fazia ideia de onde deveria ir. O prédio era um dos mais altos - e bonitos - da cidade e enquanto seus saltos clicavam sobre o chão de mármore se perguntou que diabos estava fazendo. Chloe não conseguia se ver trabalhando num lugar como aquele para alguém como Oliver. Mas manteve a cabeça erguida enquanto ia até a recepção que ficava na frente dos elevadores e deu a mulher que ali estava um sorriso amigável. Ela havia ido até ali e precisava ver o que ia acontecer.

"Oi, eu sei que isso vai soar estranho, mas tenho uma entrevista com o Sr. Queen e não tenho certeza de para onde devo ir", Chloe admitiu. Ela tentou não se encolher ao quanto sua história parecia ridícula. Não ficaria surpresa se a recepcionista pensasse que ela era uma repórter ou outra pessoa que não tinha nenhum motivo para estar no prédio. Ela certamente não parecia como alguém procurando emprego.

Mas a mulher não questionou a história de Chloe. Em vez disso, apontou por sobre o ombro para os elevadores. "Peque o elevador executivo até o último andar", ela instruiu. "Sr. Queen estará no escritório dele."

Chloe não acreditou na facilidade de tudo e abriu a boca para questionar a mulher, mas o telefone do balcão tocou e ela atendeu, dando total atenção a chamada. Com um dar de ombros, Chloe foi até os elevadores e seguiu as instruções. O elevador ascendeu até o septuagésimo quinto andar e Chloe se encontrou num pequeno corredor. Ela passou por um enorme sala de conferência e foi até o escritório ao lado. Lá havia uma mesa ao lado de um das paredes e uma pequena área de espera à esquerda. Depois da mesa, Chloe viu uma porta fechada que assumiu ser do escritório de Oliver.

Talvez sua assistente estivesse doente naquele dia ou algo assim. Chloe olhou para o relógio e eram quase dez horas. Ela mordeu o lábio por um momento, mais uma vez imaginando se tudo aquilo era uma grande brincadeira. Mas era tarde demais para voltar atrás. Ela foi até a porta fechada e bateu uma vez. Alguns segundos depois, ela ouviu a voz de Oliver mandando-a entrar.

"Isto é estranho", Chloe murmurou para si mesma. Mas ela abriu a porta e entrou no escritório de Oliver antes que pudesse mudar de ideia. A sala era definitivamente maior que o apartamento que dividia com Lois. Havia um sofá, duas cadeiras e uma mesa perto da porta do escritório e janelas que iam do chão ao teto em toda a parede do fundo. A mesa de Oliver ficava na frente e havia duas cadeiras na frente dela. Uma parede estava repleta de prateleiras e havia duas portas ao lado que ele deduzia levar a um banheiro e provavelmente um closet.

Oliver não olhou pra cima enquanto ela cruzava o escritório e parava desajeitadamente em frente a sua mesa. Chloe considerou tossir para chamar a atenção e então decidiu uma estratégia diferente. "Você sabe como seria fácil alguém entrar aqui e te matar? Bilionários famosos não deveriam ter uma segurança melhor?" perguntou.

Ele deu um risinho a isso, finalmente parando o que estava fazendo e olhando para cima. "Bem ver você também, Chloe", Oliver disse enquanto se recostava na cadeira e gesticulava para que ela se sentasse. "O que você mudaria na segurança?" ele perguntou.

"Primeiro, a recepcionista deveria ser mais alerta", Chloe respondeu enquanto se sentava e cruzava as pernas. "Ela mal me olhou quando disse a ela que tinha uma reunião com você e eu nem sabia para onde deveria ir. Ela me deu as instruções e então atendeu uma ligação. Não havia guardas perto dos elevadores ou na entrada e deduzo que sua assistente esteja doente, mas mesmo que ela tenha ido buscar um café em outro andar, eu entrei direto."

Oliver assentiu pensativo. "Há três guardas no hall e faz parte do trabalho deles não serem vistos. Há outro guarda cujo único trabalho é monitorar as câmeras de segurança dos elevadores e se houvesse qualquer tipo de ameaça, ele jamais teria autorizado o acesso a este andar. A recepcionista deve ser amigável, mas ela tem um botão embaixo da mesa para alertar a segurança se alguém parecer ameaçador." O risinho dele aumentou ao encontrar o olhar de Chloe. "Desculpe se você pensou errado."

Ela desejou que suas bochechas não estivessem vermelhas. Chloe se orgulhava de ser observadora e ela não conseguiu ser porque estava muito ocupada pensando se deveria estar ali. A voz de Lois ecoou em sua cabeça sobre ela não dever confiar em Oliver e ela mentalmente mandou sua prima se calar. "Bem, por mais que a conversa esteja agradável, talvez devêssemos ir direto ao ponto." Chloe deu a Oliver um sorriso sem graça. "Você mencionou uma oportunidade de emprego."

"Eu mencionei", Oliver concordou. Ele se inclinou para a frente, juntando as mãos sobre a mesa. "Imagino que você tenha chegado bem em sua casa e nenhum outro idiota tenha cruzado seu caminho."

"Nenhum depois do que me ofereceu um emprego", Chloe respondeu alegremente. "Ainda estou esperando para saber os detalhes antes de decidir se preciso usar meu taser."

Oliver riu. "Ok, você não gosta de bate-papo. Entendi", ele disse. "Bem, entendo que se está aqui é porque está interessada no trabalho." Ele pegou uma pasta do canto de sua mesa e entregou a ela. "Aqui estão os benefícios dos quais você perguntou ontem." Ele curvou os lábios num risinho e Chloe revirou os olhos, estendendo a mão para pegar a pasta. "Salário, férias, plano de saúde, plano de aposentadoria e opções de ações", ele disse enquanto entregava a ela. "Pode olhar com calma."

Chloe abriu a pasta e foi preciso todo seu autocontrole para não ficar boquiaberta com a proposta de salário. Era praticamente cinco vezes mais o quanto ela havia pagado pelos quatro anos de faculdade e sem falar nos outros benefícios. Ela correu os olhos pelo documento, tentando encontrar a parte que dizia que tudo aquilo era uma pegadinha, porque tinha que ser. Empregos assim simplesmente não caiam do céu.

Ela percebeu que essa era sua resposta. Oliver ainda tinha que lhe dizer qual era o trabalho ou porque pensou que ela ia querer. Chloe se forçou a parar de imaginar todo o equipamento que poderia comprar com o primeiro pagamento e fechou a pasta, fazendo o melhor para manter a expressão neutra quando voltou a olhar para Oliver. "Acho que seria um bom momento para você me dizer quais as exigências do trabalho", ela sugeriu.

Oliver se recostou contra o assento, estudando-a por um momento sem dizer nada. "Você não facilita as coisas, não é? Eu esperava pelo menos um sorriso quando você viu o salário, mas já deveria ter imaginado. Obviamente você não é do tipo que se impressiona por dinheiro ou já estaríamos tendo uma conversa diferente esta manhã", ele disse.

Chloe simplesmente ergueu uma sobrancelha, recusando-se a entrar na brincadeira. "Estaríamos tendo uma conversa de fato ou sua assistente  já teria me colocado para fora?" ela perguntou casualmente.

"Touché", Oliver respondeu. Ele riu e balançou a cabeça, observando-a com atenção. "É bom que você pense tão bem de mim. Você não me parece do tipo que lê tabloides, mas a Gazeta não é exatamente muito melhor. Como está Lois?" Ele perguntou.

Ela não pode deixar de ficar boquiaberta a isso. Chloe havia planejado mencionar sua conexão com Lois se - e apenas se - ela decidisse aceitar o trabalho misterioso que ele estava lhe oferecendo. Não esperava que ele já soubesse disso. Por um breve momento, Chloe se perguntou se ele já sabia antes do encontro no clube e tudo era um jogo para que ele pudesse chegar até sua prima. Ela ignorou o pensamento imediatamente porque não fazia nenhum sentido. Oliver pagava pessoas para fazerem os repórteres sumirem; ele não conversava com suas primas em clubes e então oferecia um emprego com uma proposta escandalosa de salário.

"Você está se perguntando como eu sei que você e Lois são primas e moram juntas", Oliver disse antes que Chloe tivesse a chance de perguntar. "As pessoas não me dão crédito suficiente, Chloe. Eu posso ser impulsivo, mas não sou burro. Eu fiz uma ligação da limusine e um dos meus investigadores me entregou uma pasta sobre você quando cheguei em casa", explicou.

"Acho que nós dois fizemos nossa lição de casa, Sr. Queen", Chloe respondeu. Ela sabia que a maioria das pessoas provavelmente ficaria ofendida, mas ela tinha que admitir que estava aliviada que Oliver tivesse feito isso. Pela primeira vez desde que se sentara em seu escritório, começava a achar que ele estava falando sério sobre a oferta de emprego. "Minha prima não é exatamente sua fã", ela foi direta. "Isso será um problema?"

Oliver deu um risinho. "Eu não sou fã dela. Ela é intrometida e irritante e não sabe quando fechar a boca. Mas não quero ela trabalhando pra mim. Quero você", ele disse. Ele correu os olhos por ela antes de voltar a encontrar seu olhar e ergueu a sobrancelha sugestivamente. "Interessada?" ele perguntou.

Chloe revirou os olhos. "Achei que tivesse deixado bem claro que tenho zero interesse em ser seu último escândalo. Estou curiosa, Sr. Queen, seu departamento de RH tem um panfleto ou algo assim sobre assédio sexual no local de trabalho? Acho que você precisa de um curso de atualização." Ela estava tendo dificuldade em decifrá-lo e não tinha certeza se ele estava flertando ou se estava só mexendo com sua cabeça. De qualquer maneira, não ia dar a ele a satisfação de ficar nervosa.

"Relaxa, Chloe", Oliver respondeu. "Eu só estava garantindo que você não tenha mudado de ideia porque ao contrário do que sua prima escreve sobre mim, eu não durmo com pessoas que trabalham pra mim. Então, assim que você assinar na linha pontilhada..." Ele parou de falar e deu a ela um sorriso presunçoso.

"Uau", Chloe murmurou. "Como você consegue passar o ego pela porta toda manhã?" Ela revirou os olhos de novo. "Entendi seu ponto, Oliver. Agora você vai me dizer do que se trata o trabalho ou eu tenho que adivinhar?" perguntou impaciente. Era óbvio que ele gostava do som da própria voz, mas Chloe não queria que ele pensasse que podia simplesmente desperdiçar seu tempo.

"Eu quero que você seja minha assistente executiva", Oliver respondeu. "A posição está vaga há mais de um mês e o departamento de RH que você mencionou recebeu muitos currículos. Eu devo ter olhado uns quinhentos. Eu quero você", ele disse novamente. Mas desta vez, não havia tom de flerte em sua voz e sua expressão estava muito séria.

Ela abriu a boca mais uma vez e ficou simplesmente olhando para ele, muito chocada para dar qualquer tipo de resposta. O salário certamente fazia mais sentido agora que sabia que não era qualificada para esse tipo de trabalho. Assistentes executivos de CEOs bilionários normalmente são especializados na área de negócios e possuem anos de experiência. Ela havia trabalhado numa cafeteria enquanto estava no colégio e fez alguns estágios enquanto estava na faculdade, mas nada parecido com aquilo. Ela podia ver Oliver a observando e se forçou a fechar a boca e se controlar.

"Por que eu?" ela perguntou simplesmente. Chloe já estava relembrando toda a conversa que havia  tido no clube enquanto tentava responder a própria pergunta. Oliver obviamente tinha falado deste trabalho quando lhe deu o cartão. Ela não conseguia entender porque. Ele não sabia que ela era relacionada a Lois e não sabia nada sobre sua formação ou experiência. Nada naquela oferta fazia sentido.

"Instinto", Oliver respondeu. Ele se inclinou para a frente, descansando as mãos sobre a mesa novamente enquanto olhava para ela. "Você não gosta de mim e está tudo bem. Eu não preciso que você goste de mim. Eu preciso que você faça um bom trabalho - ou melhor - um excelente trabalho e acho que você é o tipo de pessoa que vai fazer isso apesar de como se sente sobre mim." Ele parou e o risinho familiar voltou ao seu rosto. "Alguns dias você provavelmente vai me detestar e tudo bem. Eu preciso de alguém que não vai ceder e não dói que você não pareça ter problema algum em dizer o que está pensando."

Chloe franziu a testa. "Deixe eu ver se entendi", ela disse. "Você basicamente quer que eu trabalhe para você porque eu não gosto de você e não vou ter problema em dizer quando acho que você está sendo um idiota?" perguntou. Por mais confuso que soasse, Chloe tinha que admitir que fazia sentido. Oliver deveria estar acostumado a estar rodeado de pessoas que faziam o que ele queria e embora ela tivesse certeza que seu ego se alimentasse disso, não era bom para os negócios. Mas isso não mudava o fato de que ela tinha acabado de sair da faculdade e não tinha nenhuma experiência naquilo.

"Em resumo, sim", Oliver respondeu. "Olha, Chloe, eu sei que você se formou há alguns meses e não foi em administração e sei que você não tem um diploma prestigiado, mas você pode honestamente me dizer que não consegue dar conta deste trabalho?"

Ela notou o tom de desafio na pergunta. "Você está me incitando a aceitar o emprego, Sr. Queen. Achei que estava falando sério", Chloe argumentou.

"Estou falando sério", Oliver confirmou. "Não vai ser fácil e as horas de trabalho serão imprevisíveis. Vou precisar de sua total discrição, mas mais do que isso, vou precisar que você trabalhe duro e me prove que tomei a decisão certa. Não que eu duvide disso", ele acrescentou convencido.

Chloe revirou os olhos. Sua arrogância era irritante e o pensamento de lidar com ele diariamente realmente não era animador. Mas ela não podia negar que ele estava lhe oferecendo uma oportunidade incrível. Havia tantas coisas que ela queria fazer, mas não podia porque não tinha o fundo necessário. Aquele emprego lhe daria a chance de fazer isso e muito mais. Valeria a pena lidar com Oliver se com isso pudesse fazer algum bem para o mundo.

Ela podia sentir o olhar dele e soube que ele queria uma resposta. Logicamente, Chloe pensou em dizer que precisava de mais tempo para pensar. Mas os dois sabiam que ela já tinha tomado a decisão ou não estaria ali ainda. Ela decidiu não enrolar mais.

"Espero que você saiba que minha opinião sobre você não vai mudar e também espero que você saiba que eu não tenho controle algum sobre minha prima e não vou impedi-la de escrever algo negativo sobre você", Chloe o alertou.

Oliver assentiu. "Espero que você saiba que se eu tiver que mandar prender sua prima isso não pode afetar nossa relação de trabalho." Ele lhe deu um sorriso.

"É justo", Chloe respondeu. Ela hesitou, se perguntou mais uma vez que diabos estava fazendo e então estendeu a mão para ele. "Eu aceito."

Oliver sorriu enquanto apertava a mão dela. "Bem-vinda a Queen Industries, Chloe."

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Próxima história: YOU DON'T HAVE TO MAKE A SOUND

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2 comentários:

  1. Mesmo sendo outro universo e sabendo que tanto a Au Chloe quanto o Au Oliver tem suas próprias personalidades e suas próprias experiências, que diferem de suas contrapartes, mesmo assim eles ainda tem muito da Chloe e do Oliver...amo isso!! *-*

    GIL

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    Respostas
    1. Sim!!!! Também amo isso!!! Não tem como eles não ficarem juntos...

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