20.7.10

Through a Glass, Darkly (6/12)

Resumo: Versão alternativa do episódio Pandora.
Autoras: chloeas e dl_greenarrow
Classificação: R
Original
Anterior: Prólogo - Um - Dois - Três - Quatro - Cinco




Quando Oliver retornou para a Watchtower, era quase duas da manhã. Ele entrou em silêncio, parando quando viu Chloe no computador principal, sua cabeça apoiada na mesa, os olhos fechados. Ele tirou seu arco e a aljava, fechando o painel silenciosamente e bem devagar chegou perto dela. Ela estava franzindo a testa, e ele podia garantir que mesmo durante o sono, ela não estava tendo bons sonhos. Ele imaginou o quanto ele era responsável pelo pesadelo que ela estava tendo. Ele engoliu em seco, incapaz de se impedir de estender a mão e gentilmente tirar o cabelo do rosto dela. Ele prendeu a respiração quando no mesmo momento a expressão em seu rosto se suavizou. Então, hesitantemente ele deslizou os braços ao redor dela, cuidadosamente a pegando no colo e a carregando pelas escadas, mal sentindo a dor em seu estômago.

Ela sentiu que estava sendo carregada mas o dia havia sido tão longo e ela ainda tinha tanta coisa para resolver, ela não queria acordar, durante os últimos meses, todas as noites eram assim, ela adormecia em sua mesa enquanto tentava encontrar Lois ou qualquer um dos outros, e quando acordava voltava ao trabalho, mas agora estava se sentindo confortável, tão confortável que mesmo percebendo que alguém a estava carregando, ela demorou para conseguir abrir os olhos.

E quando abriu, Oliver estava olhando pra ela, e não pôde fazer outra coisa senão sorrir diante do calor em seus olhos.

"Volte a dormir", ele sussurrou gentilmente, deitando-a na cama com cuidado e dando um beijo em sua testa sem pensar. Era uma das coisas que ele estava tão acostumado a fazer todas as noites, e mesmo parecendo estranho para Chloe, era simplesmente instintivo pra ele.

Se mexendo, ela balançou a cabeça, abrindo mais os olhos. "O que você conseguiu descobrir?"

Oliver hesitou por um momento, e relutantemente a soltou, sentando na beira do sofá-cama. "Há mais ou menos trinta deles, em um complexo fora de Smallville, incluindo Zod." Ele suspirou. "Mercy ainda está na mansão."

Chloe sentou-se perto dele, passando a mão no rosto para despertar. "Então esse deve ser nosso primeiro alvo, o complexo onde Zod está."

Ele virou a cabeça pra olhar pra ela. "Você devia voltar a dormir Chloe", falou demonstrando preocupação em sua voz.

"Você precisa dormir mais do que eu preciso." Ela salientou teimosamente, ela estava exausta, verdade, mas ele estava ferido.

"Quando foi a última vez que você dormiu?" Ele desafiou, erguendo uma sobrancelha.

"Ontem a noite", ela respondeu, o que tecnicamente era verdade, ela havia dormido, ele só não precisava saber onde e por quanto tempo.

Ele a observou atentamente, sentindo que ela não estava sendo totalmente verdadeira. Ele suspirou e desviou o olhar. "Que tal se nós dois dormimos por algumas horas?" Ele sugeriu cansado.

"E você vai estar aqui quando eu acordar?" Porque ela não duvidava que ele fosse sozinho invadir o complexo onde Zod estava e começar a matar todo mundo sem ao menos um plano, e como ele estava ferido, se algo acontecesse com ele, ela não saberia o que fazer.

Ele entendeu exatamente o que ela queria dizer. "Estarei", prometeu.

Depois de observá-lo por um momento, Chloe acreditou. "Esta é a única cama disponível, você está ferido, fica pra você."

"Não. Não vou te expulsar da sua própria cama. O sofá está ótimo, Chloe. Além do mais, meu ferimento não é tão grave assim." Ele se levantou.

Chloe olhou pra ele balançando a cabeça. "Essa cama é bem grande, podemos dividir, assim, você não dorme no sofá." Ela não se importava com o que 'ferimento grave' significava pra ele, mas para seus padrões ser esfaqueado no estômago é bem grave e não queria que ele piorasse.

Oliver franziu a testa, sem saber o que dizer por um instante. "Não acho que é uma boa ideia", ele murmurou.

Chloe não conseguiu ler a expressão no rosto dele, mas não ia fazer mais perguntas. "Você fica com a cama." Ela falou, já se levantando e pegando um dos travesseiros. "Está decidido."

"Não, espera." Ele segurou-a gentilmente pelo pulso, com a expressão triste. "Desculpe. Desculpe. Podemos dividir." Sua voz era praticamente inaudível quando olhou pra ela. Porque por mais tortuoso que fosse dividir a cama com ela, a ideia de não dividir era ainda pior.

"Não quero te deixar desconfortável, Oliver", ela falou baixinho, com uma expressão suave. "Eu realmente vou ficar bem no sofá, não preciso de tanto espaço assim." Ela falou lhe dando um sorriso tranquilizador.

"Não quero que você vá", ele disse calmamente, olhando para a mão dela e hesitantemente entrelaçando seus dedos nos dela.

Chloe sentiu seu peito ficar apertado, e olhou para suas mãos antes de olhar pra ele. "Ok."

Ele apertou levemente a mão dela antes de soltar. Automaticamente indo para o lado esquerdo da cama, sem pensar. Era como ele e sua Chloe sempre dormiam - ele do lado esquerdo, entre ela e a porta.

Depois de tirar os sapatos, ela foi para o outro lado da cama, arrumando o travesseiro antes de escorregar para debaixo dos cobertores. Ela não se preocupou em trocar de roupa, tomaria banho e trocaria de roupa quando acordasse, nesse momento parecia tudo muito trabalhoso, e além do mais, sentia que Oliver precisava dela ali.

Assim que ele se deitou também, ela estendeu a mão para apagar a lâmpada ao seu lado, olhando pra ele. "Pronto?"

"Sim", ele respondeu sem se incomodar em tirar o uniforme. Ele se deitou de lado, olhando pra ela, respirando bem devagar enquanto ela apagava a luz.

Chloe ficou em silêncio por um momento, a escuridão lhe enchendo de coragem para perguntar o que ela ainda não havia conseguido. "Você a amava." Ela falou, as palavras simplesmente escapando de sua boca e nem estavam em forma de pergunta. Não era preciso ser um gênio para perceber isso diante do jeito como ele olhava pra ela desde que havia chegado.

"Mais do que qualquer coisa", ele respondeu calmamente.

Ela hesitou por um segundo antes de procurar a mão dele novamente, apertando-a o mais forte que conseguiu. "Eu sinto muito, Oliver", ela falou, mesmo sabendo que de nada ajudaria, mas ela queria que ele soubesse. "Queria que as coisas tivessem sido diferentes pra vocês dois." Era estranho falar sobre um pessoa que era outra versão dela mesma e Oliver, juntos desse jeito, mas ela sabia como era perder alguém que se ama.

Ele segurou a mão dela, sua garganta apertada. "Eu também", ele admitiu, piscando para conter as lágrimas. "Mas elas serão."

"Faremos com que sejam", ela assegurou, deitando de lado para olhar pra ele, colocando sua outra mão sobre a mão dele também, sentindo suas próprias lágrimas surgirem. "Mas eu tenho certeza que não importa o que aconteça, ela estará orgulhosa de você. Tenho certeza que ela sabia o quanto era sortuda por ter você."

Oliver trouxe suas mãos até sua boca e beijou a mão dela suavemente, encostando-a em seu rosto por um momento. "Eu que tive sorte."

Prendendo a respiração, ela apertou a mão dele, mas não disse nada. Não parecia justo, depois de tudo que eles haviam passado, depois de lutar e sobreviver a tudo, ele não poder celebrar a liberdade com sua Chloe, e apesar de tudo o que ela mesma já havia passado, não conseguia pensar em alguém que merecesse mais a felicidade do que este Oliver.

"Talvez quando tudo isso acabar, você consiga voltar a tempo de salvá-la." Ela sabia que isso era praticamente impossível, mesmo não sabendo exatamente como funcionava a viagem no tempo, mas parecia a coisa certa a ser dita.

Ele tinha certeza que as coisas não funcionavam desse jeito, mas apreciou o esforço dela. "Talvez." Ele repetiu, deixando seus olhos se fecharem enquanto segurava a mão dela. "Mas acho que desde que eu consiga salvar você, tudo vai ficar bem."

Ela esfregou gentilmente a mão dele. "Descanse", falou baixinho.

Pouco tempo depois, ele caiu em um sono profundo e calmo, agradecido que ela tenha ficado com ele. Porque em algum lugar da sua mente, enquanto adormecia, ele acreditou que esta era sua Chloe. Apenas era mais jovem.

***

Quando ela acordou, ainda estava escuro lá fora, Chloe começou a se mover, mas de repente ficou imóvel quando sentiu o braço de Oliver apertado ao redor de sua cintura, surpresa ao ver como ele era forte mesmo quando estava dormindo profundamente, o que era possível perceber pela sua respiração uniforme. Enquanto virava a cabeça pra olhar pra ele, ela sentiu um aperto maior no peito, ele estava curvado contra o corpo dela e os lábios pressionados contra seu ombro.

Ao invés de se afastar, ela aproximou-se mais, sentindo o abraço dele relaxar enquanto se virava pra ele e passava o braço ao redor dele também, para sua surpresa ela percebeu as feições dele relaxarem ainda mais e um sorriso surgir em seus lábios, não havia dúvidas de que ele estava sonhando com ela, e isso era tudo que tinha lhe restado, e ela não queria atrapalhar seus sonhos.

Com um suave suspiro, ela encostou sua cabeça na dele e se permitiu relaxar.

Era estranho imaginar que este Oliver amava uma versão dela, nunca havia pensado em Oliver desse jeito, claro, ele era inegavelmente atraente, na verdade, um dos homens mais deslumbrantes que ela já havia visto na vida, mas quando o conheceu, ele namorava sua prima Lois e normalmente os homens que iam atrás de sua prima, não a olhavam uma segunda vez, uma prova: Clark Kent, então ela de fato nunca perdeu tempo pensando nele, mas ficava imaginando como será que deve ter acontecido.

Pelo que ele lhe contou, parece que todos da Liga estavam indo bem como Clark e Lois, então imaginou que o fato de só terem uns aos outros ajudou. Mas isso não explicava porque Oliver olhava pra ela do jeito que olhava, com devoção, admiração e tanto... amor. Mesmo durante a guerra, quando tudo pode acabar a qualquer momento, com certeza o que havia entre eles era mais do que os sentimentos de 'último dia sobre a Terra'.

E foi aí que ela se deu conta de que não sabia muito sobre a outra versão dela, Oliver não falava muito em detalhes, de fato, as únicas coisas que ela sabia é que aquela Chloe liderava o grupo, que havia pedido ajuda ao Clark e ele a abandonou e que ela salvou Oliver dos kandorianos. Ela imaginou que talvez a admiração que ela via nos olhos dele fosse na verdade gratidão, afinal sua Chloe o salvou, mas ela sentia que havia mais do que isso.

Seja lá o que fosse, independente de todas as coisas difíceis pelas quais teve que passar, aquela Chloe foi incrivelmente afortunada.

Ele se mexeu um pouco em seu sono, os braços se apertando um pouco mais ao redor dela um pouco antes de suas sobrancelhas franzirem um pouco e seus olhos se abrirem. Reconhecendo a presença dela ali, voltou a relaxar, fechando os olhos novamente. "Já amanheceu?", murmurou sonolento.

Chloe limpou a garganta quando ouviu a voz dele, e ergueu a mão lentamente para limpar suas lágrimas. "Ainda está escuro lá fora", falou baixinho. "Descanse um pouco mais."

"Você também. Longo dia pela frente", ele sussurrou, pensando que todos os seus dias eram muito longos. Mas pelo menos eles tinhas suas noites.

Erguendo um pouco as sobrancelhas, ela olhou pra ele e sorriu. "Durma." Ela falou calmamente, percebendo que ele não estava completamente consciente, e pelo modo como sua voz estava relaxada, achava que naquele momento ele não sabia que aquela não era a Chloe certa.

E então ele adormeceu.

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