21.7.22

All The Right Moves (2/10 - Parte 1)

 
 
Autora: ihearttvsnark
Resumo: Esta é a sequência de Everybody Loves Me. Quando Oliver volta do outro universo, ele percebe que quer o tipo de vida que o outro Oliver tem. Chloe está determinada a ajudá-lo a se tornar o homem que ela sabe que ele pode ser, mas não é uma tarefa fácil para nenhum dos dois.
Classificação: NC-17
 

 

 
CAPÍTULO 2 - OS AMIGOS CERTOS NOS LUGARES ERRADOS
 


Chloe reprimiu um bocejo enquanto saía do elevador, parando para tomar um gole de seu café. Era o quarto desde que saíra da cama e não parecia ser suficiente para acordá-la. Havia ficado no centro de comando até as três da madrugada guiando Victor em uma complicada missão. Recentemente havia encontrado uma nova maneira de enviar mensagens diretamente para o sistema interno dele, permitindo-o responder sem ter que parar o que estava fazendo, e havia testado o esquema pela primeira vez na última noite. Parecia ter dado certo e aliviou alguns de seus medos em mandar os rapazes a campo sem apoio. Mas de alguma maneira, ainda não sentia como se estivesse fazendo tudo que era possível para ajudá-los.

Afastando os pensamentos, Chloe tomou outro gole do café enquanto caminhava pelo corredor, sabendo que precisava colocar o cérebro em modo de trabalho porque havia muita coisa a ser feita naquele dia. Ela arregalou os olhos quando viu a porta do escritório aberta e a luz já acesa. Correu para dentro do escritório mas o loiro que encontrou lá dentro não era quem esperava.

"Bom dia, AC", Chloe disse, dando um pequeno sorriso enquanto ia para sua mesa. "O que está fazendo aqui tão cedo?" perguntou.

"Oi, Chloe", ele respondeu, colocando as mãos nos bolsos enquanto forçava um sorriso. "Imagino que você não saiba do Sr. Queen."

Chloe balançou a cabeça. A última vez que o vira foi na noite em que o encontrou caído na cobertura. Isso havia acontecido um mês atrás. Desde então, Oliver parou de ir ao escritório, não atendeu mais o telefone e até onde Chloe sabia, ninguém tinha notícias dele. Ela monitorava os tabloides diariamente, mas não havia nenhuma menção a ele; era como se tivesse desaparecido completamente e ela não podia deixar de se culpar.

Talvez tivesse sido muito dura. Oliver obviamente não estava pronto para mudar se havia voltado aos antigos hábitos tão rápido após admitir que queria algo mais em sua vida. Chloe sabia que o tinha pressionado em vez de ajudá-lo como havia prometido, gritou com ele e basicamente o chamou de inútil. Mas não sabia mais o que fazer. Nunca imaginou que ele fosse simplesmente desaparecer.

Chloe interrompeu o pensamento e voltou a se concentrar em AC, notando que ele parecia desconfortável. "Posso ajudar com alguma coisa?" ela perguntou.

"Só estou em dúvida se devo procurar outro emprego", AC admitiu. "A empresa ainda está me pagando, mas obviamente estou sem nada para fazer já que Oliver não está aqui e eu não sei, essa é minha única experiência como guarda-costas. Acabei me dedicando a este emprego e não quero parecer mal agradecido, mas não sei o que fazer." Sua voz parou e ele olhou incerto para Chloe.

Ela não sabia o que dizer a ele. Chloe não fazia ideia de quando Oliver iria voltar ou se estava planejando voltar. Mas ela não queria que AC procurasse outro emprego; egoísta, não queria correr o risco dele ir embora de Star City. Chloe não sabia se tinha o direito de pedir que ele ficasse, especialmente porque não podia ser honesta em relação a seus verdadeiros motivos.

"Sinto muito", Chloe disse. "Gostaria de saber o que Oliver está pensando ou onde ele está, mas não faço ideia. Eu entendo se você preferir ir embora, mas talvez você possa esperar um pouco mais. Se estiver entediado, eu posso tentar encontrar uma função diferente para você na empresa", ofereceu, desejando que isso o tranquilizasse.

AC assentiu e lhe deu um sorriso. "Eu acho que é uma boa ideia, Chloe. Não é que eu esteja entediado; só preciso fazer alguma coisa. Estou me sentindo um pouco inútil", disse a ela.

"Eu entendo", Chloe respondeu. Ela se voltou para o computador, logando-se no sistema e abrindo a tela dos recursos humanos. Ela vasculhou as vagas de emprego, mordendo o canto do lábio enquanto pensava onde poderia encaixar AC. Seus olhos arregalaram um pouco quando encontrou a solução perfeita. "Você conhece Victor Stone no departamento tecnológico?" ela perguntou, olhando para AC.

"Claro, já o vi algumas vezes. Mas não entendo muito de computadores", AC admitiu.

Chloe balançou a cabeça. "Não importa. Victor está trabalhando num projeto grande e toda ajuda é bem-vinda." Ela já estava abrindo o e-mail e clicando no ícone para começar uma nova mensagem enquanto falava. "Eu vou avisar ao Victor que estou mandando você. Se não for do seu interesse, volte aqui e tentamos encontrar outra coisa", ela disse.

O sorriso de AC aumentou. "Obrigado, Chloe. Vou descer lá agora." Ele acenou com a mão e então saiu do escritório. Chloe suspirou aliviada enquanto o observava ir embora, desejando que o arranjo durasse. Talvez se Victor e AC se conhecessem, pudessem perceber que tinham muito em comum.

Ela voltou a atenção para o computador, analisando os e-mails para ver o que era prioridade. Pessoas estavam começando a ficar ansiosas sobre o paradeiro de Oliver e ela não sabia quanto tempo mais conseguiria enrolá-los. Até o momento as ações estavam estáveis, mas sabia que isso não duraria se Oliver não estivesse de volta para a reunião trimestral.

Chloe suspirou novamente e voltou ao trabalho. Dez minutos depois, ela estava no meio de um longo e-mail quando ouviu os saltos contra o chão e soube sem precisar olhar quem estava do outro lado da mesa.

"Agora não é uma boa hora", Chloe disse. Ela digitou o resto do e-mail, enviou e olhou de lado para Tess. Podia ver que a outra mulher estava agitada com alguma coisa e Chloe não estava com humor para seja lá o que fosse.

"Oh, você vai querer arrumar tempo", Tess respondeu. Ela jogou um envelope sobre a mesa de Chloe antes de cruzar os braços sobre o peito enquanto esperava pela atenção dela.

Chloe lutou contra o desejo de revirar os olhos enquanto olhava para o envelope, um olhar tedioso no rosto quando encontrou o olhar irritado de Tess. A mulher estava com um humor pior desde que Oliver desaparecera, mas além de checar se ele estava no escritório no primeiro dia desde o desaparecimento, Tess não falara com Chloe, o que era um alívio. Ela deduziu que o que estivesse no envelope deveria ser importante para ela quebrar o silêncio auto imposto.

"Eu deveria saber o que é isto?" ela perguntou, ainda começando a abrir o envelope. Chloe não ia dar a Tess a satisfação de pensar que ela se importava com o que quer que fosse, embora estivesse curiosa.

Tess revirou os olhos. "Chega de teatro, Chloe. Você conseguiu o que queria. Francamente, estou surpresa que você não tenha chamado a segurança para me expulsar do prédio ainda", respondeu secamente.

Chloe ergueu uma sobrancelha às palavras, perguntando-se porque Tess diria algo assim. Chloe não podia negar que gostava da ideia de Tess ser posta para fora da empresa, mas não era como se tivesse esse tipo de poder. Tess ainda era esposa de Oliver, mesmo que fosse de mentira. "Tess, eu não sei você, mas eu realmente  tenho coisas pra fazer. Por que você não me diz o que é?" sugeriu.

"Você realmente não sabe, não é?" Tess riu, mas sem humor. "Talvez você não conheça Oliver tão bem quanto imagina." Ela estendeu a mão e empurrou o envelope na direção de Chloe. "São nossos papeis de divórcio. Oliver me mandou por um mensageiro e me disse que meus serviços não são mais necessários aqui."

Chloe não teve como esconder o choque, boquiaberta ela olhou para Tess. Oliver havia mandado os papeis do divórcio e a demitido? A mente de Chloe mal conseguia processar as perguntas que surgiam em sua mente. Isso significava que Oliver estava voltando? Havia entrado em contato com Tess além de dizer que ela estava fora de sua vida? Ele estava tomando um decisão racional em terminar o casamento falso, isso significava que ele estava bem? Todo esse tempo, Chloe imaginava Oliver perdido entre álcool e drogas. Era possível que ele estivesse de fato reconstruindo sua vida?

Ela mentalmente se repreendeu por tirar conclusões precipitadas. A única coisa que ela tinha certeza era que Oliver era esperto o suficiente para tirar Tess de suas vidas. Ela fechou a boca, fazendo o melhor para recuperar a expressão de tédio. "Bem, não espere que sinta sua falta", Chloe disse enquanto olhava novamente para o envelope. "Por que você me trouxe esses papeis?"

Tess olhou feio. "Eu deduzi que você soubesse onde Oliver está se escondendo, mas estou começando a repensar", admitiu. Um riso frio cruzou seu rosto enquanto olhava para Chloe. "Qual o problema, Chloe? Você e meu marido se desentenderam? Que pena", ela zombou.

Chloe revirou os olhos, devolvendo o sorriso frio de Tess. "Ex-marido", respondeu animadamente enquanto pegava o envelope e o guardava na gaveta. "O que você vai fazer agora, Tess? Lex te deserdou, Oliver pediu o divórcio... sobrou algum bilionário para te rejeitar?"

"Eu realmente não sei porque você está tão alegre", Tess disparou. Ela descansou as palmas na mesa, inclinando-se para a frente, olhos estreitos. "Não é como se Oliver fosse olhar para você agora que nos divorciamos. Ele nunca vai querê-la, Chloe."

"Diz a mulher que se casou de mentira", Chloe responde. Ela deu um risinho ao choque no rosto de Tess. "Isso mesmo; Oliver me contou", ela disse, decidindo que não importava que tivesse sido um Oliver diferente a lhe contar. "Mais alguma coisa, Tess? Posso chamar a segurança se você quiser."

Tess balançou a cabeça. "Vocês se merecem. Ele vai arruinar sua vida, Chloe. A única coisa que Oliver Queen sabe fazer direito é falhar", ela disparou antes de se virar para ir embora.

"Até onde eu sei, foi você quem falhou. Tenha um bom dia, Tess", Chloe respondeu. Tess parou, mas não se virou. Enquanto ela ia até o elevador, Chloe pegou o telefone e ligou para o escritório da segurança. Quando o chefe atendeu, Chloe disse que assim que Tess saísse do prédio todas as suas permissões fossem revogadas.

Chloe desligou o telefone e se voltou para o e-mail, abrindo outra nova mensagem de Victor. Ela deduziu que as coisas estavam indo bem com AC pois ele não havia voltado. Ela avisou a Victor que Tess não estava mais na empresa e perguntou se ele podia cuidar das senhas e autorizações. Menos de um minuto depois, Victor respondeu e garantiu que já havia atendido seu pedido. Satisfeita, Chloe abriu a gaveta e pegou o envelope, tirando os papeis de dentro.

Oliver assinara e datara os papeis dois dias antes e Tess acrescentou sua assinatura naquele dia. Chloe mordeu o lábio antes de olhar as páginas até ver o nome do cartório usado por Oliver para autenticar sua assinatura. Ela abriu uma nova tela de busca no computador e digitou o nome, esperando para ver onde o cartório ficava. Menos de dez segundos depois, a tela mudou, mostrando o endereço do cartório.

"Metrópolis", Chloe leu. Ela arregalou os olhos. "Oliver, o que você está fazendo em Metrópolis?"

***

Clark agarrou o ladrão e o afastou da janela por onde ele tentava abrir; arremessando-o para o outro lado do beco. O homem gemeu enquanto atingia o chão. Clark correu para seu lado e menos de um segundo depois, o homem estava amarrado e sentado na calçada em frente a loja que tentara roubar. Clark usou o celular do homem para mandar uma mensagem para a polícia e então o jogou na calçada.

"Impressionante."

Ele gelou quando ouviu a voz em suas costas e se preparou para correr quando percebeu que a voz era familiar. Se virou lentamente e arregalou os olhos quando viu Oliver parado atrás dele, braços cruzados sobre o peito enquanto o observava com um sorriso forçado. "O que você está fazendo aqui?" Clark perguntou, confuso.

"Eu estava na vizinhança", Oliver respondeu. Isso era parcialmente verdade, mas não achava que ali era o melhor lugar para aquela conversa. Ele apontou por sobre o ombro para a Torre do Relógio que ficava alguns quarteirões a leste. "Pode passar lá quando terminar com suas atividades noturnas? Gostaria de falar com você. Por favor", acrescentou enquanto o outro homem continuava a encará-lo.

Clark assentiu. "Claro", disse incerto enquanto se perguntava o que Oliver poderia querer conversar com ele. Depois que Oliver deixara a fazenda com Lois e Chloe, Clark não esperava voltar a ver qualquer um deles. "Daqui a pouco passo lá."

"Ótimo", Oliver respondeu. Ele deu outro sorriso antes de se virar, deslizar as mãos nos bolsos e se afastar. Não podia culpar Clark por estar confuso. Oliver mal havia trocado duas palavras com ele após toda a revelação alienígena, mas na época ficou em choque. Agora sentia que estava pensando com clareza pela primeira vez em anos e que precisava agir.

Quase uma hora se passou antes de Oliver ouvir o elevador. Foi até a sala principal do apartamento quando as portas se abriram e Clark hesitou antes de sair do elevador. "Ei", disse. "Desculpe a demora, mas houve uma tentativa de roubo a banco."

Oliver ergueu uma sobrancelha. "É o terceiro esta semana", comentou enquanto ia até o bar se servir de uma dose de uísque. "Os bandidos já deveriam saber que serão pegos pelo Borrão." Ele serviu um segundo copo e o estendeu para Clark. "Álcool tem algum efeito em você?" perguntou enquanto apontava para o sofá.

Clark balançou a cabeça enquanto aceitava a bebida, mas permaneceu em pé. Estava ainda mais confuso agora que não parecia uma coincidência que Oliver o tivesse encontrado. "Não afeta. Não sabia que você estava na cidade ou que estava por dentro das estatísticas."

"Estou meio sob o radar", Oliver disse. Ele se sentou no braço de uma cadeira e apontou para o sofá novamente. "Não tomarei muito do seu tempo. Só queria fazer algumas perguntas." Tinha mais do que algumas perguntas, mas tinha a sensação de que deveria pegar leve. Para um cara com super poderes, Clark parecia muito nervoso em se sentar e tomar uma bebida com ele.

"Lois e Chloe estão com você?" Clark perguntou quando finalmente se sentou. Ele tomou um pequeno gole da bebida, fez uma careta e descansou o copo sobre a mesa.

"Não, estou sozinho", Oliver respondeu. "Lois e eu somos tão amigos quanto você e ela são, e não falei com Chloe desde que saí de Star City." Seu peito apertou ao lembrar da noite em sua cobertura. Mas não era hora de pensar nisso, tinha muito o que fazer. Agora, precisava explicar a Clark porque o havia procurado.

"Hoje não foi a primeira vez que o vi trabalhar desde que cheguei. Estou monitorando o rádio da polícia e passando algum tempo em bairros perigosos." Isso era o mínimo que poderia ser dito. Oliver sempre vivera confortável graças a seu dinheiro, mas realmente não fazia ideia de como as coisas estavam ruins no mundo. Estava começando a entender porque Chloe queria tanto ajudar as pessoas.

Clark franziu a testa e o olhar incerto retornou a seu rosto. Embora as pessoas que salvara tivessem compartilhado histórias sobre 'O Borrão' com repórteres, Clark estava desconfortável em saber que suas patrulhas podiam ser observadas tão de perto. Se perguntou como alguém como Oliver havia conseguido se esconder tão bem nas sombras. Clark percebeu que ele deveria ter notado. "Você está me seguindo?" perguntou.

"Sim, isso soou mais assustador dito dessa forma", Oliver admitiu envergonhado e tomou outro gole de sua bebida. Tinha mais ou menos seguido Clark, mas só porque queria ver um vigilante em ação e ele era o único que Oliver conhecia fora de Star City. "Eu queria ver como você 'salvava as pessoas'. Obviamente sua velocidade e força ajudam muito. Também notei que você aparece antes da polícia. Como isso funciona?"

"Eu escuto coisas que outras pessoas não conseguem", Clark repetiu. "Faço patrulhas noturnas e escuto as pessoas pedindo socorro ou escuto sons de acidentes ou de alarmes e vidros quebrando." Deu de ombros. "Não é perfeito e não posso estar em todos os lugares ao mesmo tempo, mas tento fazer o que posso." Ele parou, observando Oliver por um momento. "Está considerando uma vida dupla como o outro Oliver?" perguntou.

Oliver automaticamente ficou tenso ao ser comparado com o outro Oliver, embora a ideia fosse precisa. "Não sou ele", respondeu, parando para terminar a bebida. "Meus motivos não são completamente altruístas. Alguns podem dizer que não são nada altruístas, mas faz diferença?" perguntou. Seu tom era sarcástico, mas a pergunta era séria. Oliver observou Clark, esperando que ele falasse alguma coisa.

"Eu não sei", Clark respondeu pensativo. Não sabia se existia alguém completamente altruísta, incluindo ele. Mas se Oliver queria ajudar as pessoas, achava bom e isso seria melhor do que o homem que Lois e Chloe haviam descrito para ele. Mesmo agora, Oliver parecia diferente daquele dia. Ele parecia um pouco perdido, mas havia algo mais; um senso de esperança que Clark podia ver que ele não sabia o que fazer com ela.

"Pelo que entendi o outro Oliver não foi sempre um vigilante. Ele mencionou que algum acontecimento o fez querer mudar de vida", Clark comentou. Deduziu que essa experiência do Oliver do outro universo tenha sido a responsável pela mudança.

"Sim, acho que tive uma epifania também", Oliver murmurou. Ele considerou se servir de mais uma bebida e decidiu contra. Estava tentando não beber demais. A última conversa que tivera com Chloe não saía de sua cabeça. "Acho que você sabe sobre toda a história de Arqueiro Verde do outro Oliver." Ele se levantou e sinalizou para que Clark o seguisse.

"Meu pai me ensinou quando eu era criança, mas faz tempo desde que peguei em um arco." Ele puxou a manga da blusa e mostrou a Clark alguns machucados feitos pela corda. "Estou ficando melhor", assegurou enquanto levava Clark a sua sala de treino.

Clark olhou ao redor do equipamento que preenchia a sala. Em adição aos pesos, aparelhos de ginástica e sacos de boxe, havia alguns alvos na parede do fundo e alguns arcos e flechas alinhados numa prateleira. "Parece que você andou ocupado", comentou, incerto de porque Oliver estava lhe mostrando a sala.

"Andei", Oliver respondeu. Ele passara o último mês fazendo pequenas coisas além de treinar e desenhar o equipamento que ia precisar. "Você deve estar se perguntando porque eu o trouxe aqui", disse, notando a expressão confusa de Clark. Oliver não sabia se Clark tinha outra expressão além daquela e a de irritação com Lois.

"Você precisa da minha ajuda?" Clark perguntou. Não tinha certeza do que Oliver queria com ele; não que pensasse que pudesse ser de grande ajuda. Clark sempre trabalhou sozinho e preferia continuar assim e não ter que se preocupar com pessoas se machucando por sua causa.

Oliver assentiu. "Não há muito que eu possa treinar sozinho. Eu poderia contratar alguém para me ajudar mas correria o risco de tudo acabar nos tabloides. Tenho certeza que você entende como seria um problema se as pessoas descobrissem que estou passando todo o tempo treinando com arco e flecha", disse. Oliver sabia que o segredo era grande parte da operação que Chloe tinha e não queria sua reputação estragando tudo para ela ou qualquer outra pessoa. Se ia fazer isso, ninguém fora do pequeno círculo poderia saber sua real identidade.

Clark hesitou enquanto olhava o equipamento novamente. "Não sei bem como posso ajudar. Não treino e não quero correr o risco de feri-lo." Tinha consciência de sua força e o treinamento que fizera com Jor-El o havia disciplinado, então sabia como controlar, mas não queria correr riscos.

"Não estou sugerindo luta braçal", Oliver disse, divertindo-se. "Estou falando mais em simulações baseadas nas experiências que você teve. Você já faz isso há algum tempo, certo?" Ele ergueu uma sobrancelha para Clark e o outro homem assentiu. "Eu sei que Chloe tem trabalhado com os rapazes em missões e sabe o que tem lá fora, mas não é a mesma coisa de quem participa diretamente da ação."

Mais uma vez, Oliver estava apenas dizendo a Clark parte da verdade. Oliver não duvidava que Chloe pudesse ajudá-lo. Mas ele queria mostrar a Chloe que era capaz; que não era uma causa perdida e que ainda valia a pena, assumindo que não destruísse tudo na primeira tentativa. Oliver tinha muito o que fazer para convencê-la e queria que ela visse que estava disposto a fazer o que fosse preciso, incluindo se humilhar e pedir ajuda de alguém que mal conhecia. Para variar, não ia deixar o orgulho estragar as coisas.

"Eu te ajudo", Clark concordou. Ele ainda não sabia muito com o que podia ajudar, mas podia ver que era importante para Oliver. "Quando começamos?"

***

Lois batia o pé impacientemente enquanto observava os números do elevador até chegar ao último andar da Queen Industries. Demorou quase vinte minutos até convencer Bart a deixá-la acessar a entrada de serviço. Finalmente o prometeu um encontro com sua prima, algo que Chloe não ia gostar, mas Lois não se importava. Talvez se ela fosse para casa de vez em quando, Lois não tivesse que adotar medidas desesperadas para vê-la.

As portas do elevador se abriram e Lois atravessou o corredor, esperando que a segurança pulasse em cima dela. É o que aconteceria se passasse pela entrada principal. Aparentemente não importava que Oliver tivesse sumido do planeta, ele ainda a tinha na lista de banidos do prédio. Ele era um saco.

Ela virou no corredor, marchando para dentro do escritório e parando abruptamente na mesa de sua prima. Chloe estava tão concentrada no que estava fazendo que não pareceu perceber que havia outra pessoa na sala. Lois cruzou os braços sobre o peito e olhou feio para a prima. "O que é tão importante que você não presta atenção nos arredores?" perguntou. "Você não era assim, Chlo. E se fosse um maluco com uma arma?"

"Eu ouvi seus passos saindo do elevador", Chloe respondeu sem tirar os olhos do computador. Ninguém atravessava um corredor como Lois Lane. Chloe finalizou a digitação da proposta, salvou e fechou o documento antes de se virar para a prima com um sorriso forçado. "E aí, Lo? Como você passou pela segurança?" acrescentou.

"Bart me deixou passar pela entrada de serviço", Lois respondeu. Ela deu a volta na mesa de Chloe. "Eu disse a ele que ia conversar com você sobre a possibilidade de um jantar com ele." Ela ergueu a mão quando viu Chloe abrir a boca. "Você deveria considerar, prima. Precisa sair desse escritório e voltar para a vida real."

Chloe revirou os olhos. "Queria que você não tivesse feito isso. Bart é um cara legal e não quero enganá-lo. Você sabe que não o vejo desse jeito." Ela ignorou tudo mais que Lois havia dito e voltou sua atenção para o computador. "Você estava passando ou precisa de alguma coisa?" perguntou.

Lois suspirou. Sua prima era ridiculamente teimosa. Mas ela também era e Lois fingiu que tudo estava normal. Não sabia o que havia acontecido entre Chloe e Oliver antes dele sumir, mas havia deixado Chloe no modo de trabalho total. Lois não sabia o que sua prima estava tentando provar, mas não a via muito ultimamente.

"Eu vim te resgatar do auto imposto exílio e te levar de volta para o mundo real", Lois respondeu. "Não vou assistir você morrer de trabalhar, Chloe. Por que não desliga por uma noite, jantamos, tomamos um vinho e assistimos um filme?" sugeriu.

"Podemos fazer isso no fim de semana", Chloe respondeu. Sabia que sua prima tinha boas intenções, mas estava muito ocupada. Assim que terminasse no escritório, queria ficar no centro de comando por algumas horas e pesquisar uma possível nova gangue que ouvira estar tentando se infiltrar na cidade.

"Chloe, é fim de semana. Hoje é sexta", Lois disse. Ela balançou a cabeça quando viu a óbvia surpresa no rosto de sua prima. "É disso que estou falando. Desde quando Chloe Sullivan não sabe que dia é?" Ela colocou uma mão no ombro de Chloe, balançando-a gentilmente. "Você precisa parar um pouco. Ele não vale a pena", disse.

"Não é sobre Oliver", Chloe respondeu, afastando-se do alcance de sua prima. Chloe mordeu o lábio, concentrando-se na parede atrás de Lois. "Quer dizer, a ausência dele aumenta minha carga de trabalho, mas é isso. Estou ocupada aqui e estou ocupada em meu outro trabalho."

Lois revirou os olhos. "Eu não sei quem você acha que está enganando, mas não sou eu", declarou. "Chloe, eu entendo. Passamos aquele tempo todo com o outro Oliver e ele era heroico e não era um idiota, mas o Oliver que conhecemos é", continuou. "Eu sei que você quer acreditar no contrário, mas você precisa encarar os fatos, prima. Oliver Queen é um caso perdido."

"Ninguém é um caso perdido, Lois", Chloe respondeu. Ela realmente não queria brigar com sua prima por causa de Oliver. Sabia que Lois achava que ela estava desperdiçando tempo; vinha lhe dizendo isso desde que aceitara trabalhar com Oliver, mas Lois não o conhecia como ela. Ela via o lado bom dele e acreditou quando ele lhe disse que queria fazer mais.

"Você tem razão", Lois concordou. "Ninguém é um caso perdido, mas isso não significa que Oliver vai mudar só porque existe uma versão melhor dele num universo diferente. Eu sei que você acha que é seu trabalho consertá-lo, mas não é", garantiu. Lois gostava de ver o bem nas pessoas também, mas era mais realista. "Oliver é muito egoísta para mudar."

O peito de Chloe apertou ao pensar nas coisas horríveis que havia dito a Oliver na última vez que o viu. Cada palavra era verdadeira, mas havia deixado a raiva tomar conta e isso só piorou a situação. Ela odiava que Oliver se recusasse a confiar nela. Queria ajudá-lo e pensou que tivesse conseguido. Era difícil acreditar que o homem que apareceu em seu centro de comando e o homem que havia ligado bêbado eram a mesma pessoa.

"Ele se divorciou de Tess", Chloe pontuou, finalmente encontrando o olhar de sua prima. Já havia contado a ela sobre a conversa com Tess. "Ele está mudando, Lois. Só que está fazendo do jeito dele." Chloe vinha tentando descobrir o que ele estava fazendo em Metrópolis ou se ainda estava lá, mas não havia descoberto nada. Oliver obviamente não queria ser encontrado. Só esperava que ele estivesse bem.

Lois revirou os olhos. "Só porque Oliver se livrou da falsa esposa não significa que ele vai se tornar uma pessoa boa", concluiu. Lois realmente não entendia porque Chloe estava tão determinada a defender Oliver quando tudo que o cara fazia era desapontá-la. "Ele se deu ao trabalho de te ligar e dizer onde está?" perguntou.

"Não", Chloe respondeu, tentando não ficar irritada. Sabia que não valia a pena continuar a conversa porque iam continuar andando em círculos. "Por que você não vai pra casa e eu prometo que tomamos vinho e assistimos um filme amanhã? Passaremos o dia todo juntas", ela disse, desejando que a prima aceitasse a proposta.

"Passaremos o dia juntas nem que eu tenha que te amarrar ao sofá", Lois disse. Sabia que Chloe estava apenas tentando acalmá-la e mudar de assunto, mas não ia desistir fácil. "Tem alguma coisa que você não está me contando?" perguntou. "Desde nosso pequeno fiasco no universo alternativo, você está diferente. Eu perdi alguma coisa?" Seus instintos lhe diziam que o que estava acontecendo com Chloe tinha a ver com saber que havia um universo alternativo onde diferentes versões deles interagiam.

Chloe fez o melhor para disfarçar sua expressão. Nunca contou a Lois o que Oliver lhe contara sobre ela ser a única pessoa capaz de alcançar Oliver. Também não contara a outra coisa que ele disse; a coisa na qual passava a maior parte do tempo pensando e se recusando a aceitar. Chloe não sabia como Lois reagiria a primeira parte e nem morta contaria sobre a outra parte.

"Aquela experiência toda apenas abriu meus olhos", disse cuidadosamente. "De acordo com aquele Oliver, eles formam um time. Ele fez soar como se fosse uma coisa boa. Seria tão ruim querer isso aqui?" perguntou.

"Claro que não", Lois respondeu. Seu rosto se suavizou e segurou a mão de Chloe. "Mas você não precisa de Oliver para isso. Você já está trabalhando com Victor, Bart e AC. Apenas diga a eles quem você é e então decidam o que fazer em seguida. Se você realmente quer outro herói para sua coleção, sempre pode chamar o Fazendeiro", pontuou.

Chloe ergueu uma sobrancelha a isso. Não era a primeira vez que sua prima mencionava Clark desde que voltaram a Star City. Ela vinha fazendo piadas com fazendeiros e ainda reclamava da pizza que nunca chegaram a pedir naquela vez. "Sabe, eu tenho o telefone do Clark se você quiser." Deixou sua voz no ar enquanto observava a prima com atenção.

Lois bufou. "Por que eu ia querer o telefone do Fazendeiro? Não há a mínima chance de nos tornarmos amigos nem nada." Ela fez uma cara feia à ideia. "Só porque a outra Lois está caidinha por ele, não significa que eu tenho que fazer o mesmo. Eles são pessoas diferentes, Chloe." Ela foi até a porta, parando para olhar para a prima. "Não tente mudar os planos para amanhã."

"Não mudarei", Chloe prometeu. Ela levantou o dedo mínimo em sinal de promessa e Lois deu risada, balançando a cabeça enquanto ia para o elevador. Chloe se recostou na cadeira, as palavras de sua prima ecoando em sua cabeça.

Eles são pessoas diferentes.

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PARTE 2

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Um comentário:

  1. Que saudades daqui e de você, Sofia! Que linda, obrigada por resgatar esse cantinho!!

    GIL

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