10.8.17

Everybody Loves Me (1/4)

 
 
Resumo: Um pouco de Chlollie no episódio Luthor, em que Oliver vai parar em outro mundo onde ele não está com Chloe e ela o odeia.
Classificação: PG-13

 
 
 
I - Flashes In My Face
 
 
 
Oliver estava no telhado de um dos mais altos edifícios de Metrópolis, vigiando a cidade sob seus pés. A noite estava mais quieta que o normal, o vento frio e a ameaça de chuva pareciam suficientes para manter os bandidos em suas tocas. Ou talvez o clima estivesse mantendo as pessoas boas de Metrópolis em suas casas, deixando os vilões sem muita opção. De qualquer maneira, o time estava completando com eficiência a principal missão da noite sem se deparar com roubos e assaltos aqui e ali. Eles tinham mais uma locação para visitar e então todo mundo poderia ir pra casa.

Ele estava começando a pensar que esse momento parecia não chegar nunca.

"Estou dizendo que foi na missão Barbados", AC insistiu. O tom normalmente calmo estava bem longe de sua voz e o rosto estava vermelho de raiva.

"Não!" Victor respondeu. "Foi Jamaica. Eu sei que toda água parece igual pra você, filho de peixe, mas você está errado nessa." Suas mãos estavam fechadas em punho e os olhos estreitos para AC.

"É você quem está errado, Microchip." AC deu um passo mais perto de Victor, dando um risinho por sua vantagem em ser mais alto. "Talvez possamos fazer uma aposta", ele disse.

Victor revirou os olhos, nenhum pouco intimidado. AC era mais alto, mas ele era muito mais forte. "Certo, Nemo. Quando eu provar que estou certo, o que todos nós sabemos que vai acontecer, você fica sem videogame do American Idol por um mês."

AC ficou boquiaberto. "O que você tem contra o Idol?" ele exigiu.

"Além de ter que ouvir você cantar o dia inteiro? Nada." Victor respondeu, dando um risinho.

"Certo", AC devolveu. Um sorriso lento se espalhando por seu rosto. "Quando provarmos que eu estou certo, você terá que ficar sem palavras cruzadas por um mês."

Victor ergueu as sobrancelhas. "O quê? Como o fato de eu afiar meu cérebro afeta sua vida?" ele perguntou.

AC deu de ombros. "Não afeta, mas se você quer tirar minha diversão, também vou tirar a sua." Ele estendeu a mão. "Fechado?" ele perguntou.

"Fechado", Victor concordou. Os dois apertaram as mãos, cada um tentando apertar mais forte que o outro. Ollie, diga a AC que estou certo", ele disse.

"Sério?" Oliver perguntou. Ele se virou da cidade para encarar seus amigos. Apesar de seus maiores esforços para ignorá-los, a incessante discussão o estava enlouquecendo. Tirando os óculos para que pudessem ver a irritação em seus olhos, ele respondeu. "Vocês estão brigando por causa disso há quase três horas e agora querem que eu me envolva? Os dois estão errados. Foi Saint Tropez."

"Oh", AC disse lentamente, percebendo que era verdade. "É mesmo, porque foi naquele hotel em que Bart foi expulso por dar em cima da camareira."

Victor deu risada. "Certo, e Ollie o fez dormir na praia. Bons tempos", ele recordou.

"Precisamos de outra missão tropical", AC comentou. Ele sorriu para Oliver. "Acha que isso pode ser arranjado?" perguntou esperançoso.

"Com certeza", Oliver respondeu, sua voz pingando sarcasmo. "Tenho certeza que há um monte de criminosos tomando sol numa praia, apenas esperando que os capturemos. Podemos nos concentrar no que viemos fazer aqui?" ele disse.

AC ergueu uma sobrancelha para Victor antes de se virar para Ollie. "Cara, relaxa. Só estamos tentando deixar o clima mais leve", disse.

"Sushi está certo, Ollie", Victor concordou. "Estamos quase terminando e tudo correu bem. Lembra daquela vez em Bali? Foi um desastre", ele pontuou.

"Bali foi maravilhoso", AC corrigiu. "Você está falando de Borneo, Disco Rígido."

Victor fez cara feia. "Eu sei a diferença e antes de Ollie desempatar esta, quer deixar a aposta mais interessante?"

"Estou ouvindo", AC respondeu.

Virando-se, Oliver revirou os olhos e voltou a ignorá-los. Ele sabia que Clark estaria ali a qualquer minuto e então poderiam entrar e finalizar a missão. Ele tentou se concentrar nisso e ignorar o fato de que as vozes de seus amigos ficavam cada vez mais altas. Um vento repentino passou por ele.

"Eu quero um burrito", Bart anunciou. Ele trocou de pé para mostrar o quanto estava impaciente. "Se importa se eu for até o México rapidinho, Chefe?"

"Sim, eu me importo", Oliver respondeu. "Estamos no meio de uma missão", ele o relembrou. "Você pode ir até o México quando terminarmos."

Bart fez cara feia. "Eu poderia ter ido e voltado no mesmo tempo que você levou para responder", ele pontuou.

Oliver também olhou feio. "Fique aqui", repetiu.

Enquanto os argumentos de AC e Victor ficavam mais altos e Bart cruzava os braços sobre o peito, fazendo bico como uma criança, Oliver foi até o outro lado do telhado, silenciosamente contando até dez. Ele tinha um nó do tamanho do Texas entre seus ombros e tinha certeza que seu olho estava tremendo.

"Tudo bem, Arqueiro?"

A voz familiar em seu ouvido instantaneamente trouxe um sorriso para seu rosto. "Está me observando, Sidekick?" ele perguntou.

"Creio que isso faz parte do meu trabalho", Chloe brincou. "Garoto Escoteiro está quase terminando de resolver o roubo a banco", ela acrescentou.

"Ótimo", Oliver respondeu. Ele olhou por sobre os ombros e viu Bart agora parado entre AC e Victor. Mas a julgar pelo olhar eu seu rosto, Oliver duvidava que ele estivesse tentando apaziguar as coisas. "Acha que ele consegue chegar aqui a tempo de pegar os rapazes se eles caírem do prédio?" ele perguntou.

"Oliver", Chloe ralhou. Ela tentou e falhou em suprimir o sorriso de sua voz. "Acha que é realmente uma boa ideia? Você precisa da ajuda deles para vasculhar as coisas de Lionel", ela pontou.

"Com certeza eu seria mais rápido sozinho", Oliver resmungou. Desde que Clark havia, com sucesso, mandado Lionel para outra dimensão, o time vinha vasculhando todos os lugares que Lionel havia comprado enquanto esperava se revelar. Eles queriam garantir que todos os vestígios dele haviam desaparecido e prevenir qualquer potencial desastre que ele pudesse ter causado.

"Há uma razão para querermos todos neste local", Chloe disse. A cobertura onde Lionel estava vivendo depois que a mansão queimara, era o lugar onde ele passava mais tempo e tinha sido o lugar mais difícil de descobrir. "Isso pode levar a noite toda mesmo com duas pessoas super rápidas ajudando."

"Eu sei", Oliver fez bico. Ele revirou os olhos quando ouviu a voz de Bart se juntando à gritaria. O motivo da discussão havia mudado de missões passadas para comida e não parecia que terminaria cedo. "E se eu deixar que eles terminem sozinhos e a gente se encontrar na Torre do Relógio?" ele sugeriu. Eles andavam tão ocupados ultimamente que mal haviam tido um tempo sozinhos e isso causava parte de sua irritação.

"Tentador", Chloe repetiu esperançosa. "Mas eles obviamente precisam de alguém para colocá-los na linha, e eu ainda estou terminando de verificar a última leva de documentos da LuthorCorp que Tess me mandou. Ela vai se encontrar com alguns de seus investidores asiáticos e tenho a sensação de que ela não está muito feliz com você."

"Isso não é novidade", Oliver respondeu. Lionel conseguira causar muitos danos a LuthorCorp durante as poucas semanas em que esteve no comando e Tess fora forçada a resolver a maior parte dos problemas para que Oliver pudesse se concentrar em trabalhar com o time. "Ela está convencida de que fiquei com a parte mais fácil. Mas uma sala cheia de investidores nervosos parece bem melhor no momento."

"Precisarei relembrá-lo desta conversa na próxima vez que você mandar uma mensagem procurando por uma desculpa para escapar de uma reunião", Chloe brincou.

Oliver sorriu. "Talvez eu esteja procurando desculpas para te ver", ele respondeu.

Chloe deu risada. "Pode guardar o charme, Queen", ela disse. "Não vai te ajudar a escapar de terminar a missão."

Suspirando alto, o sorriso dele desapareceu. "Estou magoado, Sidekick. Eu aqui expondo meu coração e você ignorando. É tão errado assim eu querer passar um tempo com minha adorável namorada em vez de bancar o árbitro pra esses três bobalhões?"

"Fazer bico também não vai ajudar", Chloe respondeu. Ela abaixou a voz. "Mas talvez amanhã possamos dizer que você está doente."

Ele ergueu as sobrancelhas a isso, um lento sorriso surgindo em seu rosto. "Eu gosto da ideia." Oliver também passou a falar mais baixo. "Teremos que ficar na cama até nos sentirmos melhores, sem roupas, claro."

"Claro", Chloe concordou com uma risada.

"Ei, Casanova, quer vir aqui pra ver se terminamos isso neste século?" Bart chamou.

Oliver olhou por sobre o ombro. Clark havia chegado e os quatro estavam olhando pra ele como  se ele estivesse atrasando a missão. Ele travou a mandíbula, sentindo a tensão voltar a seus ombros. Lutando contra uma resposta sarcástica que estava na ponta de sua língua, ele se relembrou de que quanto mais rápido terminasse com aquilo, mais rápido ele estaria com Chloe. "Torre, estamos livres para entrar?" ele perguntou.

"Sim", Chloe respondeu. Ela reativou o link do grupo e voltou sua atenção para a câmera de segurança. "Estou desativando os alarmes e colocando as imagens de vídeo no modo de repetição. Vocês podem entrar."

"Vocês ouviram a dama", Oliver disse. Ele foi até a porta de acesso que levava a saída de emergência. Demorou menos de cinco segundos para abrir a fechadura e entrar com os outros logo atrás. Dez segundos depois, ele abriu outra porta e estavam dentro da cobertura, acendendo as luzes ao lado da porta.

"Qual o status?" Chloe perguntou.

"Por enquanto parece um apartamento comum", Oliver respondeu. Não havia muitos móveis na sala principal e ele deduziu que Lionel estivera ocupado demais planejando dominar o mundo para se preocupar com a decoração. "Impulse, pode dar um olhada rápida no lugar?" ele perguntou.

Bart desapareceu e retornou antes que qualquer um deles pudesse piscar. "Tirando o quarto e o escritório, o resto do apartamento está vazio", ele reportou.

Oliver assentiu. "Ciborgue, você e Aquaman olham o escritório enquanto Impulse e eu verificamos o quarto. Escoteiro, vasculhe esta sala e os demais cômodos por segurança", ele disse.

Todos foram para suas áreas designadas. Bart vasculhava o closet enquanto Oliver olhava as gavetas. E bem quando estava começando a achar que levar todo o time pra lá havia sido um desperdício de recursos, ele ouviu um grito de Bart, seguido de um barulho alto.

"O que foi isso?" Chloe perguntou preocupada, enquanto Oliver ia até o closet.

Ele arregalou os olhos quando viu o alçapão no chão. Ajoelhando-se, ele olhou para dentro do buraco. Conseguiu ver Bart no chão que ficava alguns metros abaixo. "Impulse, você está bem?" ele perguntou enquanto Clark aparecia numa rajada de vento.

Bart gemeu. "Sim", murmurou. Levantando-se, ele endireitou a roupa e olhou ao redor. "Uh, Chefe?" ele disse, olhando para Oliver. "Importa-se de vir aqui?"

Oliver trocou um olhar com Clark antes de pular para dentro do alçapão. Pousando com facilidade, ele se levantou e começou a observar o espaço. Não era um quarto muito grande, mas quase todo o espaço estava ocupado com o que pareciam ser antiguidades, obras de arte e outros artefatos. "Que diabos?"

"Arqueiro, o que está acontecendo?" Chloe perguntou novamente.

"Parece que Impulse encontrou o covil secreto de Lionel", Oliver respondeu. Ele olhou para cima e gesticulou para que Clark se juntasse a eles.

Clark pulou ao lado dele, olhos arregalando quando viu a sala de tesouro de Lionel. "Você acha que Lionel roubou todas essas coisas?" ele perguntou.

"Ou comprou no mercado negro", Oliver disse. Ele se ajoelhou e pegou uma estátua de bronze. "Vamos ter que olhar tudo isso e catalogar para que Chloe e Victor possam rastrear suas origens." Ele sabia que aquilo levaria o resto da noite.

"Vou buscar Victor e AC", Clark ofereceu. Ele pulou de volta para a cobertura.

Olhando feio para a bagunça ao redor, Oliver silenciosamente xingou Lionel Luthor. "Sidekick, acho que vamos ter que adiar nossos planos. De novo", ele acrescentou com amargura.

Chloe suspirou. "Eu preciso que todos mandem as fotos diretamente para os servidores da Watchtower." Ela fechou todos os links abertos, exceto o de Oliver. "Ainda estarei aqui quando você terminar", ela prometeu.

Frustrado, Oliver pegou o celular e tirou uma foto da estátua de bronze antes de se abaixar e pegar um vaso horroroso. "O gosto dele é quase tão ruim quanto a personalidade", ele murmurou enquanto tirava outra foto.

Bart deu um risinho e pegou um objeto de prata. A superfície refletiva estava coberta por marcar pretas que pareciam que deveriam estar conectadas. Ele girou uma vez, alinhando os padrões enquanto AC e Victor pulavam dentro do cômodo, seguidos por Clark. "Ei, Homem de Lata, acho que você vai gostar dessa coisa aqui", ele disse, girando-o de novo.

"NÃO!" Clark gritou. Ele acelerou até Bart.

Assustado, Bart jogou a caixa prateada de lado ao ver Clark ir em sua direção. O objeto voou pela sala e Oliver o pegou por instinto. Só percebendo o que fez um segundo depois, quando a caixa começou a brilhar. "Que diab..."

"OLIVER!"

***

Gemendo, Oliver correu uma mão pelos olhos quando começou a acordar. Seu pescoço estava rígido, suas pernas estavam doendo e quando tentou esticá-las, percebeu que estava em um espaço apertado. Confuso, ele abriu os olhos e se encontrou sentado atrás do volante de um carro. Olhando para baixo, ele viu que estava num terno perto, com uma camisa amassada e a gravata solta, e tentou se lembrar de como havia chegado ali.

Não era a primeira vez que acordava num lugar estranho - ou num carro que fosse - mas fazia muito tempo desde que tivera um apagão. Ele não costumava mais beber excessivamente e certamente não estava usando drogas. Oliver brevemente considerou que pudesse ter sido sequestrado, mas rejeitou a ideia logo. A maioria dos sequestradores tendiam a amarrá-lo numa cadeira e não deixá-lo sozinho em seu carro.

Pelo menos, ele tinha quase certeza de que estava em um de seus carros. Oliver se recostou e abriu o porta-luvas, pegando os documentos do carro. Relaxando levemente quando viu seu nome, ele começou a guardar os papeis quando o endereço chamou sua atenção. Era de sua cobertura em Star City. Apagão ou não, Oliver sabia que não estivera em Star City em meses.

"Isso só melhora", Oliver murmurou. Ele colocou a mão no bolso para pegar o celular. Não estava ali. Ele checou os outros bolsos e além de sua carteira e um par de óculos, também estavam vazios. Ele procurou no porta-luvas e no console central, mas seu telefone não estava em lugar nenhum.

Oliver saiu do carro, tomando um momento para esticar os músculos. Seu corpo inteiro pareceu protestar ao movimento simples. Aquele não era um bom sinal. Que diabos ele havia feito? Ternos não eram a melhor opção para patrulhar, mas não seria a primeira vez que ele entraria numa luta sem seu alter ego. Ele precisava de algumas respostas.

Saindo do estacionamento, Oliver ficou quase cego pela luz do sol. Procurando os óculos em seu bolso, ele lutou contra uma onda de náusea e uma dor na parte de trás de sua cabeça que parecia como se alguém o estivesse apunhalando. Ele ainda não conseguia distinguir se estava sofrendo a pior ressaca do mundo ou se tinha levado um soco. Deduziu que a última opção era a mais provável, porque mesmo quando estava de ressaca ele conseguia relembrar seus passos.

Ele certamente lembraria de ter ido para outro estado.

Assim que sua cabeça parou de latejar, Oliver olhou ao redor, notando o local familiar. Ele estava no centro de Star City, exatamente na frente da sede da Queen Industries. Ele buscou em seu cérebro, tentando lembrar se estava ali para alguma reunião. Nada soou familiar. Pelo menos ele sabia que havia um telefone em seu escritório que poderia usar. Talvez Chloe pudesse dizer a ele o que estava acontecendo.

Oliver arrumou a gravata e atravessou a rua. Ele queria tentar chegar ao escritório sem que muita gente o visse. Ele não conseguiria responder nenhuma pergunta, pois havia um branco em sua mente sobre as últimas vinte e quatro horas. Estava quase na porta quando alguém o alcançou.

"O senhor parece estar com pressa, Sr. Queen."

Ele parou de andar, seus olhos arregalando por trás dos óculos ao ver Lois. Ela tinha um gravador na mão e o olhar em seu rosto não era exatamente amigável. "Lois, o que você está fazendo aqui?" ele perguntou.

Ela estreitou ainda mais os olhos. "É Senhorita Lane", o relembrou friamente. "E eu estou aqui fazendo meu trabalho, o que é mais do que posso dizer de você, uma vez que está com a mesma roupa de ontem. Gostaria de me dizer com quem passou a noite desta vez, Sr. Queen?" ela zombou.

"O quê?" Oliver gritou. Abrindo a boca e tirando os óculos, olhando para Lois como se ela tivesse enlouquecido, o que obviamente havia acontecido. "Como você pode me perguntar isso?" ele exigiu.

"O público tem o direito de saber", Lois respondeu com um dar de ombros. Dando um risinho, ela apertou um botão no gravador e o aproximou dele. "Então, que socialite foi desta vez? Ou foi uma modelo? Ou as duas coisas?" ela perguntou, o rosto repleto de desgosto.

"Você bateu a cabeça?" Oliver gritou incrédulo. Fazia alguns dias desde que vira Lois, mas mesmo com partes de sua memória faltando, ele sabia que as coisas estavam bem entre eles. "De onde veio isso? Você sabe melhor do que ninguém que eu tenho sido homem de uma mulher só há muito tempo."

Lois bufou. "Certo e se você acha que eu acredito nisso, deve estar usando drogas de novo", ela completou. "Nós dois sabemos que você não passa de um inútil num terno muito caro."

"Já chega." Usando um terno preto e uma expressão firme, AC entrou no meio dos dois e olhou feio para Lois. "Se você quer falar com o Sr. Queen, precisa marcar um horário como todos os outros parasitas."

Oliver arregalou os olhos ainda mais. Ele não tinha certeza se já havia visto AC usar um terno antes e sabia que nunca o ouvira falar daquele jeito com ninguém, muito menos com uma amiga. "O que está acontecendo?" ele perguntou. Oliver estava começando a achar que havia batido a cabeça com mais força do que imaginara.

Lois ignorou AC e continuou a olhar feio para Oliver. "Você não pode se esconder atrás de seu guarda-costas para sempre, Queen. Eu vou garantir que o mundo inteiro saiba exatamente que tipo de homem você é", ela disse.

AC deu um passo mais perto dela. "Não me faça repetir o que disse, Lane", ele alertou.

Revirando os olhos, Lois desligou o gravador e o jogou dentro da bolsa. "Mais cedo ou mais tarde você vai ter o que merece, Queen e eu estarei assistindo na primeira fila." Ela lhes deu mais um olhar feio e seguiu pela calçada.

"Peço desculpas por não ter aparecido antes, Sr. Queen. Não acontecerá novamente", AC insistiu.

Oliver ainda estava tentando entender que diabos estava acontecendo enquanto observava Lois virar a esquina. Voltando-se para AC, ele notou que seu amigo estava hesitante em olhar dentro de seus olhos. "O que foi isso?" ele perguntou. "Você e Lois brigaram ou algo assim?"

"Tivemos algumas brigas no decorrer dos anos, Sr. Queen. Eu sei que o senhor disse para mantê-la longe a todo custo e lhe garanto que levo meu trabalho muito a sério", AC disse, com um certo tom de pânico na voz.

"Sério, isso é uma piada?" Oliver perguntou. Ele estudou AC cuidadosamente, procurando algum sinal de sorriso. Seu amigo não conseguia disfarçar e normalmente era fácil de se ler. Mas sua expressão se manteve neutra. "Vamos, Isca de Peixe, me ajude aqui", ele disse.

AC ergueu as sobrancelhas e o pânico cresceu em seu rosto. "Do que me chamou, Senhor?" ele perguntou baixinho.

Oliver franziu a testa. Ele sabia que AC não era fã de apelidos de peixe mais do que Victor gostava que se referissem a suas partes computadorizadas, mas Oliver nunca o viu ter aquela reação antes. "Isca de Peixe?" ele repetiu incerto.

Engolindo em seco, AC encontrou seu olhar por um breve momento antes de desviar o olhar novamente. "O senhor tem um dia cheio, Sr. Queen. Não vou atrasá-lo ainda mais", ele disse.

"Certo", Oliver murmurou. Ele obviamente não ia conseguir arrancar nada de AC além de olhares estranhos. Ele seguiu para a entrada da Queen Industries, parando quando percebeu que AC estava parado no mesmo lugar. "Você vem?" ele perguntou.

AC olhou confuso. "Precisa de mim?"

"Não sei", Oliver respondeu. Ele correu uma mão pelo cabelo e se perguntou se era possível que o dia ficasse mais estranho. "Eu realmente não sei como essa história de guarda-costas funciona ou porque eu decidi que precisava de um." Ele olhou para AC com expectativa, desejando que algo em sua declaração arrancasse alguma resposta.

Tudo o que conseguiu foi deixar AC ainda mais desconfortável. "Tenho sido seu guarda-costas há anos, Senhor. Eu sei que estraguei tudo esta manhã, mas não vai acontecer de novo. Eu preciso deste trabalho", ele acrescentou, sua voz demonstrando desespero.

"Está tudo bem", Oliver disse logo. Ele não fazia ideia do que estava acontecendo, mas a última coisa que queria era ver AC começar a chorar em sua frente. "Acho que te vejo depois. Ou algo assim", ele disse.

"Obrigado, Sr. Queen", AC respondeu agradecido.

Balançando a cabeça, Oliver entrou no prédio. A recepcionista estava ao telefone, mas lhe mandou um sorriso nervoso enquanto ele passava por sua mesa a caminho do elevador. Oliver assentiu, sorrindo de volta e viu um olhar de surpresa no rosto dela. Antes que pudesse apertar o botão do elevador, as portas se abriram e ele saiu do caminho para evitar ser atingido pelo carrinho de correspondência.

"Desculpe, cara", Bart falou do outro lado. Ele ergueu as sobrancelhas quando viu Oliver e seu sorriso foi substituído pelo mesmo olhar de pânico que AC havia demonstrado. "Chefe... Quer dizer, Sr. Queen. Desculpe", ele disse novamente.

"Bart?" Oliver olhou para o carrinho entre eles antes de olhar para ele de novo. "O que você está fazendo?", perguntou.

"Entregando a correspondência", Bart respondeu. Ele ergueu uma sobrancelha ao olhar estranho que Oliver estava lhe dando. "Este é meu trabalho", ele disse.

Que diabos? Oliver pensou. Se seus amigos estivessem lhe pregando uma peça, tinham ido longe demais desta vez. "Desde quando seu trabalho é entregar a correspondência?" ele perguntou.

"Desde que o senhor me contratou", Bart respondeu. Ele refletiu. "Bem, desde que sua assistente me contratou", ele esclareceu. "Eu sou um mensageiro."

Oliver deu um risinho ao termo. "Eu sei, mas desde quando isso envolve de fato entregar a correspondência?" ele perguntou.

"Desde sempre", Bart disse. Ele olhou para Oliver com incerteza. "Está tudo bem?" ele perguntou.

"Não", Oliver respondeu. Não querendo dar mais nenhuma explicação, ele deu a volta em Bart, entrando no elevador e apertando o botão para seu andar. Ele viu Bart lhe mandar outro olhar estranho por sobre o ombro antes de continuar com o carrinho até a recepção.

Recostando-se contra a parede, Oliver correu a mão pela nuca e tentou descobrir o que estava acontecendo. A última coisa que lembrava era de estar na Watchtower com Chloe. Ele tinha certeza de que os rapazes também estavam lá e ele estava com a roupa do Arqueiro Verde. Chloe estava lhe mostrando algo no computador, plantas de um local, ele lembrava. Eles estavam no meio de uma missão ou começando uma.

Por que ele não conseguia se lembrar dos detalhes?

O elevador fez o sinal de chegada ao seu andar privado. Ele ficou surpreso em ver a mesa de sua assistente vazia, mas aquele era o menor de seus problemas no momento. Abrindo a porta de seu escritório, Oliver arregalou os olhos, sentindo-se aliviado quando viu a loira familiar parada atrás de sua mesa organizando a correspondência.

"Sidekick, graças a Deus." Oliver atravessou o escritório enquanto ela olhava para cima. "Estou tendo um dia muito estranho." Segurando os quadris dela, ele se inclinou para beijá-la, somente para encontrar a mão dela em seu rosto, a força do tapa o fazendo tropeçar para trás.

"Qual é o seu problema?" Chloe gritou. Dando um passo para trás para colocar mais distância entre eles, ela olhou feio. "Não pense que eu não vou processá-lo por assédio sexual", ela sibilou.

"Assédio sexual?" Oliver arregalou os olhos. "Você, não", ele disse enquanto corria a mão pelo rosto. "Vamos, Chloe. Isso não tem graça."

"Você tem razão, não tem e eu sugiro que deixe suas mãos bem longes de mim", Chloe alertou.

O olhar no rosto dela lhe mostrou que ela não estava brincando e a postura defensiva era real demais para ser uma farsa. Ela claramente não queria nada com ele. Oliver podia viver com Lois, AC e Bart o odiando por qualquer razão que fosse, mas não Chloe. Aquilo tinha que ser um sonho ou uma viagem no tempo ou algo assim e ele queria sair dali imediatamente.

"Que dia é hoje?" ele perguntou.

Chloe olhou pra ele desconfiada. "20 de fevereiro de 2011."

Oliver franziu a testa. Aquela era a data certa. Mas aquilo não fazia sentido. Ele pensou nos últimos dias, tentando juntar as peças que faltavam em sua memória. Ele não passava muito tempo no escritório porque estava ocupado com os rapazes tentando concertar as bagunças de Lionel. Lionel, que tinha ido para uma realidade diferente, ele se lembrou. De repente, ele teve uma visão de Bart caindo através do chão e então Clark gritando enquanto a caixa espelhada com que Bart estava brincando caía em suas mãos.

"Eu estou na realidade errada", ele murmurou. Perfeito. Suspirando, ele correu as mãos pelo rosto e se perguntou como ia sair dali.

"Você está usando drogas novamente?" Chloe perguntou.

Oliver olhou pra ela por entre os dedos. O olhar de desgosto no rosto dela doeu muito mais do que deveria. Ele sabia que ela não era Chloe, não de verdade, mas a ideia de qualquer versão de Chloe o odiando era difícil de aceitar. "Que bom que você e Lois concluíram que eu devo estar usando drogas", ele completou.

"Lois sabe que você está usando drogas de novo?" Chloe balançou a cabeça e mordeu o canto do lábio. "Acho que vou pedir pra ela segurar um pouco a história até que o negócio seja fechado, mas não estou fazendo isso por você." Ela olhou feio pra ele. "Eu trabalhei muito duro pra fazer isto acontecer e não vou deixar você estragar tudo."

"Eu não estou usando drogas", Oliver disparou. Claramente a versão dele que existia naquela realidade era um verdadeiro vencedor. Ele precisava fazer Chloe perceber que ele não era o mesmo cara. Se havia uma pessoa que podia ajudá-lo, era Chloe, mesmo que fosse uma versão diferente dela. "Sidekick, me escuta", ele pediu.

"Por que continua me chamando assim?" Chloe interrompeu. Ela deu outro passo para trás, claramente com medo que ele fosse tentar tocá-la novamente.

"É como eu sempre te chamo. Bem, não você, minha Chloe. Eu não sou deste mundo, exatamente", Oliver disse. Ele podia ver que ela não estava acreditando e não podia dizer que a culpava. A julgar pelo jeito que todos os seus amigos reagiram a ele, Oliver assumiu que ela estava mais acostumada a versão de Oliver Queen contando mentiras. Ele tentou se lembrar do que Clark havia lhe dito sobre sua contraparte. Ele tinha sido bem vago, agora que estava pensando no assunto.

"Oliver, talvez você deva tomar um café. Descafeinado", Chloe acrescentou. Ela foi em direção a porta.

"Chloe, espera." Oliver estendeu a mão para alcançá-la e desistiu quando viu o olhar no rosto dela. Ele recolheu as mãos e entrou no caminho dela. "Eu sei que isso parece loucura, mas você tem que me ouvir. Acho que preciso encontrar Clark Luthor", ele disse.

"Os únicos Luthors que eu conheço são Lex e Tess", Chloe respondeu. "Não existe nenhum Clark Luthor."

Oliver franziu a testa. Aquilo não fazia sentido. Ele também tinha quase certeza de que Clark havia dito que Lex estava morto naquela realidade. "Tem certeza? Ele também atende pelo nome de Ultra Man", ele disse.

"Tenho certeza que nunca ouvi falar de um Clark Luthor ou Ultra Man", Chloe respondeu.

"E Lionel Luthor?" Oliver perguntou. "Ele provavelmente desapareceu por alguns meses e voltou recentemente. Isso faz algum sentido?" ele perguntou.

Chloe lhe mandou outro olhar que claramente dizia que ele estava maluco e que ela estava cansada da conversa. "Lionel Luthor está morto há anos e as pessoas geralmente não voltam do mundo dos mortos, então ele definitivamente não apareceu recentemente. Oliver, o que você tomou ontem à noite?" ela perguntou.

"Nada, eu não estou usando drogas", Oliver insistiu enquanto sua mente começava a correr. Aquela não era a mesma realidade que Clark havia ido parar, o que significava que ele estava realmente às cegas. "Chloe, eu preciso da sua ajuda", ele disse.

Chloe suspirou. "Eu sei, por isso você me contratou. Precisamos ver sua agenda. Você tem um encontro com Jack Crane às duas e eu sei que você precisa ler a última versão da proposta. Quer que eu traga o café antes?" ela perguntou.

"Não", Oliver respondeu. Desesperado, ele a segurou pelos ombros e a forçou a olhar pra ele. "Chloe, por favor", ele disse. "Eu não sou o Oliver que você pensa que eu sou. A Chloe Sullivan que eu conheço não me odeia. Você tem que confiar em mim."

Ela olhou pra ele em silêncio por um minuto. Ele podia sentir a tensão no corpo dela, mas ela não estava tentando se afastar. Ele prendeu a respiração, desejando que isso fosse um bom sinal. Antes que Chloe pudesse dizer alguma coisa, a porta se abriu e Tess entrou.

"Trabalhando duro pelo que vejo", ela comentou, erguendo uma sobrancelha à proximidade dos dois.

Oliver travou a mandíbula quando Chloe imediatamente se afastou dele. Ele olhou feio para Tess por sobre o ombro. "Não é uma boa hora."

"Com você nunca é." Tess olhou para Chloe. "Você pode sair. Eu preciso falar com meu marido."


______
DOIS

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5 comentários:

  1. Olá, pessoal!!! Conforme prometido, nova história sendo traduzida. Espero que gostem e pra variar já peço paciência, pois ainda estou traduzindo, então não posso garantir quando sai o próximo capítulo, mas prometo que o mais breve possível.

    Até mais...

    <3

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  2. Opa!nova fic já gostei do começo.

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    1. Que bom!!!! Eu nunca tinha lido, li enquanto traduzi e amei!!!

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  3. Que maravilha, Sofia!!! \o/
    Como não gostar? Amo fics com a Liga, e quando adicionado as outras realidades..."minha Chloe" tem como não sorrir quando o Oliver diz isso?! rsrs

    Não importa o ritmo, Sofia, faça o que puder!

    Gil

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    Respostas
    1. Verdade, Oliver é um fofo!!! Amo histórias com outras realidades... Obrigada pelo apoio, GIL!!!

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