8.6.19

All The Right Moves (1/10)

 
 
Autora: ihearttvsnark
Resumo: Esta é a sequência de Everybody Loves Me. Quando Oliver volta do outro universo, ele percebe que quer o tipo de vida que o outro Oliver tem. Chloe está determinada a ajudá-lo a se tornar o homem que ela sabe que ele pode ser, mas não é uma tarefa fácil para nenhum dos dois.
Classificação: NC-17
 

 


 
CAPÍTULO 1 - IMAGINE O LUGAR PERFEITO
 
 
 
Oliver Queen não tinha ideia do que estava acontecendo.

Num minuto, ele estava amarrado a uma cadeira, vestido em couro verde, discutindo com o chefe de seu departamento de tecnologia e no seguinte, seu mundo inteiro sumiu de debaixo de seus pés. Ele fechou os olhos com força, seu estômago revirando enquanto o corpo começava a girar cada vez mais rápido. O movimento parou abruptamente e Oliver se encontrou parado num lugar que não conhecia. Ele olhou para baixo, notou que o couro verde havia sido substituído por uma calça preta e uma blusa de agasalho e então caiu em seguida.

Ele gemeu enquanto se apoiava nas mãos, protegendo o rosto do encontro com o chão. Desorientado, Oliver olhou ao redor do lugar, um quarto, e franziu a testa quando viu os tênis de alguém e uma calça jeans. Oliver olhou para cima, seu coração martelando contra o peito quando viu um homem estranho olhando para ele. Oliver abriu a boca e imediatamente a fechou quando percebeu que na verdade já havia visto o homem antes.

Oliver tomou um momento para se orientar antes de tentar se levantar. Seu estômago ainda estava revirando e havia uma boa chance de que fosse vomitar. Ele se concentrou no homem em sua frente; o mesmo homem que havia entrado no lugar onde estava sendo mantido preso mais cedo e ignorou seus pedidos de ajuda. Exceto que aquele homem estava usando uma camisa e gravata e estava em sua frente junto aos outros pouco antes de tudo começar a girar. "Quem é você?" ele perguntou desconfiado.

"Clark Kent e eu sei que você deve ter um monte de perguntas e realmente não entende o que acabou de acontecer, mas precisamos sair daqui", ele disse enquanto olhava nervosamente na direção da porta do quarto.

"Onde estamos?" Oliver perguntou, gemendo novamente enquanto se levantava do chão. Desequilibrado, ele se apoiou em uma parede enquanto o quarto voltava a girar. Fechando os olhos, ele respirou fundo, fazendo o melhor para encontrar o equilíbrio. Quando Clark não respondeu, ele abriu os olhos. "Você vai apenas me ignorar? Onde estamos?" ele repetiu.

"Estamos no quarto de Lex Luthor e ele deve acordar a qualquer momento. Eu disse ao outro Oliver que eu levaria você de volta até Chloe. Precisamos ir", Clark insistiu. Ele deu um passo a frente, mas Oliver se afastou, uma expressão desconfiada no rosto.

"Por que diabos estamos no quarto de Lex?" Oliver olhou feio ao redor do quarto, notando todas as fotos de Lex penduradas na parede e sobre a cômoda. Ele encontrou o olhar de Clark enquanto registrava as outras palavras. "Você falou de outro Oliver." Ele deixou a frase no ar e pela primeira vez desde que havia acordado num sofá vestindo couro verde, Oliver estava começando a acreditar que tudo havia sido verdade e que havia mais do que um Oliver Queen.

Clark assentiu. "Ele ficou preso neste mundo e você foi mandado para o dele. Lex tinha a caixa espelhada que ele precisava para te trazer de volta. Por isso ele e eu invadimos este local e ele me pediu para te levar de volta até Chloe. Por favor, Oliver, podemos responder todas as suas perguntas assim que sairmos daqui", ele disse.

Oliver hesitou. A coisa toda parecia pura maluquice, mas ele não podia negar que fazia algum tipo de sentido. De que outra maneira poderia explicar o que estava acontecendo com ele? Havia sido transportado de um lugar a outro sem que ninguém fisicamente o tocasse, e daquela vez, estava consciente, então teria que riscar a opção de que tudo fosse sintoma de uma ressaca ou um plano de sua mulher contra ele.

Ele não confiava nenhum pouco em Tess, mas Oliver sabia sem dúvida nenhuma que ela jamais envolveria Lex em qualquer um de seus esquemas. O irmão era a única pessoa que Tess odiava mais do que odiava Oliver. Mas a ideia de viajar por diferentes universos não era exatamente uma alternativa lógica, embora de fato explicasse porque todo mundo lhe dizia que ele não era o Oliver que conheciam e que não eram as pessoas que ele conhecia. "Chloe", ele disse enquanto encontrava o olhar de Clark, notando novamente que o homem parecia extremamente nervoso.

"Você disse que precisava me levar de volta até Chloe. Você está falando da Chloe que conheço, da que trabalha para mim?" ele perguntou. O coração de Oliver estava começando a bater mais forte enquanto esperava pela resposta. Se toda aquela história de dois universos fosse real, isso significava que Chloe nunca havia lhe traído. Ela ainda estava do seu lado.

Clark assentiu. "Sim, ela está esperando em minha casa, com Lois. Elas trouxeram o outro Oliver para mim porque ele sabia que eu podia ajudar. Não conhecia vocês antes delas aparecerem em minha porta esta manhã."

"Então tudo isso é real", Oliver murmurou, sem saber se estava falando com Clark ou sozinho. Aquelas pessoas que o haviam amarrado numa cadeira para impedi-lo de fugir estavam lhe dizendo a verdade; ele havia sido transportado para outro universo, um universo onde Oliver Queen era amigo das pessoas que trabalhavam pra ele e de Lois, e aparentemente do tal Clark que estava parado em sua frente. Oliver sentiu o estômago girar de novo, mas sabia que não tinha nada a ver com o enjoo da viagem entre os universos.

"Oliver", Clark começou. Ele hesitou, olhando para a porta novamente e então se moveu para a frente rapidamente, segurando Oliver e saindo dali em alta velocidade antes que o outro homem tivesse a chance de abrir a boca.

***

"Por que você acha que está demorando tanto?" Lois perguntou enquanto andava pela sala, parando mais uma vez em frente a lareira para olhar as fotos da família Kent dispostas ali. "Você acha que funcionou ou que foram pegos?" Ela olhou para Chloe por sobre o ombro. "E se Clark voltar com outro Oliver diferente? Isso mereceria o prêmio de esquisitice do século."

Chloe ignorou as perguntas da prima, assim como havia ignorado as mais de cinquenta perguntas que Lois havia feito nos últimos dez minutos. Chloe sabia que era o jeito de Lois de lidar com o nervosismo; era a mesma razão pela qual ela estava andando pela sala desde que haviam chegado na fazenda. Mas Chloe tinha muito no que pensar para ter tempo de acalmar Lois.

Ela não fazia ideia do que esperar quando Clark trouxesse Oliver de volta. Sabia que ele estaria bem fisicamente porque não importa o quanto fosse irritante, sabia que os amigos do outro Oliver eram boas pessoas e não o machucariam. Mas não tinha certeza do que tudo aquilo causaria em seu estado mental. Não era preciso muita coisa para deixar Oliver perdido e a última coisa de que precisavam era que ele voltasse às drogas, especialmente quando já estava casado com uma mulher em quem não podiam confiar.

Claro, Tess não era o problema naquele momento e Chloe não tinha certeza de porque sua mente havia se concentrado nisso. Ela mordeu o canto do lábio e se perguntou porque se dava ao trabalho de mentir para si mesma. Sua mente havia se concentrado nisso porque não havia conseguido parar de pensar no que o outro Oliver havia dito sobre este Oliver ser a pessoa com quem ela deveria estar. O conceito era ridículo. Ela mal tolerava Oliver como chefe e nem podia imaginar tê-lo como amigo, imagine então...

Chloe balançou a cabeça, recusando-se a pensar nisso. Oliver estava apenas chateado e sentindo falta de sua Chloe, então acabou sendo tomado por ideias românticas. Não significava que isso teria que acontecer com eles ou que ao menos fosse possível. O Oliver que ela conhecia certamente não pensava nela daquela maneira. Talvez na noite em que se conheceram, mas ela duvidava que romance estivesse na mente dele e Chloe estava disposta a apostar que essa ideia nem passou pela cabeça dele desde que ela começara a trabalhar para ele.

De qualquer forma não importava porque nunca pensou em Oliver daquela maneira e nunca iria pensar. Ele não era sua alma gêmea; ela não acreditava em almas gêmeas, era muito prática para isso e toda essa linha de pensamento era uma perda de tempo. Ela assentiu com a cabeça, satisfeita que tivesse tirado isso de seu sistema e se concentrou no outro conselho que Oliver lhe dera antes de partir.

Ele disse a ela que Oliver precisava de ajuda para se tornar a pessoa que ele precisava ser e que ela era a única pessoa a quem ele daria ouvidos. Chloe não estava completamente convencida, mas sabia que o outro Oliver estava certo. Oliver lhe ouvia e considerava sua opinião. Talvez ela pudesse ajudá-lo, deduzindo que ele quisesse ser ajudado e Chloe sabia que era uma grande dedução. Oliver era teimoso e ela não ficaria surpresa se ele simplesmente decidisse fingir que aquilo tudo não havia acontecido.

"Você acha que tem alguma pizzaria que entregue aqui?" Lois perguntou, interrompendo os pensamentos de Chloe. Ela apontou para a cozinha. "Vou ver se encontro o telefone de alguma ou de outro lugar onde o Fazendeiro peça comida."

Chloe suspirou. "Lois, não vamos pedir pizza. Clark deve estar de volta logo com Oliver e acho que você já se sentiu em casa demais. E, por favor, pare de chamá-lo de 'Fazendeiro' quando ele está fazendo tudo para nos ajudar", acrescentou.

Lois revirou os olhos enquanto se sentava no braço da cadeira, cruzando os braços sobre o peito e dando um olhar petulante. "Ele é um super-herói, prima. É o trabalho dele" ela a relembrou. Menos de dez segundos depois, Lois se levantou e voltou a andar pela sala. "Então você acha que Oliver conheceu as outras versões de nós?" ela perguntou. "Lois parecia ser bem legal."

"Engraçado você mencionar isto", Chloe comentou. "Oliver me disse que em seu mundo, Lois e Clark estão noivos." Ela deu um sorriso quando viu a prima boquiaberta. "O que você acha disso?" perguntou em tom provocativo. "Você se vê vivendo numa fazenda no meio do nada como a Sra. Clark Kent?"

Lois abriu e fechou a boca algumas vezes e Chloe tentou não dar risada. Ela podia praticamente ver a cabeça da prima explodindo. Lois estreitou os olhos. "E você, prima?" ela perguntou enquanto curvava os lábios num risinho. "Você se vê feliz para sempre com Oliver Queen?"

O sorriso de Chloe desapareceu e enquanto abria a boca para se defender, uma rajada de vento atravessou a sala seguida de um gemido. Chloe piscou, surpresa em ver Oliver de repente sentado no sofá e Clark parado ao lado, parecendo desconfortável. Chloe engoliu em seco, o olhar indo de Lois e Clark para Oliver. "Oliver?" perguntou incerta.

"Estou começando a duvidar", Oliver murmurou. Ele se inclinou para a frente, colocando a cabeça entre os joelhos e respirando fundo algumas vezes. "Não tenho certeza se isso foi melhor ou pior do que ficar girando."

"Você correu até aqui?" Lois perguntou. "Você acha que é realmente uma boa opção confiar neste aí para guardar seu segredo, Fazendeiro?" Ela apontou para Oliver enquanto erguia uma sobrancelha para Clark.

Os dois homens olharam feio para ela, mas Clark falou primeiro. "O que eu deveria fazer? Lex quase nos pegou e eu tive que apagá-lo com um vaso. Não podia arriscar que ele acordasse e nos encontrasse ali." Ele deu de ombros e mandou um olhar desamparado para Chloe.

"Tudo bem", Chloe disse enquanto lhe dava um pequeno sorriso. Ela não fazia ideia se estava tudo bem ou não, mas não sabia o que mais poderia dizer. Ela se voltou para Oliver, mordendo o lábio enquanto pensava no que deveria dizer a ele. "Você sabe o que aconteceu?" ela perguntou depois do que pareceu uma eternidade de silêncio.

Oliver parou de olhar feio para Lois e se voltou para Chloe. Ele podia ver que ela parecia preocupada, mas também nervosa. Por um breve momento, se perguntou novamente se tudo aquilo era um plano elaborado, mas sabia que isso não fazia sentido. Chloe nunca se colocou contra ele no passado e não via razão para ela decidir fazer isso agora. Ele sentiu uma ponta de culpa por ter pensado o pior, mas Oliver racionalizou que isso não contava uma vez que estava lidando com outra versão de Chloe quando a acusou de tê-lo traído.

"Aparentemente, eu viajei para outro universo, conheci algumas pessoas que se parecem exatamente com as pessoas que eu conheço, e então, de alguma maneira, acabei no quarto de Lex e trazido pra cá em segundos", ele acrescentou enquanto olhava para Clark. Oliver não iria embora enquanto não soubesse exatamente como o outro homem havia feito aquilo.

Chloe assentiu. "O Oliver do outro universo acabou aqui e me contou o que aconteceu." Ela mordeu o lábio, hesitante ao olhar para Clark. Eles não teriam conseguido sem a ajuda dele, e ela se sentia mal por ele ser forçado a compartilhar seu segredo com Oliver. Mas quando Clark assentiu, Chloe rapidamente contou a Oliver sobre a caixa espelhada e a tecnologia alienígena que o permitia se transportar pelos universos.

"Alienígena", Oliver repetiu. Se Chloe tivesse lhe contado no dia anterior que um alienígena existia na forma de um homem com super força e velocidade, ele provavelmente teria dado risada e talvez a acusado de estar usando drogas. Mas depois de tudo que havia passado, Oliver sabia que não tinha outra escolha a não ser acreditar. "Ok", ele disse enquanto corria a mão pelo rosto, fazendo uma careta quando encontrou o machucado em sua bochecha.

Lois ergueu uma sobrancelha, não acostumada a ver Oliver sendo tão receptivo. Ela se perguntou quanto tempo demoraria para ele voltar a ser o idiota de sempre. "O que aconteceu com seu rosto?" ela perguntou curiosa.

"Lois." Ele olhou feio para ela, irritado que ela parecesse estar se divertindo. "Bem, a outra Lois." Aparentemente todas as versões existiam para irritá-lo o máximo possível.

"Ela te bateu?" Lois sorriu. "Eu sabia que gostava dela. Eu disse que ela era esperta, prima", disse, ignorando Oliver que continuava olhando feio para ela.

Chloe mandou um olhar de alerta na direção de Lois, silenciosamente pedindo que ela pegasse leve com Oliver. "Clark, você tem uma bolsa de gelo?" perguntou. Chloe não duvidava de que Oliver havia dito ou feito algo para merecer que a outra Lois o batesse, mas não havia razão para rir da situação. Ela ainda tinha muitas perguntas e sabia que Oliver não responderia se estivesse nervoso. "O que mais aconteceu?" perguntou enquanto Clark ia até a cozinha, voltando logo com a bolsa de gelo que ela havia pedido.

Oliver pegou a bolsa de gelo e a colocou contra a bochecha. "Eles me amarraram a uma cadeira e eu estava usando uma roupa de couro verde estranha. Não sei exatamente o que o outro Oliver faz, mas ele gosta de flechas. Havia também uma besta, mas eles pegaram de mim depois que tentei atirar naquele garoto irritante da correspondência." Ele arregalou os olhos. "Ele também era muito rápido. Ele é seu irmão alienígena ou algo assim?"

Clark franziu a testa confuso. "Não tenho nenhum irmão. Sou o último do meu povo", ele explicou. "Vocês realmente conhecem alguém tão rápido quanto eu?" perguntou enquanto olhava de um para o outro.

"Sim", Chloe admitiu. Ela não queria fazer isso, mas não tinham muita escolha uma vez que Oliver vira a outra versão de Bart usando a velocidade. "Bart é o homem mais rápido do planeta, provavelmente até mais rápido que você", ela disse a Clark quando viu o olhar duvidoso no rosto dele. "Mas ele não é alienígena. Só possui uma habilidade super-humana."

Lois estendeu o braço e deu um tapinha no ombro de Clark. "Não fique triste, Fazendeiro. Ele pode ser rápido, mas é mais baixo que você", ela disse.

Clark olhou feio. "Nossa, obrigado. Eu não estava com ciúmes; só curioso", respondeu defensivamente. "Eu nunca conheci pessoas com poderes." Ele parou. "Bem, eu tenho poderes, mas eles vieram de um meteoro e foi meio que um acidente."

"AC e Victor também possuem poderes, certo?" Oliver perguntou, voltando a atenção novamente para si. "Eles estavam no pequeno clube com suas contrapartes e Bart." Ele não podia acreditar que tudo isso estava acontecendo bem debaixo de seu nariz e nunca havia percebido. Mas Chloe sabia. Podia ver no rosto dela. "Você trabalha com eles como a outra Chloe?" perguntou.

"Mais ou menos, mas eles não sabem sobre mim. Na verdade é uma longa história", Chloe acrescentou. Ela estava desconfortável em falar sobre aquilo, especialmente porque não fazia ideia do que Oliver iria fazer com a informação. Sabia que tudo aquilo era muita informação pra ele e não queria sobrecarregá-lo ainda mais.

Oliver não disse nada enquanto tentava controlar o humor. Não gostava que Chloe o tivesse propositalmente deixado no escuro. Ela claramente não confiava nele e sabia que não podia culpá-la. Ele a havia decepcionado vezes demais e essa coisa de super-herói devia ser algo sério pra ela. "E Oliver? Ele tem algum poder que eu fiquei sem?" ele perguntou.

Chloe balançou a cabeça. "Ele escolheu ser o Arqueiro Verde, mas não tem nenhuma habilidade super-humana. Ele só está tentando fazer sua parte para ajudar", ela explicou.

"Em outras palavras, ele não desperdiça o tempo usando drogas e dormindo com tudo que se mexe", Lois pontuou. "Pena que você não o tenha conhecido. Talvez tivesse aprendido alguma coisa sobre ser uma pessoa decente."

"Lois", Chloe disse, exasperada. Ela amava sua prima e sabia o quanto ela odiava Oliver, mas aquele não era o momento. "Talvez você devesse ver com Clark a possibilidade daquela pizza", sugeriu.

"Bem pensado, prima", Lois disse antes de se virar para Clark com um enorme sorriso no rosto. "O que você me diz, Fazendeiro? Tem alguma pizzaria decente por aqui ou você precisa ir buscar em algum lugar muito longe?"

Oliver fez uma careta. Agora ele entendia porque Bart ficou falando sobre a pizza de Chicago e então apareceu com uma menos de vinte minutos depois. "Espera um minuto", ele disse ao se lembrar de outra coisa. "Nós estávamos na casa de Lex que fica em Smallville. Mas quando eu estava no outro universo, Chloe me disse que estávamos em Metrópolis. Onde estamos agora e por que vocês duas não estão em Star City?" perguntou.

"Estamos em Smallville", Chloe respondeu. "Viemos para cá em seu jatinho com o outro Oliver para ajudá-lo e te trazer de volta." Ela fez uma careta quando percebeu que sua frase demonstrava que trazê-lo de volta era algo secundário. Era a verdade, mas Chloe imaginou que Oliver não precisava saber.

Ele ergueu uma sobrancelha, mas não comentou enquanto Lois e Clark continuavam a discutir sobre pizza e Clark insistia que ele não era um entregador. Oliver suspirou e se levantou, aliviado por conseguir ficar em pé sozinho. "Olha, se você concordar, gostaria de voltar para Star City o mais rápido possível e preferia ir num avião."

Chloe assentiu. "Eu posso ligar para o piloto e dizer que estaremos de volta a Metrópolis em duas horas para que ele possa preparar o voo." Ela hesitou por um momento e então estendeu a mão, colocando-a no braço de Oliver. Ela viu a surpresa em seu olhar. "Estou feliz que você esteja de volta e em perfeito estado", disse.

Oliver manteve o olhar por um momento, sem dizer nada antes de posicionar sua mão sobre a dela. Ele a conhecia bem o suficiente para saber que suas palavras eram genuínas e embora ele ainda sentisse que havia mais perguntas do que respostas, só queria ir embora dali e agradecia que ela estivesse tentando ajudar. "Obrigado", disse simplesmente.

***

Chloe entrou no prédio e guardou a chave no bolso enquanto pegava o celular. Ela leu uma mensagem de Lois e não ficou surpresa em ver que sua prima planejava trabalhar até tarde novamente. Chloe respondeu dizendo que ficaria no centro de comando por algumas horas e então guardou o telefone no bolso, pegando novamente a chave enquanto subia as escadas para o loft. Estava feliz que sua prima estivesse trabalhando até tarde nas últimas noites porque estava passando cada vez mais tempo no centro de comando, e não queria ouvir os sermões de Lois.

Não havia missões específicas agendadas para aquela noite, mas Chloe queria monitorar o rádio da polícia enquanto os rapazes estavam patrulhando. Ela deduziu que era o mínimo que podia fazer desde que revelara seus poderes a Oliver. Tecnicamente, seus eus alternativos o tinham deixado desconfiado, mas ela contou o que eles faziam enquanto voavam de volta para Star City três dias antes. Até onde sabia, Oliver não havia dito nada a eles; na verdade ele não havia falado mais sobre o assunto.

Chloe não fazia ideia do que se passava na mente dele. A viagem de Smallville até Metrópolis demorara uma eternidade porque nenhum deles disse uma única palavra a não ser Lois reclamando que não havia comido a pizza. Chloe achou que a viagem de avião seria tão tensa quanto e então Oliver a surpreendeu perguntando sobre os rapazes e o que eles podiam fazer. Ela contou e ele não disse uma palavra. Simplesmente assentiu e ficou olhando pela janela durante o resto da viagem.

Ela esperou que ele dissesse alguma coisa no escritório na manhã seguinte, mas ele simplesmente agiu como se fosse mais um dia qualquer. Tess estava alvoroçada porque Oliver havia perdido um evento de caridade que deveriam ter ido juntos, mas ele nem lhe deu ouvidos e a mandou sair de seu escritório. Depois disso, ele chamou Chloe, mas queria apenas rever algumas propostas para uma reunião e toda a conversa girou em torno dos negócios.

Chloe planejou dizer alguma coisa a ele no dia seguinte porque, até onde sabia, vinte e quatro horas era tempo mais do que suficiente para ele entender o que havia acontecido. Mas ele estivera em reuniões o dia inteiro e foi embora enquanto ela estava numa ligação. Ela não duvidava que ele fizera isso de propósito, então ela chegou mais cedo ao escritório no dia seguinte para que ele não tivesse outra opção a não ser conversar com ela.

Oliver não apareceu no escritório.

Ela ligou e deixou mensagens e ele não respondeu, então Chloe deduziu que era a maneira de Oliver dizer que não queria conversar sobre o ocorrido e que ia fingir que nada havia mudado. Ela estava desapontada, mas não surpresa. Oliver era bom em jogar as coisas para debaixo do tapete quando não queria lidar com elas. Chloe desejava que toda a experiência tivesse sido o chacoalhão que ele precisava, mas obviamente estava errada.

Deixando os pensamentos de lado, Chloe entrou no loft, acendeu as luzes e jogou a bolsa e o casaco na cadeira. Enquanto ia na direção do computador, Chloe percebeu um movimento pelo canto do olho e gritou enquanto corria de volta para pegar o spray de pimenta na bolsa.

"Chloe, está tudo bem, sou eu." Oliver saiu da pequena cozinha, erguendo as mãos. "Não queria te assustar", ele disse.

"Não me diga", Chloe respondeu. Ela se sentou no sofá, correndo a mão pelo rosto enquanto tentava se acalmar. "O que você está fazendo aqui? Como conseguiu entrar?" acrescentou enquanto olhava para Oliver. Ele estava vestido de modo mais casual, num jeans e camisa preta, e ela não acreditava que ele de fato estivesse ali. Por um breve momento, se perguntou se o outro Oliver havia voltado, mas abandonou logo a ideia e esperou que Oliver se explicasse.

Ele deu a ela um meio sorriso enquanto se sentava na cadeira em sua frente, descansando as mãos nos joelhos. "Eu sempre fui bom em entrar e sair de lugares que não me pertencem. É um dos meus talentos secretos", Oliver disse. Ele se sentia mal por tê-la assustado e percebeu que deveria ter esperado que ela chegasse primeiro, mas paciência nunca foi seu forte.

"Como você encontrou este lugar?" Chloe perguntou. Ela havia dito a ele que trabalhava com os rapazes e que os guiava quando podia, mas nunca mencionou o centro de comando especificamente.

"Eu imaginei que você não guardava toda essa tecnologia em seu apartamento", Oliver disse. Ele apontou para o equipamento eletrônico e os gabinetes que se alinhavam na sala. "Eu também sabia que você passava algum tempo nesta área depois da noite que te vi aqui e não foi muito difícil encontrar o local. Eu também sei como usar um computador, acredite ou não. Desculpe", ele acrescentou quando percebeu o quanto parecia defensivo. Oliver não queria brigar com Chloe; não era por isso que estava ali.

"Não achei que você se lembrasse daquela noite", Chloe respondeu. Ele nunca havia conversado com ela sobre o assunto e ela deduziu que ele estava muito chapado para se lembrar de como havia chegado em casa, especialmente porque a primeira coisa que ele fez quando chegou foi voltar a beber.

Oliver lhe deu um sorriso tímido. "A chuva ajuda com a ressaca", ele disse. Oliver atingiu o fundo do poço naquela noite e passou as semanas seguintes ainda pior antes de finalmente sair da fossa, decidir parar de se torturar e, em vez disso, se empenhar em arruinar a vida de Lex Luthor. Embora o plano também não estivesse funcionando do jeito que esperava.

"Por que você fez tudo isso?" Chloe perguntou. Oliver ainda não havia dito porque estava lá ou porque tinha se dado ao trabalho de encontrar o centro de comando. "Você poderia ter me perguntado ou dito alguma coisa, qualquer coisa, sobre o que aconteceu no outro dia. Eu deduzi que você estava me evitando, e por isso fingia que nada havia acontecido", ela disse.

"Eu estava", Oliver confirmou. Agitado, ele se levantou e começou a andar na direção da parede em que havia um quadro de avisos. Oliver colocou as mãos nos bolsos enquanto observava as várias imagens e artigos. "Você tem um bom esquema aqui", comentou enquanto olhava para ela por sobre o ombro. "Não é tecnologia de ponta como eles têm no outro universo, mas ainda é bem impressionante."

Chloe ergueu uma sobrancelha, levantando-se do sofá enquanto voltava a atenção para o quadro. "Estou tendo um déjà vu. O outro Oliver disse algo parecido quando esteve aqui, mas ele estava muito confuso sobre não haver nenhuma referência ao Arqueiro Verde neste mundo", ela disse enquanto parava ao lado de Oliver.

"Ah, o elefante em couro verde na sala", Oliver murmurou. Ele correu uma mão pelo cabelo enquanto se virava para Chloe. "Eu aposto que você riu à ideia de Oliver Queen usando um uniforme para combater os criminosos." Ele não podia culpá-la se ela tivesse. Ele seria o primeiro a admitir que a ideia era absurda.

"Eu fiquei incrédula", Chloe revelou. Ela observou Oliver por um minuto, tentando ler sua expressão. Ela podia ver as rodas girando em sua cabeça, mas não consiga saber o que ele estava pensando. As palavras do outro Oliver sobre ela ser a única que poderia ajudá-lo ecoando em sua cabeça e colocou a mão no braço dele. "Oliver, você deve ter vindo aqui por uma razão. Fale comigo", ela o apressou.

Oliver assentiu, confirmando. Ele andava como se estivesse em transe nos últimos dias e por mais que tentasse fingir que estava tudo bem e nada havia mudado, não conseguia. "Eu não sou ele, Chloe. Não sou tão altruísta. Você realmente consegue me ver saindo à noite para salvar pessoas?" ele perguntou, rindo ao pensamento.

"Ninguém está dizendo que você tem que ser exatamente como o outro Oliver", Chloe respondeu. "Mas você pode me dizer que está feliz ou ao menos contente com sua vida?" Ela não podia imaginar que ele estivesse realmente feliz indo a festas noite após noite. Se estivesse, não sentiria necessidade de beber até desmaiar para poder suportá-las. "Você não quer algo mais?" ela perguntou.

"E se eu não merecer algo mais?" Oliver respondeu. Ele podia não ser o mal encarnado que Lois e outros repórteres acreditavam, mas não era exatamente uma pessoa boa. Ele era arrogante e egoísta e, na maior parte do tempo, não se importava com os outros. Havia feito coisas ruins na vida e não tinha certeza se era possível mudar, especialmente no nível que Chloe estava falando.

"Você tem que merecer a redenção, Oliver", Chloe disse. "As pessoas fazem escolhas ruins, mas chega um ponto em que você tem que decidir se vai continuar pelo mesmo caminho ou se vai trabalhar para se tornar uma pessoa melhor. Tudo isso leva tempo." Ela apontou para a sala ao redor e então apontou para as fotos de Bart, AC e Victor. "Você acha que é fácil para eles só porque possuem habilidades?" Ela balançou a cabeça. "Eles trabalham duro, Oliver. Todos trabalhamos."

Ela segurou as mãos dele com força. "Oliver, eu posso te ajudar. Você não precisa fazer isso sozinho. Não estou dizendo que você tem que ser o Arqueiro Verde, ou que tem que de fato sair pelas ruas. Há outras maneiras de ajudar. O que você quer?" ela perguntou.

Oliver abriu a boca para dizer que não fazia ideia do que queria, mas parou. Isso não era verdade. Sempre que quis alguma coisa fez de tudo para conseguir. Ele queria que a empresa de seu pai fosse líder e fez isso acontecer. Ele também estragou tudo mais de uma vez, mas a empresa havia voltado ao topo, como ele. Mas havia uma coisa que ele sempre quis; um desejo aparentemente inatingível que nunca compartilhara com ninguém.

Ele hesitou e então Chloe apertou suas mãos como se estivesse tentando tranquilizá-lo; mostrar que ele não estava sozinho. "Eu quero importar, Chloe. Se eu morresse amanhã, alguém se importaria? Você está certa sobre minha vida. É uma bagunça, mas uma bagunça que eu criei. Como eu posso sair por aí ajudando outras pessoas se não consigo ajudar a mim mesmo? Não sirvo para ser herói", ele declarou.

Chloe balançou a cabeça. "Você está errado, Oliver. As pessoas pensam que você é uma pessoa ruim porque você deixa. Você se convenceu de que é isso que você é e então se tornou essa pessoa. Eu vi outro lado seu mais de uma vez. Eu sei que você pode ser mais do que isso; mais do que o bilionário mimado que só quer se divertir. Mas você só poderá mudar se realmente quiser. Ninguém pode fazer isso por você", finalizou.

Oliver assentiu. "Eu sei disso." Ele soltou as mãos dela e voltou a olhar para o quadro. Ainda não tinha certeza se tinha capacidade para mudar, mas Chloe estava certa. O caminho que estava percorrendo não o levaria a lugar nenhum e não estava feliz com aquela vida; nenhum pouco. "Eu preciso de um tempo", disse.

"Ok", Chloe concordou. Ela sabia que não deveria ser fácil para Oliver mostrar a ela suas vulnerabilidades e não ia pressioná-lo ainda mais. Aquela era uma decisão que ele precisava tomar sozinho antes que ela pudesse ajudá-lo a atingir outro nível. Ela só queria garantir que ele soubesse que podia contar com ela. "Você pode sempre me procurar, Oliver. Estarei aqui se precisar."

Ele se voltou novamente para ela e o olhar esperançoso que viu no rosto dela fez seu peito apertar. Oliver tinha medo que Chloe já estivesse esperando demais dele, mas sabia que não podia dizer isso a ela, não depois de tudo que ela havia feito por ele. "Eu agradeço, Chloe." Oliver não tinha palavras para mostrar a ela o quanto estava agradecido, mas o pequeno sorriso que ela lhe deu o fez pensar que talvez ela entendesse o que estava deixando nas entrelinhas.

***

O celular de Chloe tocou enquanto ela fechava o computador. Passava um pouco da meia-noite então achou que fosse Lois ligando para lhe dar um sermão por estar trabalhando até tarde de novo. Mas Victor e Bart haviam corrido uma missão cada um e era importante para Chloe ficar de olho neles. Ela deixou AC alerta para o caso de algo dar errado, mesmo sem ter dito isso a ele. As coisas acabaram correndo tranquilamente para os dois e o rádio da polícia estava quieto, o que deixou Chloe agradecida. Havia sido outra longa semana na Queen Industries e Chloe estava ansiosa para passar o fim de semana de pijama com um livro que estava louca para ler.

Ela pegou as chaves e o celular na bolsa enquanto ia para a porta. Chloe foi apertar o botão para aceitar a ligação e seus olhos arregalaram quando viu o nome de Oliver na tela. Fazia quase uma semana que ele havia aparecido ali e não havia dito muita coisa desde então. Chloe apertou o botão e levou o telefone ao ouvido, seu coração acelerado enquanto imaginava porque Oliver estaria ligando aquela hora. "Alô?"

Ele não disse nada, mas ela podia ouvir o som estático abafado do outro lado da linha. "Alô", disse novamente. "Oliver, você está aí?" Chloe perguntou. "Oliver!" Ela aumentou a voz, mas continuou ouvindo apenas estática.

Chloe voltou para o computador e rapidamente digitou o número de Oliver no rastreador. O computador bipou alguns segundos depois e ela viu que a ligação vinha do apartamento dele. "Oliver, me responda", ela disse enquanto ia para a porta novamente, parando para fechá-la antes de descer as escadas correndo.

Seu coração estava acelerado enquanto entrava no carro um minuto depois. Ela ainda podia ouvir estática ao fundo, então sabia que a ligação não tinha caído. Chloe colocou o telefone no viva-voz para que pudesse se concentrar em dirigir. Ficou aliviada em ver que o horário resolvia o problema do tráfego e logo chegou ao seu destino. Ela estacionou o carro, sem se incomodar em pegar o telefone enquanto corria para dentro do prédio.

O porteiro estava de folga, então Chloe foi direto para o elevador, feliz em se lembrar da senha. Ela a digitou e aguardou o elevador se mover. Quando sua chegada foi sinalizada, Chloe se perguntou se Tess estaria com ele. Decidiu que isso não importava; Oliver havia ligado por alguma razão. "Oliver?"

Chloe saiu do elevador e notou que o apartamento estava silencioso. Seus saltos clicavam pela cerâmica enquanto caminhava pela sala, procurando por algum sinal de Oliver. As portas do terraço estavam abertas e seu coração martelava enquanto ia na direção delas. "Oliver, você está...?"

Ela parou quando viu Oliver. Ele estava caído no chão em frente às portas, telefone na mão. "Oliver!" Chloe se ajoelhou ao lado dele e ao se aproximar sentiu o cheiro de álcool que parecia vir de seus poros.

Ela sentiu o coração despencar enquanto agarrava os ombros dele e o chacoalhava. "OLIVER!" Chloe o observou abrir os olhos e viu que ele já estava arrependido de ter feito a ligação. Ele levou a mão à cabeça e deu um gemido. Ela olhou feio para ele enquanto tentava suprimir as lágrimas que ameaçavam cair. "O que aconteceu com você?"

"Chloe, por que você está gritando comigo?" Oliver perguntou. Ele gemeu novamente ao sentir sua cabeça querendo explodir. Ele se mexeu, tentando ficar mais confortável, mas sem sucesso. "Onde eu estou?" murmurou enquanto se sentava.

"Em seu apartamento", Chloe disparou. Ela apontou para o telefone que ele ainda agarrava. "Por que você me ligou? Para que eu te visse neste estado? Era isso que você queria, Oliver?" Sua voz tremia de raiva e Chloe precisou respirar fundo para tentar se acalmar.

"Pare de gritar", Oliver murmurou, correndo a mão pela cabeça enquanto olhava ao redor. "Acho que eu estava num evento beneficente ou algo assim. Eu..." Suas palavras sumiram quando Chloe lhe deu um tapa no rosto. Oliver arregalou os olhos ao sentir a dor que pareceu reverberar por todo seu corpo. "Por que esse tapa?" ele exigiu.

"Esse foi por ter me assustado", Chloe respondeu. Antes que pudesse se impedir, deu outro tapa nele, com força suficiente para sua mão doer, mas estava muito nervosa para notar. "E este foi por ter desperdiçado meu tempo e me feito pensar que você valia alguma coisa. Droga, Oliver, eu acreditei em você!" Lágrimas se acumulavam no canto de seus olhos, mas ela se recusava a tomar conhecimento. "Eu acreditei quando você disse que queria fazer a diferença. O que aconteceu com esse propósito? O que aconteceu com o cara que fez de tudo para descobrir o loft?"

Oliver olhou feio para ela enquanto corria a mão pelo rosto. "Eu não sou esse cara, Chloe. Eu te disse que nunca seria como o outro Oliver. É muito bom na teoria, mas não é quem eu sou. Este é quem eu sou. É o que sempre serei", ele disse. "Inútil, como você disse."

"Você é patético", Chloe respondeu, furiosa que ele estivesse colocando palavras em sua boca. "Você também é um covarde." Ela continuou olhando feio para ele enquanto se levantava. "Você tem tanto medo de falhar que nem quer correr o risco de tentar. Sei que beber é muito mais fácil do que tentar fazer algo bom, não é mesmo? Sei que tomar mais um copo e mais outro ajuda a adormecer a dor do fracasso. Mas sabe do que mais, Oliver? Você ainda terá que se olhar no espelho a cada manhã e isto é o que vai estar te olhando de volta."

Ele também se levantou, tentando ignorar o jeito como tudo girava. Isso o relembrou de quando viajou entre os universos. Rapidamente deixou o pensamento de lado e tentou se concentrar em Chloe. "Eu não posso dar o que você quer. Eu só quero que você me deixe esquecer o que aconteceu. Vamos, Chloe. Nunca teria dado certo", Oliver disse.

Chloe balançou a cabeça. "Você disse que sua vida era uma bagunça e que você queria mudar. Este não é o caminho, Oliver. Afogar-se no álcool e fingir que nunca imaginou ter uma vida diferente não engana ninguém, a mim muito menos." Ela deu um passo perto dele, o olhar duro no rosto. "Você está agindo como um egoísta, um idiota mimado e eu cansei, Oliver. Chega", ela repetiu.

Oliver engoliu em seco enquanto se recostava no sofá para se equilibrar. "Você está desistindo?" ele perguntou. Apesar do álcool enevoando seu cérebro, sinos de alerta soaram em sua cabeça, alertando-o que talvez tivesse ido longe demais. "Vai simplesmente desistir de tudo?" Ele acrescentou um silencioso 'eu' no final da pergunta.

"Fugir é o que você faz, Oliver, não eu", Chloe disparou. Ela não conseguia acreditar que ele tivesse coragem de agir como se ela é que fosse a vilã quando era ele quem preferia beber até a morte do que tentar se tornar uma pessoa melhor. "Eu gosto do meu emprego e tenho toda intenção de mantê-lo, mas é isto. Se você quer fingir que nada aconteceu, é o que vamos fazer."

Ele assentiu, aliviado que ela não estivesse abandonando-o. Oliver sabia que não servia para ser um herói, mas Chloe era o mais próximo que tinha de uma amiga e não queria perdê-la. "Sabe, Chloe, vai ser melhor assim. É como deveria ser", Oliver disse.

"Errado", Chloe respondeu. "Eu não vou passar minha vida limpando suas bagunças. Da próxima vez que você estiver sozinho na chuva, ligue para sua esposa ir te buscar. Embora, imagino que isso não esteja no contrato que vocês assinaram quando decidiram fingir esse casamento." Ela deu um risinho quando viu os olhos dele arregalarem. "Tess mencionou alguma coisa para o outro Oliver e ele deixou escapar que tudo era um plano para derrubar Lex."

Oliver balançou a cabeça. Não podia acreditar que ela soubesse sobre seu casamento e não tivesse dito nada. "Não é tão simples, Chloe. Você não sabe o que o pai dele me fez." Ele engoliu em seco, a dor tomando seu peito ao pensar em seus pais. "Se não fosse por ele, eu não seria assim."

"Desculpas", Chloe respondeu secamente. Ela sentiu uma pontada de culpa ao ver a expressão no rosto dele, mas ignorou. "Você está certo, Oliver, eu não conheço a história toda e nem quero. É disso que estou falando. Eu queria te ajudar; eu queria ser sua amiga e você recusou cada tentativa minha. Então acabou", ela afirmou. "Nos vemos no escritório amanhã, Sr. Queen."

"Chloe, por favor", Oliver disse. Ele tentou segurar o braço dela, mas ela passou por ele, indo para o elevador sem olhar para trás. "Chloe!" ele chamou, sabendo que não estava em condições de correr atrás dela. Ele ouviu as portas do elevador se abrirem e então as ouviu fechar alguns segundos depois.

"Desculpe", sussurrou.

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DOIS

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