21.7.14

Nothing Remained But Your Eyes (7/8)

Título: Nada Restou Além Dos Seus Olhos
Resumo: No final de sua vida, Oliver Queen pede à mais poderosa feiticeira do universo que lhe conceda um desejo. Agora ele tem uma nova chance de viver o que perdeu uma vez.
Autora: tennysonslady
Classificação: NC-17
Nota da Autora: Um dos meus poetas favoritos é Neruda, e muitas das minhas histórias foram escritas ancoradas em versos dos poemas de Neruda. Cada parte desta história que eu quero contar é ancorada pelo Soneto XC dos Cem Sonetos de Amor.
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O movimento e o entrançar de espinhos não me preocupa, e muitos sabem disso.
Eu não sou um tecelão de coroas sangrentas.
Eu lutei com a frivolidade e a maré do meu espírito corre livremente; e em estado sóbrio,
Meus detratores são pagos com uma revoada de pombas.

Shadowcrest.

Era um adorável lugar antigo, pequeno comparado à mansão em que ele cresceu em Star City. Mas Oliver pintou o castelo com tanto mistério e intriga que Chloe não podia deixar de imaginar como seria deitar no tapete persa que ele descrevera, em frente a lareira, enquanto aqueciam um ao outro no gelado inverno de Gotham.

Ele era bonito. Tão bonito. Ela não conseguia acreditar que durante todo este tempo tudo que ela conseguia se lembrar era dos olhos dele. Mas novamente, se ela se lembrasse da voz, do jeito que ele a fazia importar, da sensação dos dedos quando ele os corria pelas pontas de seus seios, ela não teria sobrevivido tanto tempo esperando ele voltar para ela.

"Eu mal posso esperar", ele disse, puxando-a pela mão quando ela estava prestes a partir.

"Nem eu", ela respondeu, pegando as roupas que tinham sido deixadas de lado. Poderiam ter passado minutos ou horas. A escuridão do lado de fora dos vitrais lhe dizia que eles passaram uma boa quantidade de tempo envolvidos um no outro.

Nunca houve duas palavras mais ansiosas para deixar tudo que mais davam valor para trás. Beijos, beijos. Se ela fechasse os olhos ainda sentiria o suor na pele dele, o sabor do sal do suor em sua língua.

"Deixe eu fazer isso. Eu prometo que faço", ela disse. Se ela estava deixando tudo que conhecia por ele, então ela tinha que fazer direito. Uma promessa era uma promessa, especialmente quando a promessa tinha sido feita para uma alma como Lex. De todas as pessoas em sua vida, Lex fora a mais incompleta, a mais triste. Lois e Clark sempre tiveram um ao outro, e Lex sempre -- esteve por ali. 

E se foram as mãos de Oliver que o mataram, então eles sempre estariam conectados. Porque o universo dele era o dela, o pecado de Oliver era também o seu; a vida dele era a dela. 

"E então Zatanna. Shadowcrest", ele disse a ela, e as palavras não teriam feito sentido sem a fé dela no que tinham, no que havia entre eles, na atração que ela sentia por ele antes de saber seu nome. Ela assentiu. A voz dele direto dos sonhos dela em sua promessa. "E então vamos esquecer."

Se ela esquecesse dele, se ela esquece aqueles sonhos. "Como eu saberei que você não me sequestrou para não ficar aterrorizada?" Olhando para ele, sentindo como se sentia, era fácil dizer que ela confiaria nele. Mas mesmo na névoa ela percebeu o quão imprudente tudo poderia ser. "Vamos escrever um lembrete a nós mesmos, num lugar onde possamos encontrar. E eu vou dizer a mim mesma para confiar em você."

Ele não precisava de um. Pelo menos era o que ele pensava. Oliver sempre foi um romântico incurável. Como ela sabia disso era um mistério. E então talvez ele fosse assim só com ela. 

Ísis e Osíris. Um conto de amor eterno. Claro que Oliver acreditava em acordar sem saber quem ela era, e ainda assim saber que crença era tudo.

Quando ela entrou com ele no elevador, Chloe percebeu o telefone dele no chão, e quando o pegou e devolveu ele a surpreendeu com um beijo. "Logo", ele disse a ela. Era uma promessa. Era um pedido.

"Logo", ela disse a ele. 

Seu corpo inteiro pulsava, seu coração vibrava. Chloe entrou no quarto que Lex organizou para ela naquele prédio e caminhou ao redor. Ele não fez barulho. Ele era maravilhoso assim, então graciosamente ela jurou que se houvesse outra vida ele poderia ter sido um gato. Mas ele já estava satisfeito com aquela vida.

"Deixe eu passar a noite", ele disse. E ela assentiu. No caminho ele descartou a camisa e tirou os sapatos, e Oliver a deitou na cama pela primeira vez e nada pareceu estranho ou fora do lugar. Seus olhos encheram de lágrimas, e sua visão embaçou. Era a primeira vez e ela não se lembraria, mas enquanto ele estendia um braço e afundava na cama ao lado dela, ela pensou nas inúmeras vezes que ela estaria deitada assim com ele até o inevitável.

E então eles teriam tudo que ele enumerou para ela alguns momentos antes -- tudo que ele queria e nunca tivera com ela. Casamento. Filhos. Uma vida inteira de beijos. 

Estas eram promessas a que ela se agarrava quando finalmente se juntou a Lex no prédio da LuthorCorp. Era difícil olhar para ele agora sem se perguntar. Todos aqueles anos desde o colégio quando ela pegou a mão dele e decidiu o destino de Lionel, todas as noites em que ficou acordada do outro lado da linha, enquanto ele recontava as inúmeras injustiças que seu pai cometera.

Quem seria Lex Luthor, se ele não fosse aquele homem de Smallville que estava do outro lado da porta naquela noite em que ela esperou o pai retornar? Se ele não fosse o homem que disse a ela, baixo, claro, silabicamente a notícia de que seu pai -- como muitos pais que trabalham na fábrica de fertilizante -- não voltaria mais para casa, então quem seria Lex?

A surpresa nos olhos dele quando ela chegou a chocou. Por um breve momento ela se lembrou como tinha ficado quando ele lhe contou sobre o acidente -- agora um massacre, os dois sabiam -- que matou Gabe Sullivan e outros empregados da fábrica de Smallville. 

"Eu achei que você não viria", ele disse. A voz de Lex era sempre suave, escondendo a ansiedade ou medo, ou fúria que ele sentia. Era difícil fazer sentido. Sempre foi.

"Eu prometi que estaria aqui, Lex", ela disse a ele. Chloe entrou no escritório dele, como tinha feito muitas vezes antes. Só que desta vez ela estava diferente. Ela se movia de outro jeito, pulsava de uma maneira completamente diferente. Era quem ela era. Ela importava. Lex não podia fazer isso sem ela. O mundo seria pior se ela não tivesse levantado naquela manhã. Ela importava.

Então era assim que você se sentia quando descobria a parte da sua alma que completava você.

Lex serviu um copo de uísque e ofereceu a ela. Chloe balançou a cabeça. Ele levou o copo aos lábios e ela reconheceu imediatamente que era um oferta de cortesia, nada mais. Os olhos de Lex a correram da cabeça aos pés, e ela se perguntou se havia alguma mudança aparente.

"Você se lembra do dia em que planejamos isto, Chloe?"

A mente dela flutuou. Dos braços de Oliver, ao dia há alguns anos quando ela estava sobre o túmulo de seu pai. O ar estava frio, começava a nevar. Ela estava de preto. O cemitério estava cheio de pequenas manchas de multidões de preto rodeando alguns túmulos. Gabe Sullivan foi enterrado entre uma multidão, despretensioso, longe de ser especial, só um entre muitos. Então novamente, ela não era nenhum pouco especial, só mais uma adolescente entre tantas, órfã por causa do acidente na LuthorCorp. Apesar dos eventos horríveis, Smallville era sombria, mas não estava acabada.

Smallville vira acidentes bem piores, perdera muito mais na chuva de meteoros. E os gerentes da LuthorCorp não eram nativos da cidade.

Chloe teve a menor multidão, a multidão que foi embora mais cedo. Eles tinham um caminho longo até Metrópolis. Mas Chloe ficou observando o túmulo. Seus olhos estavam secos. Ela chorou o suficiente no casaco do homem que lhe dera a notícia. E seu pai sempre teve orgulho de como sua filha era corajosa. Então por ele, ela não chorou.

Lex Luthor parou ao seu lado. Quando o resto se foi, ele permaneceu. Perto deles havia familiares enterrando seus membros queridos, e ele ficou ao lado dela com um guarda-chuva preto em sua mão enluvada. 

"Sinto muito por sua perda", ele disse a ela. Do mesmo jeito que ele disse a ela no meio da noite em que a informou sobre o acidente. 

Mas Chloe fechou os olhos e abaixou a cabeça. Quando todo mundo se fosse ela poderia chorar. Mas Lex permaneceu então ela teria que segurar as lágrimas. Seus olhos estavam queimando e ela só desejava que ele fosse embora. "Você pode ir, Sr. Luthor", ela disse em retorno. "Você já passou tempo demais comigo ontem. Tenho certeza que há outras famílias que você precisa consolar." Ela respirou fundo. "Foi um acidente."

"Eu tenho razões para acreditar que não foi." E foi aí que ela virou a cabeça e olhou para ele, seu rosto sério, sua mandíbula travada. Ele assentiu na direção do túmulo e disse, "Estes eram meus funcionários, sua família. O que você faria se eu te dissesse que eu sei quem fez isso?"

Ela se perguntou durante os anos se foi o alívio que finalmente a derrubou. Alívio -- que tivesse sido um assassinato. Alívio -- que a dor e o luto pudessem se tornar uma missão. De qualquer jeito, ela respondeu, "Eu diria que temos que pegar o maldito."

Suas lembranças do dia frio sumiram e ela assentiu. Lex levou a bebida aos lábios e engoliu de uma vez.

"Eu mantenho minhas promessas", ela continuou. 

"Desde quando consigo me lembrar, isso é o que eu queria fazer", ele disse a ela. Eles não tinham prova de que havia sido Lionel até o último dos documentos em que Chloe conseguiu colocar as mãos. Mas durante todo o tempo que o conhecia, Chloe conhecia o olhar no rosto dele depois de cada encontro com o pai. 

"E você sabe que eu te ajudaria."

Entre os dois, ele sempre foi fisicamente mais forte, até mais inteligente em muitas coisas que compartilharam. Mas ela aprendeu com ele, reconhecendo a menor insinuação e a briga verbal. Ela sempre se inclinava para a frente quando ele falava, queimava com o desejo de fechar suas feridas abertas com seu pai bem antes de saber que Lionel tinha matado o seu, perguntando-se agora se talvez ele soubesse o tempo todo como Lex Luthor morrera. 

E os pecados de Oliver.

Eles eram dela. 

O vidro atingindo a mesa sinalizava que o acerto de contas tinha chegado. Lex caminhou até ela e assentiu ao arquivo que ela agarrava junto ao peito. "Depois disso, você vai voltar para ele?"

De algum jeito, de alguma maneira, nenhum dos dois tinham discutido o que aconteceria depois daquele dia. O plano sempre foi fazer justiça aos funcionários da LuthorCorp que morreram todos aqueles anos atrás, até o plano mudar para a queda e prisão de Lionel. Mas nunca -- nenhuma vez -- nem mesmo na noite em que olharam os documentos e encontraram suas mãos roçando uma na outra ao tentarem pegar o mesmo documento -- eles tinham falado no futuro.

Ela ficou em silêncio. Era mais do que o suficiente como resposta. 

"Aquele homem", ele disse a ela parado em sua frente. "Eu não confio naquele homem. Eu frequentei a escola com ele, fiz negócios com ele, mas só quando o vi no museu com você, percebi o quanto eu não confio nele."

Foi apenas a visão dela e Oliver juntos que despertou uma reação tão forte?

"Você sonha que morreu", ele disse. "Eu não me lembro exatamente como, mas eu sei que fui assassinado. Por uma flecha." Ele estreitou os olhos.

Ela umedeceu os lábios. "Você sente, Lex? A dor quando um objeto rasga sua pele e o músculo."

"Não", ele disse. "Há uma flecha, mas ela não atravessa meu corpo. Quando eu sonho, eu sonho que estou queimando no inferno." E então ele agarrou o braço dela. "Eu não quero que você volte para ele", ele disse com urgência. 

Eles nunca falavam sobre o futuro.

"Não posso fazer isso", ela disse, com gentileza.

"Houve um tempo quando eu só queria proteger você, Chloe." Lex abriu a porta. Quando ela saiu do escritório com ele, ele se inclinou e disse, "Então pense novamente. Se você tiver medo dele por um segundo--"

"Lex", ela disse em lembrete, "vamos fazer o que estou aqui para fazer."

"É isso? É assim que você esquece?" Ela sentiu o coração gelar. Em seu silêncio, ele continuou. "É assim que você esquece tudo entre nós? É assim que você vai embora, Chloe?"

Se este é o fim do mundo, eu quero estar na toca com você.

Pelo mais breve dos momentos um certo arrepio correu por sua nuca, e Chloe suprimiu um pequeno sorriso a agradável lembrança. Apesar de tudo que sabia, era a voz de Oliver que provocava as bordas de seu cérebro. 

"Vamos", ela disse, então estendeu a mão para ele, desejando que ele desse aquele passo. E ele balançou a cabeça e caminhou adiante. Ele a deixaria para trás, tão facilmente, quando tudo estivesse acabado. E ela estava ansiosa por esse dia. 

Eles chegaram ao andar onde ficava a sala de reuniões, e não havia mais conversa. Lex aceitou o pedaço de papel dobrado de sua assistente, então se virou para Chloe. "Meu pai não chegou. Você pode esperar na sala ao lado? Eu não quero que ele te veja antes de entrar na reunião."

"Claro."

Lex se afastou. Chloe abriu a porta. Havia outro ocupante, um que ela reconheceu imediatamente. "Clark", ela falou. Ele usava um par de óculos e estava parado na entrada. Chloe fechou a porta. "O que você está fazendo aqui?"

"Estou cobrindo a história", Clark respondeu. "Lex pareceu pensar que você gostaria de dar a Lois uma exclusiva."

Claro que ela teria. Lex a conhecia muito bem para garantir que sua prima fizesse a manchete, mesmo a história de capa para o Planeta Diário. "Mas Lois se foi", ela disse.

"E aqui estou eu", Clark respondeu. 

"Aqui está você." Ela deu um sorriso incerto e se sentou ao lado dele. "Desejando estar onde minha prima está."

Ela tinha certeza que era verdade, mas Clark cutucou seu braço e com um pequeno sorriso disse, "Eu estou exatamente onde precisava estar." Chloe olhou para cima ao ouvir o barulho do lado de fora e notou um certo caos que deveria ter sido criado pela chegada de Lionel Luthor. Ela agarrou o arquivo junto ao peito e cerrou as mãos em punhos. Clark fechou a mão sobre a dela. Ela olhou para cima e encontrou seu olhar caloroso e preocupado. "Eu posso não ter estado por perto quando você mais precisou de mim, Chloe", ele disse, "mas eu estarei desta vez."

Havia lágrimas, ela imaginava, quentes e incontáveis caindo sobre ela. Chloe quase podia sentir o aperto ao seu redor. Clark. Era o nome de Clark uma vez seguida da outra naquela sala horrível e queimando. E eram os olhos vermelhos de Oliver que pairavam sobre ela. No dia de sua morte, ela percebeu.

E tão suavemente, sem nenhuma malícia, ela perguntou, "Ele precisou de você?"

Não eu. Ele. Porque a dureza do choro de Oliver tornou tudo muito real. No dia de sua morte os chamados por Clark destruíram mais quem ficou do que quem morreu. 

"Eu não pude ir. E me arrependi por toda a vida."

E na expressão de Clark ela leu a verdade. Ela engoliu o nó na garganta e fechou os olhos. Chloe virou a mão e entrelaçou seus dedos.

A discreta batida na porta a trouxe de volta a terra. Chloe se levantou e respirou fundo. Ela segurou o arquivo e olhou para baixo, garantindo que estivesse tudo ali. Chloe olhou de volta para Clark. "Está na hora."

Deixar Lex ir embora. Libertar o homem que Oliver matou. Equilibrar os pecados do passado. Então talvez houvesse um futuro.

"Chloe, Lex nunca foi um bom homem."

Mas os últimos anos da vida que ela se lembrava diziam o contrário. "Eu me lembro de um Lex diferente", ela disse simplesmente. E este Lex, ela pensou, tinha todo o potencial do mundo, envenenado apenas por ter um pai como Lionel Luthor.

Então Chloe entrou na sala de reuniões e encontrou uma erupção de sussurros ao longo da mesa. Ela ouviu atentamente enquanto Lex explicava à diretoria sobre a necessidade de sua presença, ela travou a mandíbula quando Lionel Luthor olhou para ela em desafio. A luz do projetor estava queimando suas retinas. Chloe desviou o olhar e viu uma sombra familiar parada ao fundo.

Mas não podia ser, então ela piscou para espantar a visão e se concentrou nos homens ao seu redor. 

Chloe umedeceu os lábios e começou, "Eu sou uma filha da LuthorCorp, e nenhum de vocês pode imaginar o quanto sou agradecida a esta empresa. A casa da minha família, minha educação, a comida na mesa -- tudo esteve lá graças a LuthorCorp e meu pai nunca me deixou esquecer disso. Ele era o exemplo de um homem fiel a empresa." Sua garganta apertou e seus olhos arderam. "LuthorCorp esteve ao meu lado quando meu pai morreu. Então vocês podem entender o quanto isto é difícil para mim."

Ponto a ponto, Chloe relatou as descobertas que tinha feito e citou cada evidência no último andar da LuthorCorp.

"Então com grande arrependimento e incredulidade eu digo a vocês que o massacre na fábrica de Smallville, juntamente com incontáveis outros acidentes em diversas fábricas foram crimes de seu diretor administrativo." Chloe olhou para Lionel enquanto a secretária de Lex dava a volta na mesa e entregava as tablets com as informações que ela tinha preparado, evidências fotográficas e arquivos dos papeis que tinha coletado. "Eu sinto muito, Sr. Luthor."

"Eu também, querida", Lionel respondeu.

Chloe arfou. A dor veio primeiro. Muito estranha. O tiro veio logo depois. Um homem parado atrás de Lionel Luthor saiu correndo da sala de reuniões. Ela caiu de joelhos no chão. Chloe olhou para baixo e teve a familiar visão de sangue tomando sua barriga. Suas mãos tremeram ao tocar o local. Ela olhou para cima e viu Clark olhando para baixo em choque. E então Lex pairava sobre ela. Sua visão ficou borrada. Atrás de Lex uma figura obscura se aproximou até bonitos olhos negros aproximarem-se ainda mais.

"Eu te avisei, não foi?" ela exigiu, a voz calma. Zatanna tomou um lugar ao seu lado. "Pode acontecer diversas vezes até que você esqueça o passado."

"Chloe, fique conosco", veio a voz de Clark.

No caos que a rodeava, havia uma imagem clara que brilhava enquanto todo o resto desaparecia em sombras. Chloe arfou, "Oliver."

E então havia aquela mão suave e maravilhosa que a prometeu tudo e nada. "Pegue minha mão", Zatanna instruiu.

A dor a atravessou, a bala estava alojada ainda dentro dela. Lex chamou o helicóptero e Clark a pegou nos braços.

"Pegue minha mão", Zatanna comandou. "Temos que salvar o que podemos. Esqueça agora, Chloe, ou perca a chance. Se você morrer agora -- de novo -- eu não vou conseguir fazer isso acontecer novamente."

Só mais uma hora, talvez agora mesmo, Oliver esperava. Mas as sombras estavam invadindo sua visão e ela não ia perder o futuro. E então, fracamente, ela levantou o braço e deitou sua mão na de Zatanna.

E ela entrou em seu cérebro. Chloe fechou os olhos e ficou cega pela luz. 

E então braços fortes a ergueram ainda mais alto até ela conseguir ouvir o barulho do helicóptero, até sentir o ar fio em sua pele. "Você vai ficar bem", uma voz masculina lhe disse.

Lá embaixo, Oliver esperava em seu carro. Ele olhou para o relógio e percebeu a hora, perguntando-se porque ela estava atrasada. O tanque estava cheio e o avião estava esperando para levá-los a Gotham City. Ele olhou na direção do prédio da LuthorCorp e estreitou os olhos ao ver os executivos correndo e imediatamente entrando nos carros.

Ele reconheceu a figura que saía num casaco preto longo. Oliver saiu do carro e correu em direção a ela. Quando Zatanna parou, Oliver olhou para a mão dela, ensanguentada. 

"Eu a avisei. Quanto mais você se lembra, mais perigosa esta vida se torna."

Oliver prendeu a respiração. "Ela está--"

O helicóptero da LuthorCorp soou sobre sua cabeça. "Eles a estão levando para o hospital. Ela já esqueceu. Ela esqueceu você." Ela ofereceu a mão ensanguentada. "Faça o mesmo, Sr. Queen. Não convide a tragédia para sua vida. Não quando ela está em perigo--"

O protesto foi arrancado de seu peito. "Mas nós íamos esquecer. E íamos acordar juntos."

"Eu lhe dei uma vida nova. Talvez você não tenha tudo exatamente do jeito que quer."

Mas ele sempre tinha. Apesar das horríveis circunstâncias de sua vida, quando uma compra impensada tirou milhões de sua conta como um buraco num balão de água -- acabou sendo a melhor de todas as decisões. E naquela outra vida, quando ele estava perdido e com medo, ele só emergia mais forte e melhor.

Ainda assim quando ele perdeu. Ele perdeu tudo.

A pontada em seu coração se tornou uma mão gelada apertando a sua com força até gelar seu sangue, vendo-se numa expansão infinita de neve. Seus olhos pararam até figuras se formarem, ao seu redor, tristes e silenciosas, explodindo com emoções que ele não podia reconhecer.

Chloe Anne Sullivan. 

Era uma lápide linda, gravada com números dourados que proclamavam a data de seu nascimento, o que deveria ser inesquecível até o dia de sua morte.

"Acredite em mim, Oliver. Eu estava lá", ele ouviu vagamente ao fundo.

E aquela figura emergiu dos arredores de suas lembranças, de Zatanna parada atrás de uma figura usando um capuz, parada ao lado de Clark Kent, segurando um livro -- aquele livro que ele tinha visto em Shadowcrest nas prateleiras de Giovanni Zatara.

"Eu estava lá", ela repetiu. "E você não quer que o que aconteceu no passado o persiga aqui."

Nunca não é parte de mim; porque eu sou eu com uma diferença:
Foi, e sempre será assim;

"Se eu--quando eu esquecer--eu preciso--"

Ele procurou por palavras, não encontrou nenhuma. Quando alguém te dá uma passagem para outro universo repleto de beijos, não há como pedir mais.

"Garanta que eu a encontre de novo", ele conseguiu. 

Relutantemente, Oliver colocou a mão na de Zatanna, sentindo o sangue pegajoso, seco, o último momento em sua lembrança familiar, estranha. O cheiro de sangue invadiu seus sentidos. Mesmo o cheiro do sangue, tão arraigado em sua alma, ele percebeu como ficou no ar entre eles.

Bem ali, tão perto, e ele respirou as lembranças da morte dela e suas vidas. Bem ali.

Então, nada mais. 

Eu falo pela pureza das coisas em nome das metamorfoses do meu amor. 

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16 comentários:

  1. Eu amei.. a Chloe levando o tiro, a Zatanna os fazendo esquecer... e to triste ja ta terminando essa Linda fic....
    Ass: Juliana

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    1. Pois é, Juliana, infelizmente já está terminando... :-(

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  2. Aí gente n consigo n chorar nessa historia linda demais :,(
    Quero o final feliz logoooooo
    Jami

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    1. Difícil mesmo, Jami, também não consigo segurar as lágrimas... especialmente numa história tão intensa assim...

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  3. Oh, não! De novo, não!!

    A Zatanna vai consertar tudo, né?
    Só tem mais um capítulo só dá tempo pro Final Feliz agora! Não é?! =D

    GIL

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  4. A Chloe NÃO pode morrer e eles TEM que se encontrar.

    Fic linda. Este capítulo foi digno. Postado no dia do meu aniversário. Que presente!=]

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    1. Ah, que legal Noelle. Parabéns!!!!!!

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  5. NOSSA! Impressionada com essa fic.
    Muito bem escrita, a gente consegue sentir tanto quanto eles... E muito intenso... Amando.!
    Ansiosa pelo finaaaaal! :S haha
    Ta demaaais a tradução Sofia ;)

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    1. Verdade, é o que eu digo, essa fic, como as demais desta autora, são uma verdadeira experiência. Que bom que está gostando!!!! :D

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    2. Ao que parece esqueci de assinar todos os meus comentários, hahaha...
      Sou a AlineF :)

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  6. Atrasadíssima por culpa da vida real, e quase chorando com esse capítulo!!!!!!
    Vou correndo ler o final, tô louca pra saber como [e não 'se', percebeu???] eles ficaram juntos...

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    1. Sim, porque final feliz em Chlollie é 'de lei'! :D

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  7. Gente, e o final (epílogo), cadê? Muito curiosa!
    Liliane

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    1. Oi, Liliane, já arrumei o link. Boa leitura!

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    2. Oba! Thanks Sofia ;)

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